Osteoporose: médica alerta para sinais que surgem muito antes da primeira fratura
Segundo a reumatologista Maria Luísa Toscano, apesar de silenciosa, a condição apresenta sintomas que, se identificados precocemente, previnem a piora do quadro
A osteoporose, condição mais comum entre mulheres, é responsável pela perda progressiva de massa óssea, o que enfraquece os ossos, aumenta o risco de fraturas e, a longo prazo, podem até elevar a taxa de mortalidade. Essas complicações tendem a ocorrer porque, em muitos casos, a condição se desenvolve de forma silenciosa.
A médica reumatologista Maria Luísa Toscano, no entanto, aponta que há sinais de alerta capazes de identificá-la antes mesmo do surgimento das lesões. "Um dos principais sintomas é a perda de altura ao longo dos anos, especialmente quando a pessoa percebe que 'encolhe' alguns centímetros", explica em entrevista exclusiva à 'Bons Fluidos'.
De acordo com a especialista, outro indício da enfermidade é o aumento da curvatura das costas, quando a postura fica mais inclinada para frente. Nesse caso, o quadro pode sinalizar pequenas fraturas vertebrais que passaram despercebidas. Toscano aconselha manter-se atento a qualquer lesão após quedas simples, seja no punho, coluna, úmero ou quadril. "Esse tipo de fratura não deve ser visto como 'azar' ou 'coisa da idade'. Muitas vezes, é a primeira manifestação de fragilidade óssea", esclarece.
Quando rastrear a osteoporose?
Geralmente, a recomendação dos profissionais é que as mulheres realizem a densitometria óssea, exame que identifica a condição, a partir dos 65 anos. Já os homens devem buscar o diagnóstico após os 70 anos. Há essa diferença pois o público feminino é o mais afetado pela osteoporose, devido à queda do estrogênio na menopausa.
A médica explica que o hormônio é responsável por preservar a saúde dos ossos. Por isso, a sua redução acelera a perda de massa óssea, principalmente nos primeiros anos após o fim do período reprodutivo. A menopausa precoce, então, é um alerta para investigar a osteoporose, assim como outros fatores de risco, até mesmo em pacientes mais jovens.
"Por exemplo: histórico familiar de osteoporose ou fratura de quadril; fratura prévia por trauma leve; uso crônico de corticoide; baixo nível de testosterona; doenças reumatológicas, intestinais ou endócrinas; tabagismo; consumo excessivo de álcool; baixo peso; ou uso de medicações que prejudicam a massa óssea", cita Maria Luísa Toscano.
Métodos de prevenção
Além da realização do exame, conforme aponta a especialista, é necessário recorrer a outras formas de prevenir a evolução do quadro e até o seu surgimento. A alimentação, com consumo equilibrado de cálcio e vitamina D, tende a ser um dos caminhos mais recomendados por reumatologistas. Isso porque os nutrientes, em níveis adequados, protegem não somente os ossos, como a função muscular, e previnem quedas.
Para garantir a ingestão correta, a indicação é optar por ingredientes como leite, iogurte, queijos, vegetais verde-escuros e leguminosas, em vez de suplementos. Essa estratégia ajuda a evitar o consumo em excesso, que pode causar intoxicação, aumento do cálcio no sangue e problemas renais. "O comprimido entra quando a dieta não consegue suprir a necessidade diária. Mas alimentação real, exercício e sol com segurança devem ser a base", ressalta Toscano
No caso das mulheres, em específico, a terapia de reposição hormonal também pode ser uma aliada, já que reduz a perda óssea e pode diminuir o risco de fraturas, principalmente em pacientes com menos de 60 anos ou dentro dos primeiros 10 anos após a menopausa. O principal conselho, contudo, tanto para o público masculino quanto para o feminino, é manter o acompanhamento médico para identificar a condição precocemente.
"A grande oportunidade é identificar a perda óssea antes da primeira fratura, porque depois dela o risco de novas fraturas aumenta bastante", conclui a médica.
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