AVC: veja as diferenças entre homens e mulheres
Entenda como o AVC afeta homens e mulheres, quais fatores podem aumentar o risco em cada fase da vida e a importância da prevenção
Embora atinja ambos os sexos, o AVC apresenta variações de risco conforme a idade, hábitos e hormônios. Mulheres de até 35 anos têm incidência de AVC isquêmico 44% maior que homens da mesma faixa etária, vulnerabilidade ligada a fatores como gravidez, pós-parto e uso de anticoncepcionais, sem relação com predisposição genética. Para os dois sexos, hábitos saudáveis previnem a doença, sendo crucial buscar atendimento médico imediato aos primeiros sintomas neurológicos para evitar sequelas.
Idade, hormônios e condições de saúde influenciam o risco de AVC
Embora o AVC possa atingir homens e mulheres, o risco não se comporta da mesma maneira em todas as fases da vida. Dados recentes mostram que idade e sexo podem influenciar a incidência da doença, especialmente entre adultos jovens.
Uma análise mundial publicada em 2025, com dados de 2021, estimou aproximadamente 49 novos casos de AVC por 100 mil homens ao ano e 40 por 100 mil mulheres entre 15 e 49 anos. No entanto, quando considerado especificamente o AVC isquêmico em mulheres de até 35 anos, uma revisão de estudos encontrou incidência 44% maior em comparação com homens da mesma faixa etária.
Para o neurocirurgião Orlando Maia, os números reforçam que não se pode tratar o risco de AVC de forma simplificada. "Não podemos considerar a mulher jovem protegida nem minimizar sintomas em nenhum dos sexos. Não é correto afirmar que um dos sexos seja, de forma geral, geneticamente mais predisposto ao AVC"
Segundo o especialista, diferenças observadas entre homens e mulheres resultam da combinação de diversos fatores, como idade, hormônios, condições de saúde, hábitos de vida e características hereditárias.
Gravidez e pós-parto exigem atenção especial
Entre as mulheres, existem situações específicas que podem modificar o risco de AVC. Gravidez e período pós-parto, especialmente quando acompanhados de complicações hipertensivas, estão entre os fatores que merecem atenção.
O uso de anticoncepcionais contendo estrogênio também precisa de avaliação individual, principalmente quando associado a fatores como tabagismo ou enxaqueca com aura.
Essas situações, entretanto, não significam que exista uma predisposição genética feminina generalizada ao AVC. "Nas mulheres, há situações específicas que podem aumentar o risco, como gravidez e pós-parto, especialmente quando existem complicações hipertensivas. Anticoncepcionais com estrogênio também exigem avaliação individual, sobretudo em quem fuma ou tem enxaqueca com aura. Esses fatores não devem se confundir com uma predisposição genética feminina", explica Dr. Orlando Maia.
O AVC pode acontecer por mecanismos diferentes
O AVC ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma região do encéfalo sofre interrupção o ou quando um vaso sanguíneo se rompe. O tipo mais frequente é o AVC isquêmico, provocado pela obstrução de uma artéria que leva sangue ao cérebro. Essa obstrução pode ocorrer por um trombo formado no próprio vaso ou por um êmbolo que se desloca de outra região, como o coração ou grandes artérias.
Já no AVC hemorrágico, ocorre o rompimento de um vaso, provocando sangramento dentro do encéfalo ou ao seu redor. Como os mecanismos são diferentes, a avaliação e o tratamento também podem ser distintos. Por isso, o tempo entre o aparecimento dos sintomas e a chegada a um serviço preparado para realizar a investigação adequada pode ser determinante.
Prevenção não é uma questão exclusiva das mulheres
Apesar das situações específicas relacionadas à saúde feminina, a prevenção do AVC deve ser encarada como uma responsabilidade de homens e mulheres. Conhecer o histórico familiar, controlar a pressão arterial, tratar adequadamente o diabetes, não fumar e manter atividade física regular estão entre as medidas importantes para reduzir fatores de risco.
O especialista também chama atenção para o uso sem indicação médica de esteroides anabolizantes e hormônios comercializados com diferentes finalidades, incluindo produtos associados ao chamado "chip da beleza". Segundo Dr. Orlando Maia, o uso inadequado dessas substâncias pode aumentar o risco cardiovascular e neurológico, especialmente entre pessoas jovens.
Reconhecer o risco também significa saber quando não esperar
O AVC é uma condição em que o tempo pode interferir diretamente nas possibilidades de tratamento e no impacto das lesões neurológicas. Por isso, sinais neurológicos súbitos não devem ser tratados como algo de fácil observação indefinidamente em casa.
A diferença entre um AVC isquêmico e um hemorrágico, assim como a identificação da região cerebral afetada e do mecanismo envolvido, depende de avaliação médica e exames adequados. "Em situações neurológicas agudas, esperar também é uma decisão. Quando existe suspeita de AVC, o tempo precisa ser considerado parte da própria avaliação clínica", explica o especialista.
O AVC pode atingir homens e mulheres em diferentes momentos da vida. O mais importante é não transformar diferenças estatísticas em falsa sensação de proteção: diante de sinais neurológicos súbitos, o tempo importa.
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