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Macacos e humanos compartilham a mesma intuição geométrica

23 jul 2026 - 12h47
(atualizado às 13h03)
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Jogo de formas geométricas revelou que primatas não humanos, crianças e adultos pensam sobre formas de maneiras surpreendentemente semelhantes, indicando que a geometria é mais instintiva do que se pensava.A intuição geométrica para distinguir formas regulares (ângulos retos, linhas paralelas, etc.) de irregulares tem raízes comuns em humanos e macacos, de acordo com um estudo publicado esta semana no jornal científico Proceedings of the National Academy of Sciences.

Primatas não humanos são considerados algumas das criaturas mais inteligentes do planeta
Primatas não humanos são considerados algumas das criaturas mais inteligentes do planeta
Foto: DW / Deutsche Welle

Graças à sua capacidade de usar ferramentas, lembrar rostos e até mesmo aprender a se comunicar com humanos por meio da linguagem de sinais, os primatas não humanossão considerados algumas das criaturas mais inteligentes do planeta.

No entanto, alguns conceitos — como a geometria — tradicionalmente eram considerados além de suas capacidades. Até agora, a ciência acreditava que eles não possuíam intuição geométrica.

Experimento com macacos e babuínos

Para testar essa teoria, uma equipe de pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon, na Pensilvânia, Estados Unidos, ofereceu a dois tipos de macacos — quatro macacos rhesus (Macaca mulatta) e quatro babuínos-oliva (Papio anubis) — petiscos de frutas em troca de sua participação em um jogo de combinação em tela sensível ao toque com formas geométricas bidimensionais.

Os macacos tinham que encontrar a combinação correta de formas com base apenas na semelhança geométrica.

"Pareciam fáceis de combinar, mas não eram. Os objetos não tinham características distintivas, nem diferenças significativas de cor, tamanho ou forma", diz uma das autoras, Jessica Cantlon, neurocientista da Universidade Carnegie Mellon.

Crianças e adultos confirmam o padrão

Posteriormente, os pesquisadores realizaram o mesmo experimento com 58 crianças em idade pré-escolar e 79 adultos, alguns dos EUA e outros de comunidades indígenas tsimane na Bolívia, a fim de comparar pessoas de diferentes culturas e sistemas educacionais.

A análise mostrou que em todos os grupos (as duas espécies de macacos, crianças humanas e adultos) havia uma clara continuidade e semelhança na forma como concebiam a geometria básica.

"Macacos, crianças e adultos pareciam pensar sobre relações geométricas essencialmente da mesma maneira. Isso sugere que essas intuições sobre geometria fazem parte da arquitetura básica da mente dos primatas", destaca Cantlon.

"Ao mesmo tempo, indica que as crianças partem de intuições profundas e evolutivamente antigas sobre forma e espaço. Isso implica que a educação pode ser baseada nessas intuições, em vez de tratar a geometria como algo que precisa ser ensinado do zero", acrescentou a pesquisadora.

Um laboratório para estudar a mente animal

O novo estudo é apenas o mais recente de uma série de descobertas do laboratório de Cantlon em colaboração com o chamado Portal dos Primatas.

Localizado no Zoológico de Seneca Park, em Nova York, o Portal dos Primatas é um projeto colaborativo entre um grupo de cientistas da Universidade Carnegie Mellon e do Instituto de Tecnologia de Rochester para estudar as origens e a natureza do pensamento.

Ele apresenta, entre outras coisas, uma tela sensível ao toque com a qual babuínos-oliva em cativeiro podem interagir enquanto realizam suas atividades diárias normais.

O Portal dos Primatas oferece acesso aberto a dados, código e vídeos de primatas resolvendo problemas cognitivos, com o objetivo de permitir que estudantes do mundo todo possam analisar a mente animal.

rc/le (EFE, ots)

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