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Treinar no calor: cuidados essenciais para proteger seu coração

O calor extremo aumenta riscos para corredores e pede cuidados extras no treino. Veja orientações de um cardiologista para correr com segurança.

18 ago 2026 - 13h43
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Resumo
Correr em dias de calor extremo pode sobrecarregar o coração, devido ao aumento da frequência cardíaca, desidratação e baixa umidade. Esses fatores elevam riscos de mal-estar, tontura e até emergências cardiovasculares. Ajustar a intensidade do treino, escolher horários frescos e manter-se hidratado são medidas essenciais para correr com segurança. ⚠️💧

Você já sentiu o coração acelerar demais em uma corrida e achou que era só cansaço? Em dias de calor extremo, esse sinal pode ser mais sério do que parece.

Foto: Jelena Danilovic/Getty Images
Foto: Jelena Danilovic/Getty Images
Foto: Sport Life

O calor mexe com o corpo de um jeito que muita gente ainda subestima. Correr sob temperaturas elevadas exige mais do coração, mais do sistema de regulação térmica e mais atenção de quem está na rua ou na esteira.

Temperaturas elevadas e baixa umidade exigem atenção de quem pratica corrida ao ar livre. Em condições de calor intenso, o organismo aumenta o esforço para controlar a temperatura corporal, enquanto a perda de líquidos pode reduzir o volume de sangue circulante. A combinação pode elevar a frequência cardíaca, diminuir o rendimento e causar tontura e mal-estar.

Em casos mais graves, principalmente durante exercícios prolongados, o quadro pode evoluir para exaustão pelo calor e alterações cardiovasculares.

Calor faz o coração trabalhar mais durante a corrida

Segundo o cardiologista Dr. Vagner Vinicius Ferreira, do Hospital Mantevida, o esforço cardiovascular já aumenta naturalmente durante a corrida. Com o calor, esse esforço fica ainda maior.

"Durante a corrida, o organismo já aumenta naturalmente a frequência cardíaca para levar mais sangue aos músculos e também à pele, onde ocorre a perda de calor. Quando a temperatura está muito elevada, esse mecanismo é ainda mais exigido. O coração precisa trabalhar mais, enquanto a desidratação reduz o volume de sangue circulante e pode provocar queda da pressão arterial", explica o cardiologista.

A baixa umidade agrava esse cenário. Segundo o especialista, ela favorece uma maior perda de água, principalmente pela transpiração e pela respiração.

"Com isso, o corredor pode apresentar aumento importante da frequência cardíaca, queda do rendimento, tontura e mal-estar. Em situações mais graves, principalmente quando há calor extremo e exercício prolongado, existe risco de exaustão pelo calor e até de alterações cardiovasculares importantes por desidratação e distúrbio hidroeletrolítico", completa o Dr. Vagner.

Calor exige ajustes no horário e na intensidade do treino

A escolha do horário e a redução da intensidade do exercício estão entre as medidas recomendadas para os dias mais quentes. Segundo o cardiologista, alguns cuidados simples já fazem grande diferença.

"O primeiro cuidado é escolher horários mais frescos, preferencialmente no início da manhã ou no fim da tarde, evitando os períodos de maior calor. Também é importante reduzir a intensidade e a duração do treino nesses dias, porque o mesmo ritmo que é confortável em condições normais pode representar uma sobrecarga importante para o organismo", orienta.

A hidratação também é essencial diante do calor. Segundo o especialista, ela deve começar antes do exercício e continuar durante a corrida, especialmente nos treinos mais longos.

"Roupas leves, respiráveis e de cores claras ajudam na dissipação do calor. Outro ponto importante é não esperar sentir muita sede para beber água. Em exercícios prolongados, especialmente com suor intenso, pode ser necessário também repor eletrólitos. E existe uma regra simples: em dias de calor extremo, não é dia de buscar recorde pessoal. É melhor adaptar o treino do que transformar uma atividade saudável em um risco desnecessário", ressalta o cardiologista.

Calor pode causar sintomas que exigem atenção imediata

Durante a atividade, alguns sintomas indicam que o corredor deve interromper o exercício. Tontura importante, sensação de desmaio, confusão mental, fraqueza intensa, dor ou pressão no peito, falta de ar desproporcional ao esforço, palpitações persistentes e perda de coordenação estão entre os sinais de alerta.

"Também são sinais de alerta dor de cabeça intensa, náuseas ou vômitos importantes, pele muito quente e alteração do estado de consciência. Esses sintomas podem indicar uma resposta exagerada ao calor e, em casos mais graves, uma emergência relacionada à hipertermia", alerta o Dr. Vagner.

O médico reforça que insistir no treino diante desses sinais pode ser perigoso. "Uma recomendação importante é não tentar 'vencer' os sintomas. Se o corpo está dando sinais de que não está conseguindo lidar com o calor, o exercício deve ser interrompido, a pessoa deve procurar um local fresco e iniciar o resfriamento. Na presença de alteração da consciência, dor no peito, desmaio ou falta de ar intensa, é necessário procurar atendimento médico imediatamente pois o quadro pode evoluir para situações hemodinâmica e neurológica grave", conclui.

Como treinar com mais segurança em dias de calor

Diante desse cenário, alguns cuidados simples podem reduzir bastante o risco durante a corrida em dias de calor:

  • Prefira correr no início da manhã ou no fim da tarde, evitando o horário de maior calor.

  • Reduza a intensidade e a duração do treino em dias muito quentes.

  • Comece a se hidratar antes de sair de casa e continue bebendo água durante o percurso.

  • Use roupas leves, respiráveis e de cores claras.

  • Não espere sentir sede para beber água.

  • Considere repor eletrólitos em treinos longos ou com suor intenso.

  • Evite buscar recordes pessoais em dias de calor extremo.

Essas medidas ajudam o corpo a lidar melhor com o calor sem comprometer o desempenho a longo prazo. Adaptar o treino não significa desistir da corrida, mas sim treinar de forma mais inteligente.

Calor não deve ser subestimado por quem corre

O calor extremo transforma uma atividade que deveria ser saudável em um fator de risco quando não recebe a devida atenção. Reconhecer os sinais do próprio corpo é tão importante quanto seguir um plano de treino.

Se durante a corrida aparecer qualquer sintoma mais intenso, o ideal é parar, buscar sombra, se hidratar e observar a evolução do quadro. Em casos de dor no peito, desmaio, confusão mental ou falta de ar importante, a orientação é buscar atendimento médico sem demora.

No fim, o calor pode e deve ser respeitado por quem pratica corrida. Com pequenos ajustes de horário, ritmo e hidratação, é possível continuar treinando com segurança mesmo nos dias mais quentes do ano.

Sport Life
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