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Osteoporose: como o treinamento de força ajuda a proteger os ossos

Musculação pode ajudar a preservar a estrutura óssea, melhorar o equilíbrio e reduzir fatores associados a quedas ao longo dos anos

19 out 2026 - 19h36
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Resumo
A osteoporose enfraquece os ossos e eleva o risco de fraturas, afetando milhões de pessoas que frequentemente não recebem tratamento. A prevenção deve começar antes da terceira idade, com foco especial em mulheres na menopausa e sedentários. O treinamento de força individualizado estimula a densidade mineral óssea, fortalece os músculos e melhora o equilíbrio, prevenindo quedas. Aliada ao acompanhamento médico e à boa nutrição, a musculação é essencial para manter a autonomia e a saúde óssea.

A osteoporose é uma doença silenciosa e progressiva. Ela reduz a densidade e a resistência dos ossos, tornando-os mais frágeis. Com isso, os ossos ficam suscetíveis a fraturas, mesmo após quedas ou impactos leves. Embora seja mais associada ao envelhecimento, a atenção à saúde óssea deve começar antes da terceira idade. A prática regular de exercícios físicos, especialmente o treinamento de força, pode ter papel importante nessa proteção a longo prazo.

Osteoporose pode avançar de forma silenciosa; especialistas reforçam a importância de começar os cuidados antes da terceira idade
Osteoporose pode avançar de forma silenciosa; especialistas reforçam a importância de começar os cuidados antes da terceira idade
Foto: Canva Equipes/halfpoint / Bons Fluidos

Osteoporose exige atenção antes das primeiras fraturas

Segundo a Fundação Internacional de Osteoporose (IOF), cerca de 10 milhões de pessoas vivem com a doença no Brasil. No cenário mundial, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens com mais de 50 anos sofrerão uma fratura relacionada à osteoporose. A entidade também alerta para uma lacuna no cuidado. Apenas um em cada cinco casos diagnosticados recebe algum tipo de tratamento. Isso reforça a importância da prevenção e da identificação dos fatores de risco.

Para o profissional de Educação Física e especialista em fisiologia do exercício Jauan Anselmo, o treino resistido traz grandes ganhos quando planejado de acordo com as necessidades individuais. Ele contribui para a manutenção da estrutura óssea, fortalece os músculos e melhora a capacidade funcional. Esses fatores são relevantes para reduzir o risco de quedas.

"A musculação precisa ser entendida também como um investimento na saúde óssea. Os ossos respondem aos estímulos mecânicos que recebem. Exercícios bem prescritos podem contribuir para preservar sua estrutura ao longo do tempo. O importante é respeitar a individualidade de cada aluno, considerar seu histórico e progredir de maneira segura e consistente", explica Anselmo.

Atenção aos fatores de risco

A atenção à saúde óssea merece destaque entre mulheres a partir dos 40 anos. Isso vale especialmente durante a transição para a menopausa e após esse período, quando as mudanças hormonais aceleram a perda de massa óssea. Pessoas sedentárias e indivíduos com histórico familiar de osteoporose também devem considerar esses fatores. O planejamento da rotina de exercícios exige sempre uma avaliação profissional.

Uma pesquisa divulgada pelo Jornal da USP identificou resultados favoráveis da atividade física para a manutenção da saúde óssea após a menopausa. O estudo contou com a participação do Laboratório de Bioengenharia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. As análises do grupo apontaram benefícios do exercício para a quantidade de minerais nos ossos e para a microarquitetura óssea.

Na prática, Anselmo explica que a prescrição do treinamento resistido deve levar em conta o contexto de cada aluno. O profissional trabalha com treinos individualizados há mais de 10 anos. Ele avalia o condicionamento físico, a mobilidade, a experiência com exercícios e as particularidades individuais.

Movimentos multiarticulares, como agachamentos e exercícios de desenvolvimento, podem fazer parte do planejamento. No entanto, eles devem ser adequados à capacidade de cada pessoa e executados com técnica e progressão apropriadas.

"Não existe uma ficha de treino que sirva para todo mundo. Para quem está começando, para mulheres na menopausa ou para quem tem histórico familiar de osteoporose, precisamos olhar para o contexto de cada pessoa. Assim, construímos uma rotina possível, segura e progressiva, sempre com acompanhamento médico", afirma o especialista.

Prevenção começa antes dos sintomas

A dimensão do problema reforça a necessidade de incorporar a saúde óssea aos cuidados diários. A IOF estima que ocorram até 37 milhões de fraturas por fragilidade óssea por ano entre pessoas com mais de 55 anos no mundo. Isso equivale a uma média de aproximadamente 70 fraturas por minuto. A entidade alerta que a osteoporose permanece subdiagnosticada e subtratada, o que amplia a necessidade de informação.

No Brasil, fraturas osteoporóticas estão associadas a cerca de 200 mil mortes por ano. Os dados são atribuídos à Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Para Jauan Anselmo, o treinamento físico deve integrar uma estratégia mais ampla de cuidado. Essa rotina inclui alimentação adequada e acompanhamento profissional. O especialista ressalta que o treino não substitui exames, diagnóstico ou tratamento médico. Entretanto, ele contribui diretamente para a força muscular, o equilíbrio e a autonomia.

"Cuidar dos ossos não é uma preocupação que deve surgir apenas depois de uma fratura ou quando a idade avança. Construir força ao longo da vida é uma forma de investir na qualidade de vida no futuro. O melhor momento para começar é aquele em que a pessoa consegue dar o primeiro passo, com orientação e um plano adequado à sua realidade", conclui.

*Texto escrito por AF2, assessoria de imprensa 

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