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Juan Evaristo Valls Boix, filósofo: "Não estamos aqui para vencer, nem mesmo para participar. Estamos aqui para perder, doar, soltar e deixar cair"

Pensador espanhol critica a lógica do desempenho permanente e convida a repensar a relação com o trabalho, o descanso e o sucesso

7 jul 2026 - 15h37
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Miljan Zivkovic/Shutterstock
Miljan Zivkovic/Shutterstock
Foto: Minha Vida

Quando o filósofo Juan Evaristo Valls Boix apresentou, há alguns anos, seu ensaio Metafísica da Preguiça, na livraria La Central, do Museu Reina Sofía, lançou uma daquelas frases que fazem qualquer um parar para refletir: "não há nada que não esteja contaminado pelo excesso de produtividade, pela sensação de fracasso contínuo". Em um mundo que nos incentiva a produzir sem parar para alimentar o capitalismo, seria a preguiça um ato revolucionário? A resposta curta é: sim.

Nascido em 1990 e professor de Filosofia na Universidade Complutense de Madri, Valls Boix está determinado a despertar as pessoas da apatia que, segundo ele, domina a sociedade. Há anos defende a importância de desacelerar e analisa com olhar crítico até o próprio comportamento. Ele mesmo se define como um viciado em trabalho que, paradoxalmente, escreve sobre a necessidade de trabalhar menos.

O filósofo admite ter caído em todas as armadilhas do neoliberalismo e afirma que sua escrita é "um clamor pela vida que não vivi, da qual fui expropriado, mas que quero reivindicar como minha". Em outras palavras, escreve movido pelo desejo de abandonar esse modo de vida e transformá-lo.

Politizar o descanso para enfrentar o neoliberalismo

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