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Luiz Carlos Barreto levou o cinema brasileiro ao Oscar; relembre obras

Responsável por mais de 80 produções, Barretão marcou o início do Cinema Novo e abriu caminho para o Brasil em festivais internacionais

22 jul 2026 - 11h40
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O cinema brasileiro se despediu nesta quarta-feira (22) de um de seus maiores responsáveis por conquistar reconhecimento nacional e internacional. Luiz Carlos Barreto, produtor que ajudou a levar o Brasil ao Oscar e assinou clássicos como 'Dona Flor e Seus Dois Maridos', 'Vidas Secas' e 'Terra em Transe', morreu aos 98 anos, no Rio de Janeiro. 

Luiz Carlos Barreto marcou o início do Cinema Novo e abriu caminho para o Brasil em festivais internacionais
Luiz Carlos Barreto marcou o início do Cinema Novo e abriu caminho para o Brasil em festivais internacionais
Foto: Reprodução/Youtube / Bons Fluidos

A morte foi confirmada pela filha, Paula Barreto. O produtor estava internado desde segunda-feira no Hospital Copa Star. Conhecido como Barretão, ele construiu uma carreira de mais de seis décadas e foi peça fundamental para projetar o audiovisual nacional no exterior.

Brasil no Oscar

Ao longo da carreira, Luiz Carlos Barreto participou de mais de 80 produções. No entanto, algumas delas marcaram definitivamente a história do cinema brasileiro por alcançarem reconhecimento internacional.

Ao lado de Lucy Barreto, consolidou a LC Barreto Produções Cinematográficas como uma das empresas mais importantes do setor. Foi sob esse selo que nasceram 'O Quatrilho' (1995), dirigido por Fábio Barreto, e 'O Que É Isso, Companheiro?' (1997), comandado por Bruno Barreto. Ambos conquistaram indicação ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira.

Outro título emblemático foi 'Bye Bye Brasil' (1980), dirigido por Cacá Diegues. Isso porque, décadas após sua estreia, o longa voltou aos holofotes ao ganhar uma exibição especial no Festival de Cannes, em 2024, durante a celebração dos 60 anos da produtora.

No mercado nacional, o maior sucesso veio com 'Dona Flor e Seus Dois Maridos' (1976). Inspirado no romance de Jorge Amado e dirigido por Bruno Barreto, o filme levou aproximadamente 11 milhões de espectadores aos cinemas e permanece entre as maiores bilheterias da história do país. Ademais, sua participação também foi decisiva em obras que ajudaram a consolidar o Cinema Novo, como 'Vidas Secas' e 'Terra em Transe', produções consideradas referências até hoje.

Do jornalismo às câmeras

Antes de se tornar um dos produtores mais importantes do Brasil, contudo, Luiz Carlos Barreto construiu carreira no jornalismo. Ainda adolescente, começou a trabalhar no jornal 'O Democrata', no Ceará. Depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se destacou como repórter e fotojornalista da revista 'O Cruzeiro', uma das publicações mais influentes da época.

O trabalho o levou à França como correspondente internacional. A mudança definitiva aconteceu, então, após retornar ao Brasil. Enquanto acompanhava as filmagens de 'Barravento', conheceu Glauber Rocha e se aproximou de Nelson Pereira dos Santos. O encontro mudaria sua trajetória.

Pouco tempo depois, aceitou fotografar 'Vidas Secas'. Para reproduzir a realidade do sertão, dispensou recursos que suavizavam a iluminação e apostou em imagens de forte contraste, uma escolha que se tornou um marco na fotografia cinematográfica brasileira. Em 1963, fundou a LC Barreto Produções Cinematográficas. A empresa se transformou em uma das maiores referências do audiovisual brasileiro e passou a produzir filmes que atravessaram gerações.

A história de Barretão seguirá nas telas

Já últimos anos de vida, Luiz Carlos Barreto continuou envolvido com o cinema. Em 2022, por exemplo, participou da produção de 'Deus Ainda É Brasileiro', sequência do clássico que deve chegar aos cinemas ainda neste ano.

Além disso, sua própria trajetória foi retratada no documentário 'Barretão' (2019), dirigido por Marcelo Santiago. No início deste ano, a família anunciou 'Barreto em Transe', documentário dirigido por sua neta, Julia Barreto. O projeto reunirá depoimentos de personalidades como Fernanda Torres, Fernanda Montenegro, Marcos Palmeira, Sônia Braga, Dira Paes, Glória Pires, Betty Faria, Chico Buarque e Gilberto Gil.

Com lançamento previsto para 2028, quando Luiz Carlos Barreto completaria 100 anos, a produção pretende celebrar a vida e o legado de um homem que ajudou a transformar o cinema brasileiro em referência dentro e fora do país.

Bons Fluidos
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