Erros financeiros comuns ameaçam pequenas empresas, dizem especialistas
Consultor cita o risco de misturar contas pessoais e empresariais: "Dificulta a gestão e pode gerar problemas tributários".
Especialistas alertam sobre a importância da gestão financeira para a sobrevivência de micro, pequenas e médias empresas. Erros como confundir faturamento com lucro, misturar contas pessoais e empresariais e negligenciar o fluxo de caixa podem levar à falência. Além disso, gestão tributária deficiente e inconsistências nas informações fiscais aumentam riscos e reduzem competitividade. 📊
Segundo especialistas, não cuidar do fluxo de caixa e do capital de giro pode ameaçar o futuro da empresa
A falta de controle financeiro é um dos principais entraves para a escalada das micro, pequenas e médias empresas no Brasil, cuja data é celebrada hoje (27). A avaliação é do contador Eduardo Dias. "Muitas empresas não quebram porque vendem pouco. Elas quebram porque crescem sem planejamento", diz o especialista.
Segundo ele, é comum o empresário confundir faturamento com lucro, aumentar despesas antes de entender a margem real do negócio e tomar decisões com base no saldo da conta bancária.
Pessoa física e pessoa jurídica
De acordo com Dias, erros como não controlar o fluxo de caixa, precificar sem conhecer os custos reais e ignorar a necessidade de capital de giro ainda são extremamente comuns entre micro e pequenos empreendedores.
"A mistura entre contas pessoais e empresariais compromete a visão real do negócio, dificulta a gestão, prejudica o acesso a crédito e pode gerar problemas tributários e até jurídicos", pontua. Ele reforça a necessidade de separação entre pessoa física e pessoa jurídica. Essa separação não representa apenas uma questão de organização, mas de proteção patrimonial e segurança para o crescimento do negócio.
Fluxo de caixa
Outro ponto de atenção é o fluxo de caixa. De acordo com Eduardo Dias, muitas empresas aparentam estar saudáveis, porque registram crescimento nas vendas, mas enfrentam dificuldades, uma vez que não acompanham a entrada e saída efetiva de recursos. "Empresa não quebra necessariamente quando dá prejuízo. Ela quebra quando fica sem caixa para honrar compromissos. É perfeitamente possível uma empresa ser lucrativa no papel e insolvente na prática", adverte ele.
Informações fiscais
Além dos desafios financeiros, a gestão tributária continua sendo um dos maiores pontos de vulnerabilidade das micro, pequenas e médias empresas brasileiras. Para o advogado tributarista William Almeida, o erro mais frequente dos empreendedores não está necessariamente na falta de pagamento de impostos, mas na inconsistência das informações prestadas ao Fisco.
"O problema mais comum é quando aquilo que a empresa declara não corresponde à realidade da operação. Hoje os cruzamentos eletrônicos estão cada vez mais sofisticados, e inconsistências entre notas fiscais, declarações e movimentações financeiras acabam sendo identificadas com facilidade", salienta ele.
Segundo o advogado, erros de enquadramento tributário, classificação fiscal incorreta de produtos e serviços, falhas em obrigações acessórias e falta de acompanhamento das mudanças na legislação podem gerar custos elevados, autuações e perda de competitividade. "Regime tributário não é uma decisão burocrática. É uma decisão estratégica que impacta diretamente margem, fluxo de caixa, precificação e capacidade de crescimento da empresa", ressalta.
William também reitera a importância de buscar suporte especializado não apenas quando surge um problema fiscal. Isso porque, muitos empresários costumam recorrer a especialistas apenas em situações pontuais. "O empresário precisa incorporar a gestão tributária à rotina da empresa. Planejamento, revisão periódica de enquadramento, conferência de informações e monitoramento das obrigações reduzem riscos e aumentam a previsibilidade financeira", afirma.
Gestão profissional
Para os especialistas, o crescimento sustentável das micro, pequenas e médias empresas depende cada vez mais de gestão profissional, disciplina financeira e planejamento. "O empresário precisa deixar de administrar apenas pela intuição e passar a tomar decisões com base em números, indicadores e processos", afirma Eduardo Dias. William Almeida complementa: "Empresas que crescem com governança, controle financeiro e conformidade tributária constroem negócios mais resilientes, atraem crédito com mais facilidade e conseguem expandir de forma muito mais segura".
Edição: Fernanda Villas Bôas
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