Novas canetas para diabetes e obesidade chegam ao Brasil; veja todas as opções
Ampliação do mercado traz novas alternativas para os pacientes, mas diferenças entre os medicamentos exigem atenção
A Anvisa ampliou as opções para diabetes tipo 2 e obesidade no Brasil ao aprovar novos medicamentos injetáveis à base de semaglutida e liraglutida, incluindo os primeiros genéricos, que prometem reduzir custos. Já o Mounjaro (tirzepatida) segue exclusivo por patente. Como cada opção possui indicações específicas, frequências distintas de aplicação (diária ou semanal) e possíveis efeitos adversos, especialistas alertam que a escolha da caneta exige avaliação e acompanhamento médico criterioso.
Quem busca tratamento para obesidade ou diabetes tipo 2 encontra novas opções de medicamentos injetáveis no Brasil. Em 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu registros a diferentes canetas à base de semaglutida e liraglutida.
Com a ampliação do mercado, contudo, também cresce a importância de entender as particularidades de cada medicamento. Afinal, as chamadas "canetas" podem ter princípios ativos, indicações e frequências de aplicação diferentes.
Quais canetas de semaglutida chegaram em 2026?
Conhecida por integrar medicamentos como Ozempic e Wegovy, a semaglutida atua nos receptores de GLP-1 e influencia mecanismos relacionados ao controle da glicose e à sensação de saciedade. A abertura do mercado para novos fabricantes, em março, foi seguida por uma sequência de registros de medicamentos com o princípio ativo. Ao longo de 2026, a Anvisa aprovou dez novas opções:
- Ozivy, da EMS;
- Semavy, da Cosmed;
- Owozy, da Ávita Care;
- Zempneo, da Brainfarma;
- Seemasun, da Sun Farmacêutica;
- Orsema, da Ranbaxy;
- Semaglutida genérica da EMS;
- Semaclique, da Germed;
- Semaglutida genérica da Germed;
- Yluméc, da EMS.
Entre as novidades estão os dois primeiros genéricos de semaglutida registrados no Brasil. No entanto, a presença do mesmo princípio ativo não significa que todos os produtos tenham autorização para a mesma finalidade. Parte deles, por exemplo, tem indicação para adultos com diabetes tipo 2.
Liraglutida também ganhou novas opções
Ademais, a liraglutida entrou na nova leva de aprovações. Em setembro, a Anvisa autorizou dois medicamentos genéricos produzidos pela EMS, tendo como referência Olire e Linux.
As indicações dos produtos de referência, contudo, são diferentes. Enquanto o Olire é destinado ao tratamento da obesidade, o Linux é usado para diabetes tipo 2. Outra diferença aparece na rotina de aplicação. Isso porque a liraglutida costuma ser administrada diariamente. Já a semaglutida, em geral, tem aplicação semanal.
E o Mounjaro?
A tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, é outra substância usada no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, conforme as indicações autorizadas. Diferentemente da semaglutida e da liraglutida, ela age sobre dois hormônios envolvidos no controle metabólico, GLP-1 e GIP.
A substância, contudo, continua protegida por patente no Brasil. Dessa forma, o Mounjaro permanece como a única opção de tirzepatida aprovada pela Anvisa no país. Além das diferenças entre os medicamentos, a resposta ao tratamento varia entre os pacientes. Náusea, refluxo, desconforto abdominal, constipação e outras alterações gastrointestinais estão entre os possíveis efeitos adversos.
O que considerar antes de escolher as canetas?
Com mais medicamentos disponíveis, o preço pode se tornar um dos fatores considerados pelos pacientes. No caso dos genéricos, a legislação brasileira prevê valores pelo menos 35% menores em relação ao produto de referência.
Entretanto, o custo não deve determinar sozinho a escolha. A indicação do medicamento, as condições de saúde, a tolerância aos possíveis efeitos adversos e a possibilidade de manter o tratamento também precisam entrar na avaliação. Por isso, a escolha da caneta e qualquer mudança no tratamento devem ocorrer com orientação e acompanhamento médico.
"A gente precisa avaliar várias coisas, principalmente as comorbidades que o paciente possui. Se é um paciente obeso e diabético, se é um paciente obeso com problemas no fígado ou com problemas cardíacos. Nem sempre a transição é possível", explicou a endocrinologista Alana Rocha em entrevista à 'Folha de São Paulo'.
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