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Por que a celulite continua mesmo depois de emagrecer?

Anatomia da pele ajuda a explicar por que perder gordura nem sempre elimina as depressões

19 ago 2026 - 16h29
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Resumo
Nem toda celulite é fruto de excesso de gordura. Estruturas chamadas septos fibrosos podem tracionar a pele para baixo, criando depressões visíveis mesmo após emagrecimento ou exercícios. Avaliações personalizadas ajudam a identificar os componentes envolvidos, como flacidez ou alterações na pele, garantindo tratamentos mais eficazes e direcionados. ✨

Estruturas fibrosas sob a pele podem manter algumas depressões mesmo após a perda de gordura

Nem toda irregularidade da pele está relacionada apenas à quantidade de gordura. Estruturas fibrosas do tecido subcutâneo podem exercer tração sobre determinados pontos da pele e ajudam a explicar por que algumas celulites permanecem mesmo após emagrecimento, melhora da composição corporal e prática de exercícios. Para muitas mulheres, isso gera uma conclusão quase automática: talvez seja necessário emagrecer mais, treinar mais ou procurar outro creme ou aparelho.

Foto: Revista Malu

O motivo por trás

A falta dessa melhora, apesar do estilo de vida, pode ser mais complexa do que se pensa. Em algumas das depressões características da celulite, estruturas chamadas septos fibrosos podem exercer tração sobre a pele e contribuir para que determinados pontos permaneçam deprimidos.

Os septos são estruturas de tecido conjuntivo presentes normalmente no tecido subcutâneo e participam da organização e sustentação dos compartimentos de gordura. Pesquisas anatômicas e exames de imagem demonstram que características como sua arquitetura, espessura e relação com a superfície cutânea podem participar da aparência da celulite.

"Existe uma ideia muito difundida de que celulite significa simplesmente excesso de gordura. Mas, quando analisamos sua anatomia, percebemos que existem diferentes componentes envolvidos. Em determinadas depressões, há uma tração estrutural sobre aquele ponto da pele. A pessoa pode perder gordura e modificar todo o contorno ao redor sem necessariamente eliminar essa tração", explica Matheus Azevedo, médico com atuação em medicina do contorno corporal e metabolismo.

É justamente isso que ajuda a explicar algo observado por muitas mulheres: perder gordura pode melhorar o contorno corporal sem necessariamente fazer determinadas depressões desaparecerem.

Imagine um ponto da pele sendo tracionado para baixo

Segundo Matheus, a gordura subcutânea está organizada em compartimentos atravessados por estruturas de tecido conjuntivo. "Em determinadas áreas com celulite, a interação entre esses septos, a gordura e a pele pode criar uma diferença de forças: enquanto o tecido ao redor se projeta, alguns pontos permanecem tracionados para baixo, produzindo externamente o aspecto de depressão."

Estudos utilizando ressonância magnética já encontraram associação entre depressões visíveis da celulite e características dos septos fibrosos localizados abaixo delas. Isso, porém, não significa que toda celulite seja causada exclusivamente pelos septos.

A celulite é multifatorial. Arquitetura do tecido conjuntivo, distribuição do tecido adiposo, espessura e qualidade da pele, envelhecimento e características individuais também participam de sua aparência. E essa distinção é fundamental porque componentes diferentes podem exigir estratégias diferentes. "Por isso mulheres magras também podem ter celulite A condição é extremamente comum e estudos estimam que esteja presente em aproximadamente 80% a 90% das mulheres após a puberdade, em diferentes graus. O aumento do tecido adiposo pode deixar determinadas irregularidades mais aparentes, e mudanças de composição corporal podem melhorar o contorno. Isso é diferente, entretanto, de afirmar que a gordura é a única causa. Quando uma depressão possui importante componente de tração fibrosa, simplesmente diminuir o volume de gordura ao redor pode não ser suficiente para modificar aquela ancoragem."

A importância em avaliar a celulite

Por isso, segundo Matheus, a avaliação precisa identificar qual componente está predominando naquele corpo. "Eu preciso entender o que estou vendo. É uma depressão localizada? Existe flacidez associada? Há alteração de volume, gordura localizada ou mudança na qualidade da pele? Esses componentes podem coexistir, mas não são a mesma coisa. Quando tudo recebe simplesmente o nome de celulite, corremos o risco de tratar estruturas diferentes da mesma maneira."

Essa diferença também ajuda a explicar por que duas mulheres com aparências aparentemente semelhantes podem responder de formas bastante distintas ao mesmo tratamento.

Quando a depressão está relacionada aos septos, existe uma abordagem direcionada

Em casos selecionados, uma das possibilidades utilizadas para depressões relacionadas à tração dos septos fibrosos é a subcisão. "A proposta é atuar especificamente sobre as estruturas responsáveis pela ancoragem de determinadas depressões, em vez de tratar indiscriminadamente toda a superfície da região."

Mas isso não significa que toda irregularidade seja indicação para esse tipo de abordagem. "Depressões localizadas, flacidez, alterações da qualidade da pele, excesso de tecido adiposo e irregularidades difusas podem representar mecanismos diferentes e frequentemente aparecem simultaneamente na mesma paciente. É por isso que uma abordagem individualizada ganha importância."

A celulite pode ser apenas a parte visível do problema

Uma paciente pode apresentar depressões relacionadas predominantemente aos septos e boa qualidade de pele. Outra pode apresentar flacidez importante. Outra pode ter mudanças de volume e composição corporal associadas.

E muitas apresentam vários desses fatores ao mesmo tempo. "Por isso, o tratamento que funcionou para uma amiga, influenciadora ou outra paciente vista nas redes sociais não necessariamente é aquele indicado para outro corpo. Procedimentos que atuam mecanicamente nos septos também possuem possíveis efeitos adversos, entre eles hematomas, edema e sensibilidade, e sua indicação e execução devem ser individualizadas."

Além disso, a expectativa precisa ser adequada: tratar um dos componentes da celulite não significa necessariamente tratar todos eles. "Quando uma mulher aponta para um 'furinho', ela está mostrando na superfície o resultado de estruturas e forças que estão abaixo dela. A avaliação não deveria começar escolhendo um aparelho ou procedimento. Deveria começar tentando entender por que aquela pele está assumindo aquele formato e quais componentes realmente precisam ser abordados", conclui.

Revista Malu Revista Malu
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