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Movimentos denunciam ações racistas na moda brasileira

12 jun 2020
15h17
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Cindy Reis (Foto: Divulgação)
Cindy Reis (Foto: Divulgação)
Foto: Elas no Tapete Vermelho

A semana foi marcada por relatos racistas no mundo da moda brasileiro, encorajados pelos movimentos "Black Tuesday" e "Black Lives Matter", que tomou conta das redes sociais nas últimas semanas, depois dos protestos contra a morte do negro americano George Floyd, que morreu asfixiado durante ação policial em Minneapolis.

Modelos brasileiras e ex-funcionários de grifes resolveram revelar situações constrangedoras que viveram por conta de condutas constrangedoras praticadas por estilistas e demais profissionais. O perfil no instagram "Moda Racista", de autor anônimo, e movimentos como o grupo "Pretos na Moda", criado pelas modelos Cindy Reis, Camila Simões, Natasha Soares e Thayná Santos, estão expondo situações e dando nome aos bois. Entre os estilistas citados, estão Glória Coelho e Reinaldo Lourenço.

A top Gracie Carvalho, ex-modelo da Victoria's Secret participou de recente live no "Elas no Tapete Vermelho", em que lembrou um episódio constrangedor no começo de carreira, na qual foi chamada de "pretinha" durante uma prova de roupa.

Gracie carvalho, no desfile da Victoria’s Secret em 2010 (Foto: Divulgação)
Gracie carvalho, no desfile da Victoria’s Secret em 2010 (Foto: Divulgação)
Foto: Elas no Tapete Vermelho

Em vídeo exclusivo ao "Elas", a top afirmou não ser possível, em pleno 2020, ainda ver pessoas morrerem por causa da cor da pele. E fez um apelo: "Brancos, estudem, pensem e tomem atitudes diferentes. Não dá mais para viver em sociedade dessa forma. É muito injusto".

Pretos na Moda

Cindy Reis (Foto: Divulgação)
Cindy Reis (Foto: Divulgação)
Foto: Elas no Tapete Vermelho

De acordo com Cindy Reis, 23 anos, natural de Barra do Piraí (RJ), o movimento Pretos na Moda, tem o objetivo de combater o racismo estrutural e contestar a padronização de biótipos no mercado, dando espaço à diversidade genuína e respeitosa. Denúncias são recebidas pelo instagram, com a hashtag #PretosNaModaBr.

O movimento surgiu de maneira natural: "A necessidade e a vontade de que houvesse alguma iniciativa desse tipo sempre existiu, mas foi agora que tudo veio à tona. Vi minhas amigas de profissão relatando experiências semelhantes que tinham vivido, começamos a conversar e decidimos nos unir e lutar juntas".

Moda Racista

Já no perfil "Moda Racista", no Instagram, denúncias anônimas, ou não, revelam o lado cruel do mundo fashion, por traz da aura de roupas linda, bem-acabadas e de sonhos. Os dois principais denunciados foram Gloria e Reinaldo. Este último, inclusive, não só em relação aos negros, mas também em relação à forma como trata todos os profissionais envolvidos.

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A maquiadora Juliana Rakoza, que sonhava em ser stylist, mas desistiu depois de fazer um trabalho nos bastidores de Reinaldo, quando era funcionária da MAC, contou que presenciou o estilista gritando com todo mundo. Ela disse também que Gloria Coelho pedia para sempre clarear as peles das modelos.

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O estilista André Boffano, hoje à frente da grife Modem, também revelou seu relato, quando foi estagiário de Lourenço. "Vivia chamando seus funcionários de burros, feios, pobres e gordos", escreveu. Em outro post anônimo, houve relato que Lourenço pedia para a modelo "fazer cara de patroa que bate em empregada". O perfil cita denúncias também contra o estilista Luis Fiod, contra a Ellus, Riachuelo, Fabiana Milazzo, entre outros.

Desculpas

Glória Coelho divulgou um manifesto se comprometendo a mudar de postura. Em trecho do texto, a estilista, que foi casada com Reinaldo Lourenço, escreveu: "Me comprometo a incluir mais modelos afrodescendentes nos meus desfiles, nos meus aplicativos, no Instagram da marca, nas minhas campanhas e nas minhas comunicações e garantir que todas as meninas tenham experiências positivas em castings, provas de roupa e fotos". Nas últimas publicações no perfil de Gloria Coelho no Instagram, a estilista colocou várias fotos de modelos afrodescendentes e de outras etnias.

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Um trecho preciso da live feita com Paulo Borges hoje! 😁✊🏾❤️

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A  modelo Natasha Soares, em live com Paulo Borges, criador do São Paulo Fashion Week, disse que muitos negros são chamados para trabalhos para administrar as crises. "Quando uma marca ou uma revista faz algo racista, chama um negro para ter o 'selo de Palmares', um selo antirracista. Quando a crise acaba, a pessoa é retirada de lá", desabafou (veja trecho abaixo).

No manifesto, Gloria acrescenta: "Uma parte essencial de missão da marca Gloria Coelho a partir de agora será fortalecermos a luta para iluminar a jornada humana afrodescendente no Brasil."  A assessoria de Reinaldo Lourenço, até o fechamento desta matéria, não havia respondido às perguntas enviadas.

Para a revista Veja, o estilista reconheceu que errou e que "faltou empatia e compreensão em relação às modelos negras e outros profissionais. "Eu vou mudar, assim como o sistema de moda será obrigado a mudar também. Comprometo-me a promover inclusão efetiva de modelos negras na passarela e nas campanhas", afirmou. Que tais "arrependimentos" sejam transformados em ações realmente efetivas e não apenas soluções passageiras que, como disse Natasha Soares, acontecem apenas em momentos de crise.

Veja live completa com Gracie Carvalho

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A top model @graciecarvalhoo fala com @roespinossi sobre #racismo, Victoria's Secret, muay thai é muito mais

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Elas no Tapete Vermelho
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