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Mounjaro vs Body Positive: por que a obsessão pela magreza voltou?

Corpo ideal ou buscar pela saúde? O perigo de confundir emagrecimento com autoestima

18 ago 2026 - 10h50
(atualizado às 12h02)
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Resumo
O texto aborda a obsessão pela magreza em uma sociedade impactada por padrões estéticos e redes sociais. Discute a busca por emagrecimento saudável como um ato de autocuidado, diferenciado do desejo de atender a ideais irreais. Especialistas alertam para a necessidade de orientação profissional e foco em saúde, vitalidade e bem-estar ao invés de aprovação externa. 💬✨

Ser magra = ser feliz? Alimentada por padrões irreais, a ditadura da magreza parece estar voltando com tudo — ou talvez nunca tenha saído de moda

Em 1990, a feminista Naomi Wolf escreveu em seu clássico O Mito da Beleza: "Uma cultura focada na magreza não revela uma obsessão com a beleza feminina. É uma obsessão sobre a obediência feminina". De lá para cá, a provocação dolorosa da autora seguiu movimentando agendas feministas e até sendo uma forma de promover a autoaceitação. Afinal, os dados sobre a autoestima feminina quanto à aparência nunca foram dos melhores. Uma pesquisa do Instituto Kantar em 2022 revelou, por exemplo, que 20% das mulheres sofriam com baixa autoestima, enquanto outro estudo, desta vez realizado pelo Instituto Ideia, concluiu que apenas 3% dos homens brasileiros se consideram feios.

Foto de Darius Bashar na Unsplash
Foto de Darius Bashar na Unsplash
Foto: Revista Malu

A obsessão pela aparência supostamente perfeita, que inclui uma busca constante pelo emagrecimento, movimenta bilhões de reais todos os anos, fortalecida agora pelas redes sociais com feeds infinitos de "corpos ideais". Mas sejamos sinceras: será que só dá para sermos felizes se formos magras?

Tudo pela estética

Em maio de 2025, a cantora Meghan Trainor causou um desconforto entre seus fãs quando, em um show, mudou a letra de sua música mais famosa, All About That Bass. Se antes, a música celebrava a diversidade corporal e mulheres que vestem acima do número 38, a letra atual da canção também celebrava… o uso de silicone nos seios, uma das múltiplas cirurgias e procedimentos pelos quais a artista passou nos últimos anos. "A grande armadilha está em confundir saúde com aparência, e bem-estar com aprovação externa. O espelho ou os likes não podem, nem devem, pautar a busca pelo emagrecimento. Porque o corpo ideal não é o mais magro — é o corpo que sustenta sua vitalidade, sua confiança, sua autonomia e sua longevidade", inicia Wandyk Allison, médico integrativo pós-graduado em endocrinologia, metabologia, fisiologia e nutrição clínica.

E se a moda dos anos 2010 promovia aceitação corporal, os anos pós-pandemia parecem estar mudando esse cenário. Com a febre das canetas emagrecedoras, tais como Mounjaro e Ozempic, algumas modelos plus size estão desabafando nas redes sociais que suas ofertas de emprego estão, literalmente, diminuindo: na semana de moda de Nova York de 2025, foram apenas 23 modelos gordas nas passarelas. Poucos anos atrás, eram mais de 80 profissionais neste mesmo evento.

O problema não é querer emagrecer

Wandyk reforça que desejar perder peso não é um problema, muito pelo contrário. "A questão é que diversas celebridades, que antes defendiam o movimento Body Positive, hoje aparecem drasticamente transformadas, muitas vezes impulsionadas pelas canetas emagrecedoras. O problema não está na medicação em si, que pode ser uma ferramenta válida quando bem indicada, mas na falsa ideia de que autoestima é consequência de uma moda ou de um remédio milagroso. Autoestima verdadeira é construída, não comprada. Ela nasce do compromisso com uma vida que faça sentido para você — e não com o feed dos outros."

Se você deseja emagrecer porque quer levar uma vida com mais saúde e longevidade, ou até para melhorar sua autoestima, é uma decisão excelente. Agora, se seu desejo por emagrecimento parte de uma ideia de 'beleza a qualquer custo' e de uma visão de mundo que acredita que apenas a magreza traz felicidade, temos um alerta vermelho aí. "Quando a perda de peso é necessária, ela costuma vir acompanhada de sinais silenciosos: fadiga, inflamação crônica, alterações hormonais, autoestima abalada, distúrbios do sono, dores articulares ou doenças metabólicas. Nesse contexto, emagrecer deixa de ser uma vaidade e passa a ser um ato de autocuidado profundo — uma escolha por permanecer saudável e presente na própria vida", reforça o profissional.

Menos Instagram e mais ciência

Para o médico, é essencial que o desejo pelo emagrecimento venha com auxílio profissional e não puramente da busca por corpos supostamente perfeitos nas redes sociais. "Vivemos numa era em que a imagem é consumida antes mesmo da essência ser percebida. As redes sociais intensificaram a exposição de padrões estéticos inalcançáveis, mas a verdade é que essa obsessão por corpos perfeitos não é nova — apenas ganhou novas lentes, filtros e algoritmos. Mas emagrecer deve ser encarado como uma forma de recuperar o domínio da nossa vida, e não como uma moda. A pergunta que realmente importa não é 'como eu quero parecer?', mas sim 'como eu quero viver?'", recomenda.

Alguns conselhos práticos do profissional envolvem justamente a busca por uma equipe multidisciplinar para que a perda de peso aconteça de forma segura. "Busque por um endocrinologista, por um nutricionista, por um personal. São eles que irão avaliar com calma o seu histórico de saúde física e mental, exames hormonais e metabólicos, e auxiliar na melhora do estilo de vida, padrão de sono e níveis de estresse. Quando você se conecta com esse propósito, o emagrecimento saudável acontece como consequência — e não como cobrança", conclui.

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