Script = https://s1.trrsf.com/update-1785273314/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

Homem que organizou despedida após diagnóstico morre aos 47 anos: 'A vida vale a pena'

Advogado morreu no domingo (5), aos 47 anos, após enfrentar um câncer de estômago; antes disso, emocionou o país ao organizar uma celebração da própria despedida

6 jul 2026 - 13h10
Compartilhar
Exibir comentários

O advogado Tiago Martins Pitthan morreu neste domingo (5), aos 47 anos, em Campo Grande (MS), após enfrentar um câncer de estômago em estágio avançado. Conhecido nas redes sociais como "Bom Sujeito", ele repercutiu em todo o Brasil por transformar a própria despedida em uma celebração da vida, reunindo familiares e amigos em um evento planejado por ele enquanto ainda estava vivo.

Tiago Martins Pitthan, advogado que organizou o próprio velório, morreu aos 47 anos; confira mensagem deixada em suas redes
Tiago Martins Pitthan, advogado que organizou o próprio velório, morreu aos 47 anos; confira mensagem deixada em suas redes
Foto: Reprodução/Instagram / Bons Fluidos

A confirmação da morte foi feita pela família por meio das redes sociais. Na publicação, os familiares escreveram: "Ele combateu o bom combate", acrescentando que a despedida seria marcada por muito carinho, amizade e amor.

Última mensagem inspiradora

Pouco antes de morrer, Tiago deixou uma última mensagem para quem o acompanhava. Em uma publicação feita diretamente do hospital, escreveu: "Sem filtro. Sem produção. Pediram para chamar minha família, mas a vida… a vida vale a pena! Talvez eu volte aqui e conte como foi, talvez não. Na dúvida, amo vocês!"

Em um vídeo gravado no leito do hospital, ele também procurou tranquilizar seus seguidores. Com serenidade, falou sobre a forma como encarava aquele momento e fez um balanço da própria trajetória. "Só para falar para vocês não se preocuparem. Eu estou bem, estou em paz, estou feliz. Valeu a pena, tudo valeu a pena. Tive uma vida boa e é isso, eu venci. No final, eu venci todos os dias porque a vida valeu. Um beijo do bom sujeito."

Uma despedida planejada para celebrar a vida

A história de Tiago chamou a atenção justamente pela maneira como decidiu lidar com a finitude. Em vez de esperar que outras pessoas organizassem sua despedida, ele resolveu participar dela. No dia 30 de maio, promoveu um encontro em um antigo galpão de uma cervejaria, em Campo Grande, reunindo pessoas queridas para compartilhar lembranças, música, conversas e momentos de afeto. A programação foi pensada nos mínimos detalhes e incluiu apresentações de bossa nova, samba e rock, além de um flash mob e uma artista que registrou toda a celebração em aquarela, pintando ao vivo.

Entre os momentos mais marcantes da festa esteve sua apresentação de guitarra. Mesmo sem nunca ter tocado um instrumento antes, Tiago decidiu aprender após descobrir que a doença havia avançado. O objetivo era realizar um antigo sonho: subir ao palco ao menos uma vez. E conseguiu.

Além da celebração, ele também organizou aspectos práticos da própria despedida, deixando senhas, orientações sobre objetos pessoais e conversando com pessoas próximas sobre assuntos que costumam ser tratados apenas depois da morte. Apenas o velório tradicional ficou sob responsabilidade da família.

O diagnóstico mudou os planos, mas não a forma de viver

Os primeiros sinais de que algo não ia bem apareceram durante o Réveillon de 2024. Enquanto viajava por Bonito (MS), Tiago percebeu que não conseguia mais se alimentar normalmente: bastavam poucas garfadas para sentir o estômago cheio, além de episódios de vômito.

Os exames revelaram um adenocarcinoma gástrico, o tipo mais comum de câncer de estômago. A expectativa inicial era realizar uma cirurgia para retirar o órgão, mas, durante o procedimento, a equipe médica constatou que o tumor já havia se espalhado para outras regiões do corpo, tornando impossível um tratamento com intenção curativa.

A partir daí, o advogado passou a fazer quimioterapia paliativa e imunoterapia, com o objetivo de controlar o avanço da doença e preservar sua qualidade de vida pelo maior tempo possível.

Mesmo convivendo com as limitações impostas pelo tratamento, ele procurou continuar realizando sonhos. Voltou a Bonito para descer 70 metros de rapel até o Abismo Anhumas e, no dia seguinte, saltou de paraquedas. Em um de seus relatos, resumiu a sensação vivida durante a experiência: "Lá em cima não tem câncer. Só tem eu e aquele mundão."

Um legado de coragem e presença

Ao longo da doença, Tiago costumava dizer que não tinha medo da morte, mas do sofrimento e das limitações que poderiam impedi-lo de viver o tempo que ainda lhe restava.

Foi justamente essa escolha pela presença que marcou sua trajetória nos últimos meses. Aprendeu a tocar guitarra, reencontrou pessoas importantes, viveu novas experiências, organizou uma despedida em que pôde ouvir pessoalmente as homenagens e deixou mensagens que continuam emocionando milhares de pessoas. Sua história acabou se tornando um convite à reflexão sobre a importância de valorizar o presente e cultivar os vínculos enquanto ainda há tempo para isso.

Ver essa foto no Instagram

Um post compartilhado por Tiago Pitthan (@bomsujeito)

Bons Fluidos
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra