Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Mulheres assumem governança tributária e contábil

Sem dúvidas, as mulheres estão redesenhando a forma como a governança é exercida no país. Entenda o que isso muda

23 mar 2026 - 12h15
Compartilhar
Exibir comentários

O Brasil vive um momento de transformação profunda. Reformas legislativas, reestruturação do sistema tributário e contábil, novas exigências de transparência, revisão de incentivos, mudanças tecnológicas e um ambiente social cada vez mais atento às decisões das instituições. Mas, há uma mudança ainda mais silenciosa acontecendo: mulheres estão redesenhando a forma como se exerce a governança no país.

Team leader hugging her happy younger colleagues. Smiling business team embracing in office. Business success concept
Team leader hugging her happy younger colleagues. Smiling business team embracing in office. Business success concept
Foto: Revista Malu

Não é apenas sobre ocupar cargos. É sobre mudar a maneira como se decide.Ao longo da vida, muitas mulheres aprendem a administrar múltiplas realidades ao mesmo tempo. São profissionais, são mães, são filhas que cuidam, são líderes de equipes, são o ponto de equilíbrio de ambientes complexos. Organizam rotinas invisíveis, antecipam problemas, mediam conflitos antes que eles se tornem crises.

Cuidar não é apenas um gesto afetivo. É uma forma de governar. Isso, porque, quem cuida aprende a prever riscos, a ouvir com atenção, a perceber o que não foi dito, a agir com disciplina quando todos ao redor estão sob pressão. Essa experiência forma uma inteligência relacional que hoje se tornou essencial para a governança moderna.

E isso inclui a governança tributária e contábil

A recente reconfiguração do sistema tributário brasileiro não trouxe apenas novas regras. Trouxe novos processos, maior integração tecnológica, necessidade de controles rigorosos e diálogo constante entre áreas técnicas e estratégicas. Tributação deixou de ser um cálculo isolado no fim do mês. Tornou-se parte central da estratégia das organizações.

Hoje, decisões fiscais impactam fluxo de caixa, precificação, contratos, planejamento societário, reputação e sustentabilidade das empresas. A contabilidade passou a ser linguagem de responsabilidade, ponte entre norma e realidade econômica.

Nesse sentido, o profissional que se destaca não é apenas aquele que domina a legislação, mas aquele que consegue traduzir o impacto tributário em demonstração financeira, em governança corporativa, em decisão consciente.E nesse espaço de integração, método e disciplina, a presença feminina tem crescido com força.

Mulheres têm conduzido implementações complexas, coordenado grupos técnicos, estruturado processos de controle e fortalecido práticas de compliance. Não pelo desejo de poder, mas pelo senso de responsabilidade. Porque alguém precisa organizar, alguém precisa sustentar e cuidar. Porque alguém precisa garantir que o sistema funcione.

Recentemente, um caso de enorme repercussão envolvendo o estupro de uma criança de 12 anos por um adulto mobilizou o país e reacendeu um debate essencial sobre a forma como decisões institucionais são tomadas. Não se trata de desqualificar homens. Trata-se de reconhecer que a pluralidade de percepção importa.

A experiência feminina, muitas vezes marcada pelo cuidado e pela proteção de vulneráveis, amplia a capacidade institucional de perceber consequências humanas. Governança não é apenas aplicar norma. É compreender impacto. Empresas, tribunais e órgãos públicos que integram essa sensibilidade às suas decisões tornam-se mais legítimos, mais responsáveis, mais próximos da sociedade que representam.

Há dois conceitos japoneses que ajudam a entender essa força silenciosa

O primeiro é kaizen, melhoria contínua. A disciplina de ajustar todos os dias, de revisar processos, de aprimorar controles, de não esperar o erro para agir. Na tributação e na contabilidade, isso é vital. Governança se constrói no detalhe, na conciliação bem feita, na documentação organizada, no processo testado.

O segundo é ikigai, propósito. O ponto de encontro entre aquilo que se ama, aquilo que se faz bem, aquilo que o mundo precisa e aquilo pelo qual se é reconhecida. Muitas mulheres chegam à liderança por propósito. Assumem responsabilidades porque percebem que sua contribuição é necessária. Coordenam equipes, estruturam controles, mediam conflitos, ensinam, formam novos profissionais.

Essa liderança é firme, ainda que não seja ruidosa. É disciplinada, ainda que não seja impositiva; resiliente, porque nasce da experiência real de equilibrar múltiplas dimensões da vida. O avanço feminino na governança brasileira não é uma disputa. É um fortalecimento.

Instituições complexas exigem diversidade de olhar. Ambientes regulatórios desafiadores exigem responsabilidade ampliada. Empresas mais expostas exigem decisões mais conscientes. Talvez, a maior transformação do Brasil contemporâneo não esteja apenas nas reformas que alteram a letra da lei, mas na forma como essas leis serão implementadas.

A governança do futuro será mais integradora, mais preventiva, mais atenta ao impacto social das decisões. E mulheres não estão apenas participando desse processo. Em um país que celebra, no dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher, é preciso reconhecer que a contribuição feminina vai além da representatividade. Ela redefine a qualidade das decisões que sustentam nossas instituições. E isso não é simbólico. É estrutural.

Revista Malu Revista Malu
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra