O combustível vai subir? Como a disparada do petróleo impacta o Brasil
O especialista em direito tributário, Fabrício Tonegutti, explica impacto da disparada do petróleo para o preço do combustível no Brasil
O especialista em direito tributário, Fabrício Tonegutti, explica impacto da disparada do petróleo para o preço do combustível no Brasil
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último fim de semana levaram ao fechamento do Estreito de Ormuz, a principal rota marítima para o escoamento do petróleo do Oriente Médio. A interrupção da navegação acendeu um alerta nos mercados internacionais. Isso pois pode elevar o preço dos combustíveis e encarecer produtos e serviços ao redor do mundo. Os efeitos do conflito já podem ser sentidos nas próximas semanas nos preços que os consumidores finais pagam nos produtos. O Oriente Médio é a fonte de 30% do petróleo e de 17% do gás natural do mundo. O valor do barril de petróleo está em alta e deve pressionar o preço de combustíveis, transportes, alimentos e o custo da indústria. O especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e diretor da Mix Fiscal, Fabrício Tonegutti, explica reflexo na bolsa de valores.
"Seja como for o mercado já sentiu o impacto dessa guerra, o preço do petróleo tipo brent subiu 9% na última segunda-feira, dia 02 e ontem, dia 03, foi constatada uma nova alta. É uma pressão inflacionária global, porque encarece o preço dos transportes! Essa incerteza pressiona as bolsas de valores mundo afora: na Europa, a bolsa de Frankfurt caiu 4%. No Japão o tombo foi de 3º. E no Brasil, a Bovespa abriu a terça-feira em queda de 4%", ressalta o diretor da Mix Fiscal.
O preço do combustível em diferentes países
Os países do Oriente Médio são grandes consumidores da agropecuária e de commodities brasileiros. Em 2025, o Brasil exportou mais de 16 bilhões de dólares em produtos para a região. Os principais itens são: carne de ave, milho, açúcar e minério de ferro. O especialista explica como a guerra pode impactar a população brasileira.
"O conflito aumentou o risco de interrupção de petróleo no Oriente Médio, isso fez com que o preço do barril subisse de 65 para 85 dólares nos últimos dias. Quando o preço do petróleo sobe no mercado internacional, isso acaba impactando diretamente o Brasil. Primeiro os combustíveis vão sofrer um reajuste, mesmo produzindo petróleo, porque importamos os derivados e usamos a referência internacional para fazer os preços dos combustíveis no país.
O segundo ponto é o transporte, o diesel ficando mais caro significa que o frete também vai encarecer, o que ocasiona o aumento do preço dos alimentos, produtos de supermercado e praticamente tudo que depende da logística para chegar ao consumidor final. A terceira questão é a inflação, se sobe o combustível vários setores acabam reajustando seus preços. O trabalhador acaba sentindo isso no bolso: no gás de cozinha e no supermercado. Não é um efeito imediato, mas costuma aparecer em algumas semanas", esclarece Tonegutti.
Há esperança
Por fim, o profissional conta, ainda, que é possível que este cenário melhore. "Tudo depende da evolução do conflito. Se a tensão diminuir, o preço do petróleo pode recuar. Mas se o risco continuar nessa região estratégica, alguns analistas já falam na possibilidade de o barril chegar perto de 100 dólares. O Oriente Médio pode parecer distante no mapa, mas quando a crise envolve petróleo, ela acaba chegando aqui na forma de combustível mais caro, frete mais caro e pressão nos preços do dia a dia", conta Fabrício.