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Falsificação de canetas emagrecedoras: 6 cuidados

Cuidado com as canetas emagrecedoras falsificadas: 6 dicas para não cair em "golpes" e colocar sua saúde em risco

5 nov 2026 - 14h30
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Resumo
A aprovação de novas canetas emagrecedoras GLP-1 pela Anvisa acende o alerta para falsificações que imitam com perfeição rótulos, lotes e embalagens originais. O uso de versões adulteradas traz riscos graves como hipoglicemia e contaminações. Especialistas alertam que a aparência não garante autenticidade e recomendam comprar apenas em farmácias autorizadas sob receita, desconfiar de ofertas baratas na internet e checar o registro na Anvisa, além das condições ideais de refrigeração.

Farmacêutico alerta que embalagens aparentemente originais não garantem a autenticidade do produto

Em 29 de outubro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a aprovação de cinco novos registros de medicamentos da classe GLP-1, ampliando as opções disponíveis no mercado brasileiro. Mas existe um risco nem sempre percebido pelo consumidor: uma caneta pode apresentar embalagem, rótulo e aparência semelhantes aos de um medicamento original e, ainda assim, conter uma substância diferente, uma dose incorreta ou até não possuir o princípio ativo anunciado.

Foto: Freepik / Revista Malu

Segundo o farmacêutico Jamar Tejada, o problema é que a falsificação de medicamentos vai muito além de uma embalagem mal impressa ou de um produto vendido sem identificação.

"Hoje, não podemos confiar apenas na aparência. Uma embalagem pode reproduzir cores, logotipos, números de lote e outros elementos de um medicamento verdadeiro. O consumidor pode acreditar que está comprando um produto legítimo quando, na realidade, não existe garantia sobre o que está dentro daquela caneta", alerta.

Por que as canetas emagrecedoras falsificada pode ser tão perigosa?

Medicamentos como semaglutida e tirzepatida atuam sobre mecanismos relacionados ao controle da glicose, do apetite e da saciedade. Por isso, a quantidade de princípio ativo administrada precisa de um controle rigoroso.

Em produtos falsificados ou de origem desconhecida, não há garantia de que a substância utilizada seja realmente aquela informada no rótulo, nem de que sua concentração esteja correta.

"O risco não é apenas o medicamento não funcionar. Ele pode conter uma dose diferente da indicada, substâncias não declaradas ou apresentar contaminação. Isso pode provocar reações adversas graves, como vômitos intensos, desidratação e alterações importantes da glicemia. Dependendo da substância e dos medicamentos utilizados pelo paciente, também existe o risco de hipoglicemia", alerta o farmacêutico.

Outro perigo envolve as condições de armazenamento. Muitos medicamentos injetáveis dessa classe exigem refrigeração antes do primeiro uso, conforme as orientações específicas de cada fabricante.

Se a caneta for transportada ou armazenada fora das condições recomendadas, sua estabilidade pode ser comprometida, mesmo que o produto seja original.

Ter número de lote e validade significa que o medicamento é verdadeiro?

Não necessariamente.

O número do lote permite identificar um conjunto de unidades fabricadas sob determinadas condições e é fundamental para a rastreabilidade do medicamento. Entretanto, falsificadores podem copiar essas informações de produtos legítimos.

O mesmo vale para o prazo de validade, o código de barras e outros elementos impressos na embalagem.

"Um número de lote não funciona como certificado automático de autenticidade. Verifique se o medicamento possui registro na Anvisa, se a apresentação corresponde à autorizada no Brasil e se adquirido por um canal regular. Quando houver suspeita, o fabricante e a autoridade sanitária podem ajudar na verificação", orienta Jamar.

O registro sanitário pode ser consultado no portal da Anvisa. Porém, é importante compreender que a existência de um medicamento registrado não comprova, por si só, que determinada unidade à venda seja autêntica.

O perigo das ofertas pelas redes sociais

A comercialização de canetas emagrecedoras por perfis de redes sociais, aplicativos de mensagens e vendedores informais merece atenção especial. A exigência de receita médica com retenção na farmácia é uma medida adicional de segurança. Quando alguém oferece esses medicamentos sem cumprir essa obrigação, já existe um sinal de irregularidade na comercialização.

Ofertas com preços muito inferiores aos praticados no mercado, promessas de entrega sem exigência de receita ou produtos trazidos do exterior sem comprovação de procedência devem servir sinais de alerta.

"Quando um medicamento é vendido por alguém que não consegue comprovar sua origem, o consumidor perde uma parte essencial da segurança: a rastreabilidade. Se tiver um problema com aquele lote, como saber de onde veio, o meio de transporte e quem se responsabiliza pela comercialização?", questiona o farmacêutico.

O especialista reforça que a prescrição médica não substitui a necessidade de comprar o produto em um estabelecimento regularizado.

Como reduzir o risco de comprar uma caneta irregular?

Antes de adquirir o medicamento, alguns cuidados são fundamentais:

1. Compre em farmácias e drogarias regularizadas. Evite vendedores particulares, grupos de mensagens e perfis de redes sociais que não comprovem autorização para comercializar medicamentos.

2. Consulte o registro na Anvisa. Verifique o nome do medicamento, fabricante, princípio ativo e apresentação autorizada no Brasil.

3. Observe a embalagem. Informações ilegíveis, erros de impressão, lacres violados ou divergências entre a caixa e a caneta são sinais de alerta. A ausência desses problemas, porém, não garante autenticidade.

4. Confira lote e validade. As informações devem estar presentes e ser coerentes. Em caso de dúvida, procure os canais oficiais do fabricante.

5. Verifique as condições de conservação. Confirme as exigências de temperatura da apresentação adquirida e se a farmácia garante armazenamento e transporte adequados. Algumas apresentações permitem permanecer temporariamente fora da geladeira, dentro dos limites estabelecidos pelo fabricante. Por isso, é importante consultar as orientações específicas da bula.

6. Desconfie de preços muito baixos. Valores muito inferiores aos habituais podem indicar produtos irregulares, falsificados ou de procedência desconhecida.

E se a pessoa já comprou uma caneta suspeita?

A orientação é não utilizar o medicamento até esclarecer sua procedência. Caso já tenha administrado, o paciente deve procurar orientação de um profissional de saúde, especialmente se apresentar sintomas inesperados.

É importante preservar a embalagem, a nota fiscal, o número do lote e as informações do vendedor, pois esses dados podem ajudar na investigação e na notificação às autoridades sanitárias.

Para Jamar Tejada, a principal mensagem é que a segurança de um medicamento não pode ser avaliada apenas pelo aspecto visual.

"Uma caneta emagrecedora não é um produto de beleza que pode ser comprado de qualquer vendedor. Estamos falando de um medicamento que interfere em mecanismos importantes do organismo. A procedência, o armazenamento e a qualidade são tão importantes quanto o princípio ativo. Quando não sabemos de onde veio o produto, também não sabemos exatamente o que estamos aplicando no corpo", conclui.

Revista Malu Revista Malu
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