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Oceanos atingem recorde de temperatura fora de época e acende alerta; entenda os riscos

Marca histórica, influenciada pelo El Niño, reforça o avanço do aquecimento global e aumenta a preocupação com ecossistemas, clima e regiões costeiras

28 ago 2026 - 12h44
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Resumo
A temperatura média da superfície dos oceanos atingiu o recorde histórico de 21,10°C em agosto, segundo dados do Copernicus. O aquecimento fora de época resulta do acúmulo de gases de efeito estufa somado ao El Niño. O fenômeno ameaça ecossistemas marinhos, como corais, afeta a pesca e intensifica eventos climáticos extremos e a elevação do nível do mar, ampliando os riscos para comunidades costeiras e a regulação do clima global.

A temperatura média da superfície dos oceanos chegou a 21,10°C em 22 de agosto, estabelecendo um novo recorde histórico. O valor superou a marca anterior, de 21,09°C, registrada em março de 2024.

O aumento da temperatura dos oceanos, influenciado pelo El Niño, eleva a preocupação com ecossistemas, clima e regiões costeiras
O aumento da temperatura dos oceanos, influenciado pelo El Niño, eleva a preocupação com ecossistemas, clima e regiões costeiras
Foto: dotshock Benis Arapovic/dotshock / Bons Fluidos

Os dados são do Copernicus, programa de observação da Terra da União Europeia, e fazem parte da série ERA5, produzida pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF). O acompanhamento utiliza registros desde 1979.

O momento chama atenção também pela época do ano. Normalmente, a superfície dos oceanos atinge os maiores valores médios entre março e abril. Desta vez, porém, o recorde apareceu em agosto, fora do período esperado. Ademais, ocorre em meio ao avanço do aquecimento do sistema climático global e à influência do El Niño.

O que está por trás do recorde?

O El Niño, inclusive, ajuda a explicar parte do aumento observado agora. O fenômeno ocorre quando as águas superficiais do Pacífico equatorial ficam mais quentes do que o normal e provocam mudanças na circulação atmosférica.

Entretanto, o evento não explica sozinho o novo recorde. De acordo com especialistas, o oceano já acumula calor há décadas em decorrência do aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. Portanto, como explicou Samantha Burgess, líder estratégica para o clima do ECMWF, o atual El Niño adiciona calor a um sistema que já vinha aquecendo.

"O recorde é outro sinal claro de um oceano sob crescente estresse [...] À medida que as temperaturas dos oceanos continuam a subir, os riscos para os ecossistemas marinhos e as comunidades costeiras também aumentam", afirmou Burgess à 'CNN'.

Por que o oceano mais quente preocupa?

A elevação da temperatura da água pode afetar diretamente os ecossistemas marinhos. Um dos principais riscos é a intensificação das ondas de calor marinhas, períodos prolongados em que determinadas regiões do oceano permanecem muito mais quentes do que o habitual.

Esses episódios colocam espécies e habitats sob estresse. Entre os ambientes mais vulneráveis estão os recifes de coral, que podem sofrer branqueamento quando submetidos a temperaturas elevadas.

Pradarias marinhas e outros ambientes costeiros também podem ser afetados. Como esses locais servem de abrigo, alimento e área de reprodução para diferentes espécies, alterações em sua estrutura podem repercutir em toda a cadeia alimentar. A preocupação não fica restrita à biodiversidade. Mudanças na temperatura e na distribuição das espécies também podem afetar atividades como pesca e aquicultura.

Temperatura dos oceanos pode influenciar o clima

Um oceano mais quente também interfere na atmosfera. A água aquecida fornece mais calor e umidade ao ar, o que, em determinadas condições, pode favorecer chuvas mais intensas e contribuir para o fortalecimento de alguns sistemas de tempestades.

Isso ajuda a explicar por que o aquecimento dos mares interessa não apenas aos pesquisadores, mas também às populações que vivem em regiões vulneráveis a eventos extremos. No Brasil, por exemplo, áreas costeiras podem enfrentar consequências relacionadas a ressacas, chuvas intensas e alagamentos, dependendo da combinação entre as condições oceânicas e atmosféricas.

O nível do mar também preocupa

Outro efeito ocorre de maneira mais lenta, mas tem impacto direto sobre as cidades costeiras. Quando a água do mar esquenta, ela se expande, contribuindo para a elevação do nível dos oceanos. Esse processo acontece ao mesmo tempo em que geleiras e mantos de gelo continentais perdem massa. A combinação aumenta a vulnerabilidade de comunidades que vivem em regiões costeiras e de baixa altitude.

Além disso, o oceano desempenha um papel importante na regulação do clima ao absorver parte do excesso de calor e de dióxido de carbono produzido pelas atividades humanas. Com o aumento da temperatura, porém, essa dinâmica pode se tornar menos eficiente.

Além disso, especialista apontam que novo valor de 21,10°C ainda pode ser superado. Segundo o cientista climático Zachary Labe, da Climate Central, existe a possibilidade de que outra marca seja registrada já nos próximos meses.

Bons Fluidos
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