Martha Nussbaum, filósofa: "É provável que a vingança coloque em risco a felicidade futura em vez de promovê-la"
Reflexão da autora mostra como o ressentimento pode impedir a reconstrução da própria vida após uma grande decepção
Viver uma traição na própria pele é uma experiência emocional avassaladora. A raiva e a revolta que surgem diante da decepção colocam a pessoa diante de uma encruzilhada e a obrigam a escolher um caminho.
O primeiro nasce quase de forma instintiva: o corpo pede para revidar. O segundo consiste em continuar construindo algo depois que alguém destruiu a confiança que você havia depositado nele.
A filósofa Martha Nussbaum, uma das pensadoras morais mais influentes da atualidade, abordou essa questão em seu livro A Ira e o Perdão: Ressentimento, Generosidade, Justiça, no qual une filosofia e emoções. Se fosse possível resumir seu pensamento em uma única ideia, ela seria a seguinte: quando alguém nos trai, é mais fácil ferir do que reconstruir a própria vida. Causar dor costuma parecer o caminho mais simples após uma traição, e a vingança pode soar tentadora. Mas ela também é uma armadilha.
A armadilha da vingança
Para compreender melhor o que Nussbaum quer dizer, é preciso entender por que a traição dói tanto. A intensidade desse sofrimento tem uma explicação simples: só é possível trair alguém que confia em você. Em termos psicológicos, a traição não é apenas uma ação, mas a ruptura de um pacto de confiança que sustenta uma relação.
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