Posso dar ovo da Páscoa para meu cachorro? Especialistas fazem alerta
Chocolate pode intoxicar pets e causar vômitos, mal-estar e até levar à morte; orientação também vale para gatos
Embora a Páscoa seja celebrada oficialmente apenas no domingo, as comemorações do feriado prolongado já começaram. Missas, procissões e, é claro, os ovos de Páscoa já circulam entre a população em diversas partes do mundo. No entanto, o período exige atenção dos tutores de pets, já que o consumo de chocolate pode causar sérias complicações aos animais e até levar à morte.
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Segundo a médica-veterinária do Hospital Veterinário Amarvet’s, Milena Mello, os problemas ocorrem devido à presença de teobromina, um alcaloide estimulante encontrado no cacau. Em humanos, a substância pode trazer efeitos como melhora na circulação e sensação de bem-estar. Já em cães, o impacto é potencializado, pois a metabolização ocorre de forma mais lenta.
“A teobromina estimula o sistema nervoso central, aumentando as catecolaminas, a adrenalina, a dopamina. Isso vai inibir o receptor da adenosina e vai aumentar o cálcio intracelular. Ou seja, resultando aí em um paciente hiper excitado. É muito comum a gente ver na clínica [cães com] taquicardia, arritmia, tremor, convulsão, xixi que aumenta, diurese que aumenta”, explica Mello em entrevista ao Terra.
Chocolates com maior teor de cacau --como os amargos e meio amargos-- são considerados mais perigosos. Ainda assim, a reação pode variar de acordo com o organismo de cada animal.
“Vai ter paciente que vai intoxicar com uma mínima quantidade de ingestão e vai ter paciente que vai precisar de uma quantidade maior para chegar no risco de toxemia, de realmente toxicidade. Então, não existe nem em pouca quantidade”, ressalta.
O que fazer em caso de consumo?
Os sintomas de intoxicação por chocolate incluem vômito, diarreia, aumento da ingestão de água, aumento da frequência urinária, aceleração dos batimentos cardíacos, tremores, elevação da pressão arterial e da temperatura corporal.
Nesses casos, a principal recomendação é levar o animal imediatamente a um hospital veterinário. Outra medida que pode ser indicada é a administração de carvão ativado, geralmente disponível em farmácias veterinárias.
“Se a ingestão é recente, fazemos a indução de vômito no consultório mesmo, no ambulatório, e tenta fazer a administração do carvão ativado. Agora, se já foi absorvido, na maioria das vezes é internamento, período de observação, fluidoterapia contínua”, afirma.
A orientação também se aplica aos gatos. Segundo a especialista, durante o período de Páscoa, há aumento no número de casos de intoxicação.
“Os gatos, em geral, demonstram menos interesse por chocolate e tendem a ser menos imprudentes na alimentação do que os cães, mas a ingestão pode ocorrer. O alerta também vale para alguns roedores, como coelhos e hamsters, além de animais silvestres, como furões”, completa.
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