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Núbia de Oliveira faz 1:11:13 em Buenos Aires e bate recorde brasileiro após 35 anos

Baiana foi 8ª colocada geral e primeira sul-americana em uma prova de altíssimo nível

23 ago 2026 - 19h53
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Resumo
A atleta baiana Núbia de Oliveira quebrou o recorde brasileiro da meia maratona ao concluir a prova de Buenos Aires em 1h11min13s, superando por dois segundos a marca de Silvana Pereira, que durava 35 anos. Núbia terminou na oitava colocação geral e foi a melhor sul-americana na competição, que contou com vitória e recorde mundial no masculino por atletas etíopes. O feito ocorreu uma semana após seu bicampeonato no Rio e antecede sua ida ao Mundial de Corrida de Rua, em Copenhague.

Núbia de Oliveira Silva escreveu seu nome na história do atletismo brasileiro neste domingo (23/8). Aos 24 anos, a baiana completou a Meia Maratona de Buenos Aires em 1:11:13 e quebrou o recorde brasileiro da distância, que pertencia a Silvana Pereira desde 13 de julho de 1991, com 1:11:15.

Núbia terminou na 8ª colocação geral e foi a primeira sul-americana, em uma edição marcada pelo alto nível técnico. A prova foi vencida pela etíope Fotyen Tesfay, em 1:03:57, novo recorde da competição. No masculino, o também etíope Yomif Kejelcha venceu com 56:51 e estabeleceu novo recorde mundial da meia maratona, em uma edição de altíssimo nível técnico.

Para Núbia, porém, a principal disputa do dia era contra o relógio. E ela conseguiu superar uma marca que permanecia intocada no Brasil havia 35 anos.

Regularidade até o fim

Núbia seguiu a estratégia traçada com o treinador Antônio Ferreira Bonfim Filho, o Ferreirinha, de correr de forma consistente na faixa de 3min20s a 3min23s/km. As parciais do tracking (resultados online) mostram uma prova bastante regular, com uma aceleração decisiva no trecho final.

Os tempos de 5 km abaixo foram obtidos a partir do tracking disponibilizado no sistema de resultados da prova e dão uma ideia da consistência da brasileira ao longo do percurso.

Ponto de controle Tempo acumulado Tempo parcial Ritmo médio
Largada 00:00
5 km 16:48 16:48 3:21/km
10 km 33:59 17:11 3:26/km
15 km 50:51 16:52 3:22/km
20 km 1:07:45 16:54 3:22/km
Chegada - 21,097 km 1:11:08* 3:23 3:04/km

1:11:08 é o tempo líquido registrado no tracking. O tempo válido é o tempo bruto: 1:11:13.

Ataque no quilômetro final

A diferença para o recorde foi construída no trecho final. Nos últimos 1.097 metros, Núbia completou o percurso em 3:23, equivalente a um ritmo de aproximadamente 3min04s/km.

Na reta de chegada, a brasileira fez aquilo que já é sua característica: sprintou para confirmar a marca histórica por apenas 2 segundos. Logo depois de cruzar a linha, pegou a bandeira do Brasil e comemorou emocionada.

"Faltando 2 km, eu tinha que fazer o melhor. E eu fui para cima", declarou a nova recordista, que tinha 1:14:11, registrado na Venus Half Marathon, em novembro de 2025, como melhor tempo na distância.

O contexto da prova reforça a dimensão do resultado. Núbia terminou em oitavo lugar entre as mulheres, mas ficou à frente de todas as demais atletas sul-americanas em uma competição dominada pelas corredoras africanas.

Uma escolha planejada

O recorde veio apenas uma semana depois de Núbia conquistar o bicampeonato da Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro, com 1:16:54. No Rio, a prioridade era a disputa pela vitória. Em Buenos Aires, a estratégia foi outra: desde a largada, o objetivo era correr contra o relógio. E os recentes resultados nos 10 km (32:37 em Tóquio, em 2025, e 32:17 em Laredo, na Espanha, em abril deste ano), mostravam que havia potencial para correr muito abaixo de seu recorde pessoal na meia, desde que encontrasse a prova certa.

Buenos Aires foi escolhida a dedo para a tentativa de melhorar a marca: um percurso rápido, uma prova de alto nível e condições que poderiam permitir à brasileira finalmente correr uma meia para marca.

"Pelo nosso planejamento, o recorde não era para sair agora, mas a Núbia é danada, é terrível. Ela já provou que sabe ganhar prova e que sabe finalizar", afirmou Ferreirinha.

Foto à esquerda, Silvana Pereira (de camiseta Unimed) na São Silvestre de 1991, quando foi 3ª colocada e melhor brasileira (Foto: Tião Moreira). À direita, foto atual de Silvana, que mora em Portugal (Arquivo pessoal)
Foto à esquerda, Silvana Pereira (de camiseta Unimed) na São Silvestre de 1991, quando foi 3ª colocada e melhor brasileira (Foto: Tião Moreira). À direita, foto atual de Silvana, que mora em Portugal (Arquivo pessoal)
Foto: Divulgação / Contra-Relógio

A bênção de Silvana Pereira

Depois da prova, o resultado ganhou também um significado especial pela passagem de bastão entre duas gerações do atletismo brasileiro.

Silvana Pereira, que vive atualmente em Portugal e manteve o recorde nacional por mais de três décadas, enviou um áudio pessoal a Núbia, intermediado por Tião Moreira, da Contra-Relógio.

Na mensagem, a ex-recordista comemorou a quebra da marca e incentivou Núbia a continuar evoluindo. "A única coisa que eu espero agora é que você supere a sua própria marca o quanto antes, para a gente dar um passo maior e melhor. E você tem competência para isso."

Mundial de Copenhague é o próximo objetivo

Núbia volta a competir internacionalmente em setembro. Ela está convocada para o Mundial de Corrida de Rua, em Copenhague, na Dinamarca, nos dias 19 e 20 de setembro, onde disputará os 5 km e a meia maratona.

Depois, o foco será a Corrida Internacional de São Silvestre, em 31 de dezembro. Em 2025, Núbia foi a melhor brasileira na tradicional prova paulista, terminando na terceira colocação geral.

Contra-Relógio
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