'Ele é o motivo': Como Will Arnett ajudou Bradley Cooper a sair do vício em drogas?
Ator relembrou a luta contra o álcool e as drogas e revelou que uma conversa sincera com o amigo Will Arnett foi decisiva para sua recuperação
Nem sempre a transformação começa em uma grande decisão. Às vezes, ela surge em uma conversa difícil, em uma pergunta inesperada ou na coragem de alguém que decide estender a mão. Foi desse momento que Bradley Cooper relembrou ao falar sobre sua trajetória de recuperação da dependência química.
Em entrevista ao The Hollywood Reporter, o ator revelou que a mudança em sua vida começou há mais de duas décadas, após uma conversa franca com o amigo e também ator Will Arnett. Hoje, aos 50 anos, Cooper afirma que está sóbrio há quase duas décadas e reconhece a importância daquele encontro para sua recuperação.
"Will correu o risco de ter aquela conversa difícil comigo, que me colocou no caminho de decidir mudar minha vida. Foi realmente Will Arnett, ele é o motivo", garantiu Cooper. "E ajudou o fato de ser o cara que eu achava que estava me inspirando. Não foi como se outra pessoa tivesse dito isso. Foi o próprio rei que me disse", continuou.
Quando alguém consegue enxergar o que nós não vemos
Bradley e Will se conheceram no início dos anos 2000 e construíram uma amizade que atravessou diferentes momentos da vida e da carreira. Segundo o ator, naquela época ele não percebia a dimensão do próprio problema com álcool e drogas.
Em outra conversa, Cooper relembrou um jantar que se tornou decisivo em sua trajetória. "Will [Arnett] estava tipo: 'Ei cara, você se lembra que jantamos na outra noite? Como você acha que foi?'", Cooper lembrou.
Na ocasião, o ator acreditava ter sido divertido e carismático. "Lembro-me de estar no jantar pensando que eu era tão engraçado, e pensei que esses dois caras que eram meus heróis achavam que eu era engraçado. Achei que estava matando", disse o astro.
A percepção, no entanto, era muito diferente da realidade. Segundo Cooper, aquele diálogo o fez enxergar o impacto de seu comportamento sobre as pessoas ao redor. "Eu estava tão perdido e viciado em cocaína", explicou Cooper. "Will [Arnett] correu o risco de ter aquela conversa difícil comigo em julho de 2004 e isso me colocou no caminho de decidir mudar minha vida. Foi realmente Will Arnett. Ele é a razão."
O vício e a sensação de perder a si mesmo
Ao longo dos anos, o ator já falou abertamente sobre o período em que enfrentou a dependência de álcool e cocaína. Em entrevistas anteriores, contou que buscava nessas substâncias uma forma de lidar com dores emocionais e momentos difíceis da vida.
"Você certamente teve anos selvagens?", perguntou o apresentador Bear Grylls. "No que diz respeito ao álcool e às drogas, sim, mas nada a ver com a fama", contou Cooper. "Mas eu tive sorte. Fiquei sóbrio aos 29 anos e estou sóbrio há 19 anos. Muito sortudo", acrescentou.
O ator também revelou que, em determinado momento, chegou a acreditar que poderia morrer em consequência do vício. Segundo ele, houve episódios de autodestruição e profundo sofrimento emocional.
O luto e a possibilidade da recaída
Mesmo após anos de sobriedade, Bradley contou que enfrentou momentos de grande vulnerabilidade. Um deles aconteceu após a morte de seu pai, em 2011. "Eu definitivamente tinha uma atitude niilista em relação à vida depois, como se pensasse: 'Vou morrer'. Eu não sei, não foi bom por um tempo até eu pensar que tenho que abraçar quem eu realmente sou e tentar encontrar uma paz com isso, e aí as coisas se equilibraram", explicou.
Especialistas em dependência química lembram que a recuperação costuma ser um processo contínuo, que pode ser atravessado por perdas, mudanças e situações emocionalmente difíceis. Por isso, redes de apoio e acompanhamento adequado costumam ser fundamentais ao longo da jornada.
Transformando a dor em arte
A experiência pessoal também influenciou alguns dos personagens interpretados por Cooper. Um dos exemplos mais conhecidos é Jackson Maine, protagonista de Nasce Uma Estrela, músico que enfrenta problemas relacionados ao álcool e à dependência.
"Isso [a luta contra o vício] facilitou entrar de verdade nesse papel. E graças a Deus eu estava em um momento da minha vida em que estava à vontade com tudo isso, então pude realmente me soltar", completou.
A história de Bradley Cooper evidencia que a recuperação raramente acontece de forma isolada. Em muitos casos, ela começa quando alguém tem coragem de falar, quando existe acolhimento e quando a pessoa encontra espaço para reconhecer que precisa de ajuda.
Mais do que uma trajetória de superação, seu relato reforça a importância das conexões humanas, do apoio emocional e da possibilidade de reconstruir a própria vida, mesmo após períodos profundamente difíceis.
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