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Fibra e proteína: quanto mais, melhor?

8 abr 2026 - 12h21
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Antes mesmo de a febre da proteína passar, a fibra já desponta como a nova obsessão das redes. Nutricionistas aprovam a valorização, mas alertam contra exageros e modismos.Primeiro foi a proteína, agora é a vez da fibra: o "maxxing" conquista as redes sociais, com influencers que insistem que a chave para mais vitalidade e uma transformação radical da saúde intestinal está em consumir certos nutrientes em grandes quantidades.

Mas será que esse fenômeno viral é realmente saudável?

O conceito de "proteinmaxxing" (aumentar o consumo de proteína) defende que "quanto mais, melhor" quando se trata desse macronutriente encontrado em alimentos como carnes, laticínios e castanhas, já que ele é essencial para funções corporais como a reparação de tecidos e o fortalecimento do sistema imunológico.

Mas, em 2026, é a fibra alimentar que desponta como a principal tendência das redes: consumir o máximo possível ajudaria a sentir menos fome e a ter um intestino mais regular, dizem seus defensores na internet, enquanto consomem pratos cheios de sementes de chia e aveia diante das câmeras.

Fibra: a nova aposta da indústria alimentícia

E a indústria percebeu isso. Grandes empresas como PepsiCo e Nestlé, junto com outras mais novas, como a Olipop, aderiram à tendência ao destacar o teor de fibra de seus produtos.

"Considero que a fibra será a próxima proteína", disse Ramón Laguarta, presidente-executivo da PepsiCo, no fim do ano passado.

Uma pesquisa da consultoria Bain & Company mostrou que cerca de metade dos consumidores dos Estados Unidos tenta ingerir mais proteína.

Nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, a moda é impulsionada sobretudo pelos consumidores da Geração Z (nascidos a partir de 2000) e pelos millennials, concluiu o levantamento.

E o mesmo ocorre com a fibra. Cerca de 40% da Geração Z e 45% dos millennials relataram que tentam melhorar a saúde intestinal, segundo a consultoria londrina GlobalData.

Nutricionistas: há verdade na tendência, mas com ressalvas

Vários nutricionistas dizem que há um fundo de verdade na febre da fibra.

Andrea Glenn, professora adjunta de nutrição da Universidade de Nova York, classificou o movimento em torno da fibra como "uma tendência de bem-estar bastante moderada em comparação com outras".

Samanta Snashall, nutricionista registrada do centro médico da Universidade Estadual de Ohio, afirmou que a proteína tem sido "a queridinha" há anos, enquanto a fibra esteve "bastante subvalorizada".

"Fico feliz que agora ela esteja ganhando algum destaque."

Mas tanto essas especialistas quanto Arch Mainous, professor de saúde comunitária e medicina de família da Universidade da Flórida, que pesquisou o uso das redes sociais na comunicação em saúde, concordam que nem sempre mais é melhor, especialmente quando se trata de proteína.

O risco dos influencers de saúde nas redes sociais

Para Mainous, uma coisa é comer de acordo com os valores nutricionais diários recomendados, mas "se você diz que, se um está bom, cinco é melhor ainda […], eu não concordo muito". Ele também demonstrou preocupação com a confiança excessiva das pessoas em conselhos generalizados de influencers.

Isso faz parte de uma tendência maior que resultou em "uma falta de confiança nos especialistas em saúde", afirmou. Uma mentalidade de "vou fazer minha própria pesquisa", que foi impulsionada, entre outros, pelo secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., que divulga informações falsas sobre vacinas há anos.

Poucos influencers são cientistas com formação adequada, observou Mainous, e muitos têm acordos com marcas ou suas próprias agendas, que incluem vender produtos.

Então, o que as pessoas podem fazer? Primeiro, conversar com seu médico, indicou Mainous.

Quais são as recomendações diárias de fibra e proteína?

Como orientação geral, a Associação Americana do Coração afirma que, para muitas pessoas, um dia que inclua uma combinação de alimentos como um copo de leite, uma xícara de iogurte, uma xícara de lentilhas cozidas e uma porção de carne magra ou peixe cozido de aproximadamente o tamanho de um baralho de cartas fica, em média, dentro da meta diária de proteína.

No caso da fibra, para Glenn, entre 25 e 38 gramas, dependendo da idade e do sexo, é um bom objetivo.

Alimentos com alto teor de fibra — como feijão, frutas, verduras, castanhas, aveia e quinoa — estão associados a taxas mais baixas de alguns tipos de câncer e podem ajudar a manter o colesterol e o açúcar no sangue sob controle.

Em geral, segundo Glenn, as pessoas podem comer alguns grãos integrais ou frutas no café da manhã e, depois, tentar preencher metade do prato com legumes e verduras no almoço e no jantar.

Assim, "elas conseguem facilmente atingir o objetivo sem precisar contar meticulosamente quanta fibra consomem", disse à AFP.

Mas, se uma pessoa não consome muita fibra — e a maioria das pessoas não consome —, o "maxxing" não é o caminho adequado, advertiu Snashall.

Mudar os hábitos de um dia para o outro fará com que o "sistema gastrointestinal tenha uma reação mais forte", disse.

Glenn ressaltou que nutrientes em pó e outros suplementos não podem substituir alimentos integrais e de verdade.

E talvez o mais importante seja que não existe uma solução definitiva que sirva para todos os casos.

"Acho importante não encarar essas medidas como soluções milagrosas para todos os problemas", afirmou.

ip (afp, ots)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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