Ereção matinal: médicos revelam quando o fenômeno indica problemas de saúde
Ereções durante o sono são naturais e podem acontecer em diferentes fases da vida, mas mudanças persistentes no padrão merecem avaliação
A ereção matinal faz parte do funcionamento normal do organismo masculino. Na medicina, o fenômeno recebe o nome de tumescência peniana noturna e pode ocorrer não somente pela manhã, como várias vezes ao longo de uma mesma noite.
De acordo com os urologistas Ryan Berglund e Raevti Bole, da Cleveland Clinic, o termo "ereção matinal" é popular porque o homem costuma perceber o fenômeno ao despertar. No entanto, o processo ocorre em diferentes momentos do sono, principalmente na fase REM, quando a atividade do sistema nervoso favorece esse tipo de resposta corporal.
"O pênis pode ficar ereto e flácido várias vezes durante a noite. Não acontece apenas pela manhã. É simplesmente mais provável que você perceba isso ao acordar", explicou Berglund em um artigo publicado no site do centro médico norte-americano.
O que causa a ereção matinal?
Os especialistas apontam que o fenômeno ocorre porque o organismo continua ativo enquanto dormimos. Nesse período, além de outras funções, o sistema nervoso parassimpático participa de processos ligados à excitação sexual e à resposta erétil.
Ademais, outros fatores podem contribuir para o fenômeno. A produção de testosterona, por exemplo, tende a aumentar durante o sono. Movimentos involuntários na cama e até a bexiga cheia também podem estimular estruturas envolvidas na ereção.
Por isso, as ereções noturnas não dependem necessariamente de um sonho erótico. Elas fazem parte de uma resposta fisiológica que pode ocorrer naturalmente enquanto o corpo descansa, podendo aparecer em diferentes fases da vida, embora sua frequência e rigidez possam mudar com o passar dos anos.
"É esperado que todo homem tenha ereções matinais. Isso é normal. Se você parou de ter as ereções matinais, deve se preocupar e investigar", afirmou o urologista Lucas Fraga em suas redes sociais.
Quando a mudança merece investigação?
De acordo com o profissional, a interrupção repentina do fenômeno pode ser o primeiro sinal de algum problema mais severo. Entre as possibilidades estão alterações hormonais, problemas de sono, estresse e até questões associadas à função erétil.
Fraga destacou que uma eventual queda nos níveis de testosterona costuma vir acompanhada de outros sinais, como diminuição da libido, cansaço e indisposição. Dessa forma, a observação de outros sintomas ajuda o médico a entender o quadro.
"Se, além da perda das ereções matutinas, você também tem dificuldade para iniciar ou manter a ereção durante a relação sexual, deve-se investigar para ver se não há nenhuma causa orgânica de disfunção erétil", orientou.
A qualidade do sono também merece atenção. Como as ereções acontecem várias vezes durante a noite, problemas para dormir ou um descanso de pior qualidade podem reduzir a ocorrência dessas ereções e, consequentemente, fazer com que elas deixem de aparecer ao acordar. O urologista Raevti Bole reforça que a redução persistente deve ser relatada ao médico.
"É melhor mencionar o problema, principalmente se você notar alguma tendência. Eles podem fazer exames e descobrir que você está perfeitamente bem. Mas também existe a possibilidade de encontrarem algo que precise de atenção. Há um bom custo-benefício em investigar", aconselhou o especialista.
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