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Hiperfoco: entenda a ciência por trás desse "superpoder"

Esse estado de concentração intensa pode ser um superpoder para a produtividade ou uma armadilha que drena tempo e energia

11 mar 2026 - 10h24
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Você já se pegou tão envolvido em uma atividade que esqueceu de comer, de responder mensagens e até de perceber o dia passando? Esse mergulho profundo, em que o mundo ao redor some e só existe a tarefa à sua frente, tem nome: hiperfoco. Ele pode transformar horas em minutos e turbinar a criatividade, mas também pode virar um vilão quando nos prende ao ponto de negligenciar o resto da vida.

Hiperfoco: entenda a ciência por trás desse ''superpoder''
Hiperfoco: entenda a ciência por trás desse ''superpoder''
Foto: Revista Malu

Mais comum do que se imagina — e especialmente presente em pessoas com TDAH —, o hiperfoco é uma combinação única de neuroquímica, motivação e emoção. Mas afinal, como entrar nesse estado de forma saudável e produtiva, sem se perder nele?

É mais do que "estar concentrado"

"O hiperfoco trata-se de um estado de absorção tão intenso que a pessoa perde a noção do tempo e do que acontece ao redor. É frequentemente associado ao TDAH e o Transtorno do Espectro Autista, mas também pode acontecer com qualquer um", explica Natasha Consul Sgarioni, neurologista da Clínica Mantelli.

Segundo a especialista, o dia a dia está repleto de exemplos: alguém que joga videogame por horas sem perceber, que passa a madrugada estudando um assunto fascinante ou que mergulha em um projeto artístico e esquece até de levantar da cadeira. "É como se o mundo desaparecesse e só restasse aquilo que está sendo feito", resume.

Concentração comum x hiperfoco

Embora possa parecer a mesma coisa, existe uma diferença importante entre estar concentrado e entrar em hiperfoco. "A concentração comum é voluntária e pode ser interrompida com facilidade quando necessário. Já o hiperfoco tende a ser involuntário: a pessoa entra nesse estado com tanta intensidade que tem dificuldade para 'sair dele' ou mudar de tarefa, mesmo que algo importante a chame. A linha entre os dois está no grau de absorção, controle e flexibilidade", pontua Natasha.

Ele pode ajudar ou não?

O hiperfoco pode ser altamente produtivo e positivo quando direcionado a atividades construtivas. No entanto, Natasha reforça que pode se tornar um problema quando a pessoa perde a noção do tempo, das prioridades ou negligencia aspectos importantes da vida, como compromissos, autocuidado ou relações pessoais. "Em pessoas com TDAH, isso é ainda mais relevante, já que a alternância entre distração extrema e hiperfoco desorganizado pode gerar frustração e dificuldades no cotidiano."

Por falar em TDAH…

Embora o TDAH seja mais conhecido pela dificuldade em manter o foco, ele também envolve uma regulação atípica da atenção. "O cérebro de alguém com o transtorno tende a buscar estímulos que tragam gratificação ou interesse imediato", discorre. "Quando encontram algo que ativa fortemente o sistema de recompensa (como um assunto fascinante ou uma atividade prazerosa), entram em hiperfoco. Isso se relaciona com alterações nos níveis de dopamina e na ativação de áreas como o córtex pré-frontal", completa a especialista. (box)

O cérebro durante o hiperfoco

A neurologista explica que durante o hiperfoco, há maior ativação de áreas ligadas à atenção sustentada, motivação e recompensa, como o córtex pré-frontal dorsolateral, o estriado e o sistema dopaminérgico. "Essas regiões trabalham juntas para manter o cérebro 'engajado' por longos períodos, especialmente quando a tarefa tem apelo emocional ou é altamente estimulante", exemplifica.

⁠É possível "treinar" o cérebro para alcançar o hiperfoco?

Embora o hiperfoco espontâneo seja mais comum quando existe interesse natural, é possível induzir algo parecido com hábitos saudáveis e técnicas de gestão da atenção. "Estratégias como o uso de blocos de tempo (método Pomodoro), eliminação de distrações, criação de rituais de entrada no trabalho (como música, ambiente silencioso) e foco em metas claras podem facilitar a entrada em um estado de concentração profunda."

Equilíbrio é, literalmente, tudo!

O segredo para aproveitar os benefícios do hiperfoco sem deixar que ele comprometa outras áreas da vida está no equilíbrio. "É importante estabelecer limites de tempo, fazer pausas programadas e manter uma rotina estruturada. Ter consciência de que o hiperfoco pode causar negligência de outras áreas permite adotar estratégias preventivas, como alarmes, checklists e o apoio de pessoas próximas para 'puxar de volta' quando necessário. Assim, é possível aproveitar o lado produtivo do hiperfoco sem prejudicar o bem-estar ou as relações", conclui a especialista.

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