O casal 60+ que virou fenômeno na web ensinando idosos a usar IA e fugir de golpes
Sem filhos para ajudar com a tecnologia na pandemia, Maria Helena e Tarcísio aprenderam tudo sozinhos e hoje libertam milhares de idosos do isolamento digital
Até poucos anos atrás, o casal 60+ Maria Helena e Tarcísio Cabral mal podiam imaginar que passariam horas gravando vídeos, editando conteúdos e respondendo a milhares de comentários na Internet. Ambos são engenheiros aposentados e, hoje, aos 70 anos de idade, comandam o 60demais. O projeto virou uma grande referência de inclusão digital para a terceira idade, reunindo mais de 170 mil seguidores no Instagram.
Casados há 43 anos, eles entraram no universo das redes sociais por pura necessidade durante a pandemia. Como não têm filhos a quem recorrer, quando surgiam dúvidas sobre o celular, os dois precisaram quebrar a cabeça sozinhos. Nesse sentido, eles mergulharam em cursos de marketing digital, produção de conteúdo e edição de vídeo para dominar as plataformas.
"Se a gente queria ensinar as pessoas a serem independentes, quem precisava ser independente primeiro éramos nós. Tivemos que aprender a gravar, editar, publicar vídeos e fazer tudo sozinhos", afirmou Maria Helena em entrevista ao jornal 'Folha de São Paulo'.
O segredo está na linguagem do casal 60+
O sucesso da página não aconteceu do dia para a noite, mas sim de forma gradual. Após estudarem o comportamento das redes, eles desenvolveram um método próprio de ensino voltado para um público frequentemente ignorado pela indústria da tecnologia.
Segundo ela, o grande diferencial está no tom de voz adotado nas aulas: "As pessoas começaram a se identificar com o nosso jeito. É mais calmo, mais tranquilo. Nós entendemos como alguém da nossa idade aprende. Não adianta usar a mesma linguagem de quem nasceu na era digital".
Por outro lado, o avanço tecnológico acelerado acabou gerando um problema grave de exclusão. Tarcísio, que atua como conselheiro de um plano de saúde, percebe essa barreira diariamente. Dados da pesquisa TIC Domicílios apontam que a maioria das pessoas acima dos 60 anos possui celular, contudo, falta intimidade com as funções essenciais. "Hoje, a carteirinha do plano de saúde está no celular. O título de eleitor está no celular. A identidade está no celular. O problema é que muita gente não foi preparada para essa mudança", explicou ele.
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O combate aos golpes virtuais
Enquanto os jovens aprendem em grupos e comunidades, os idosos tendem a se isolar, o que reduz as oportunidades de aprendizado e os torna alvos fáceis para criminosos. Foi justamente para quebrar esse ciclo que o casal criou uma comunidade que ensina desde o uso de ferramentas avançadas, como inteligência artificial, até a prevenção contra fraudes financeiras.
Tarcísio fez um alerta importante sobre a psicologia dos criminosos na internet: "O golpista gosta de duas coisas: gente isolada e gente com pressa. Quando alguém cria uma situação urgente, a pessoa deixa de raciocinar e age por impulso. Nossa orientação é sempre parar, respirar e procurar ajuda antes de tomar qualquer decisão".
Da mesma forma, Maria Helena lembrou ao veículo que a confiança excessiva é uma característica geracional que precisa ser trabalhada no ambiente online. "As pessoas da nossa geração confiam muito no que os outros falam. Por isso insistimos tanto na questão da segurança digital. É preciso conferir, perguntar para alguém da família e nunca agir no impulso".
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Histórias que inspiram
Os resultados desse trabalho aparecem nos depoimentos emocionados dos alunos. Pessoas que antes dependiam de parentes para pedir um carro por aplicativo ou acessar um documento agora celebram a liberdade reconquistada.
Maria Helena lembra de uma aluna que aprendeu a compartilhar a localização em tempo real durante uma viagem para se sentir mais segura. Outra estudante, de 65 anos, perdeu o medo, fez sua primeira compra online e ainda se matriculou em um curso de inglês na web. "Uma coisa vai puxando a outra. Quando a pessoa percebe que consegue aprender tecnologia, ela ganha confiança para aprender qualquer coisa", celebrou Tarcísio.
Em suma, o casal mostra que o envelhecimento não deve ser sinônimo de desconexão. "A nossa geração não precisa ser excluída digitalmente. Ela precisa estar incluída, comunicando-se com a família, acessando serviços e vivendo com autonomia", finalizou Maria Helena.
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5 dicas de ouro do casal 60+ para dominar o celular
Para ajudar quem está começando, Maria Helena e Tarcísio listaram cinco passos essenciais para ganhar autonomia digital:
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Aprenda um pouco por dia: Dedique apenas 10 minutos diários para explorar uma função nova. Pequenos passos constantes funcionam melhor do que tentar aprender tudo de uma vez.
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Faça a pausa dos 10 segundos: Antes de clicar em links, responder mensagens urgentes ou fazer um PIX, pare e se pergunte se você realmente esperava por aquilo. Isso evita grandes dores de cabeça.
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Escolha uma tarefa para fazer sozinho: Tente marcar uma consulta, acessar exames ou pedir um transporte sem pedir ajuda. A prática traz a independência.
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Aproxime-se da família: Use as chamadas de vídeo e o compartilhamento de fotos para encurtar as distâncias e fortalecer os laços com filhos e netos.
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Crie um assistente pessoal: Use os aplicativos nativos do smartphone para organizar seus despertadores, controlar os horários dos medicamentos e anotar compromissos importantes.
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