Especialistas desmentem 5 mitos sobre longevidade que muita gente ainda acredita
Pesquisadores explicam por que suplementos, emagrecimento e outros hábitos associados ao envelhecimento saudável exigem mais cautela
Especialistas alertam que a longevidade depende de genética, estilo de vida e ambiente, desmistificando promessas das redes sociais. O foco real da ciência é a expectativa de saúde, e não apenas estender anos sem autonomia. Não há suplementos com eficácia comprovada para prolongar a vida humana, e mulheres, embora vivam mais, enfrentam maior declínio na velhice. Além disso, emagrecer após os 65 anos pode aumentar o risco de mortalidade, e hábitos saudáveis, sozinhos, não garantem o centenário.
A busca por formas de envelhecer melhor transformou a longevidade em um dos assuntos mais populares das redes sociais. Com isso, cresceram também promessas de suplementos, tratamentos e outros hábitos capazes de estender a vida de maneira quase automática.
Entretanto, pesquisadores ouvidos pelo 'The New York Times' alertaram que parte dessas ideias simplifica demais um processo que depende de genética, idade, condições de saúde e estilo de vida. Algumas recomendações, inclusive, podem não ter o efeito esperado ou exigir mais cuidado do que os vídeos nas redes costumam mostrar.
1. Longevidade não significa simplesmente viver mais
Uma das principais confusões está no próprio objetivo dos estudos sobre envelhecimento. Para muitos pesquisadores, aumentar o número de anos de vida não é necessariamente a prioridade. O foco, então, está na chamada expectativa de saúde, ou seja, ampliar o período em que uma pessoa consegue viver com autonomia e menor carga de doenças.
"Se anos extras de vida acabarem sendo um efeito colateral de manter as pessoas saudáveis por mais tempo, ótimo. Mas esse não é o objetivo", apontou Steven Austad, professor de biologia da Universidade do Alabama em Birmingham, em entrevista ao veículo norte-americano.
2. Suplementos não garantem de vida mais longa
NAD+, resveratrol, peptídeos e hormônio do crescimento aparecem com frequência em conteúdos sobre antienvelhecimento. Entretanto, os pesquisadores ouvidos pelo jornal afirmam que ainda não existe medicamento ou suplemento capaz de demonstrar, de forma comprovada, que prolonga a vida humana.
Parte do entusiasmo vem de estudos realizados em animais. Resultados obtidos em vermes ou roedores, porém, não podem ser transportados automaticamente para o organismo humano. Uma pesquisa publicada em 2026 ainda colocou em dúvida a ideia de que idosos precisariam aumentar os níveis de NAD+. O levantamento encontrou níveis sanguíneos relativamente estáveis dessa substância mesmo em idades avançadas.
Além disso, determinadas intervenções podem trazer efeitos indesejados. Uma revisão de ensaios clínicos encontrou associação entre o uso de hormônio do crescimento em adultos mais velhos saudáveis e problemas como inchaço, dores articulares e síndrome do túnel do carpo.
3. Mulheres vivem mais e com saúde?
De acordo com os especialistas, de fato, expectativa de vida feminina costuma superar a masculina em aproximadamente cinco anos. No entanto, pesquisadores destacam que viver mais tempo não significa necessariamente passar toda essa diferença em boas condições de saúde.
"Especialmente após a menopausa, há um declínio significativo em várias facetas da saúde delas", exemplificou Pankaj Kapahi, pesquisador do Instituto Buck.
Outro problema está na própria produção científica. Historicamente, estudos sobre envelhecimento deram maior atenção aos homens, o que pode ter deixado lacunas importantes sobre condições mais frequentes entre mulheres. Doenças autoimunes, artrite e Alzheimer aparecem entre os exemplos citados pelos especialistas como problemas que atingem mulheres mais velhas de maneira relevante e ainda merecem maior investigação.
4. Emagrecer nem sempre significa ganhar saúde
A recomendação de perder peso pode fazer sentido em diferentes contextos, mas pesquisadores alertam que ela não deve ser aplicada de maneira automática às pessoas mais velhas. Um estudo de 2023, conduzido por Aladdin Shadyab e colegas, acompanhou mulheres entre 61 e 81 anos e encontrou uma associação entre perda de peso e menor probabilidade de chegar aos 90 anos, independentemente do peso inicial ou do IMC.
Já uma metanálise publicada em 2021, que reuniu 30 estudos, associou a perda de peso entre pessoas com 65 anos ou mais a um risco de morte 59% maior. Os próprios pesquisadores ressaltam que os resultados ainda são contraditórios. Uma possível explicação é que, nessa fase da vida, emagrecer pode significar perder não apenas gordura, mas também massa muscular e óssea, estruturas importantes para força, equilíbrio e autonomia.
5. Bons hábitos não garantem chegar aos 100 anos
Alimentação equilibrada, exercício físico e outros cuidados continuam fundamentais para reduzir riscos e preservar a saúde. Eles, contudo, não conseguem explicar sozinhos por que algumas pessoas ultrapassam os 95 ou 100 anos. Dados citados pelo 'The New York Times' indicam que genética e fatores ambientais dividem aproximadamente a influência sobre a expectativa de vida, em média.
Entre pessoas que alcançam idades excepcionalmente altas, a participação genética parece aumentar. Sofiya Milman, pesquisadora do Albert Einstein College of Medicine, destacou que estudos com pessoas que chegaram aos 95 anos ou mais não encontraram necessariamente estilos de vida muito diferentes dos observados entre indivíduos que viveram menos.
Isso não significa que hábitos saudáveis sejam irrelevantes. A conclusão é outra: longevidade excepcional resulta de uma combinação complexa de fatores, e nenhuma rotina, suplemento ou intervenção isolada consegue garantir um determinado número de anos de vida.
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