Endometriose após os 40: médico explica por que o diagnóstico costuma demorar
Sintomas que foram tratados como "normais" durante anos podem atrasar a investigação e o diagnóstico da condição
A endometriose pode ser diagnosticada tardiamente após os 40 anos, sobretudo pela normalização histórica das cólicas menstruais intensas. Causada pelo crescimento de tecido fora do útero, a doença gera dores pélvicas e pode prejudicar a fertilidade e a rotina da mulher. Médicos alertam que sintomas incapacitantes não devem ser ignorados, reforçando que tratamentos clínicos ou cirúrgicos personalizados garantem qualidade de vida e eficácia mesmo em diagnósticos tardios.
A endometriose não afeta apenas mulheres mais jovens. Embora muitas pacientes descubram a doença ainda na idade reprodutiva, algumas recebem o diagnóstico pela primeira vez depois dos 40 anos. Em certos casos, os sintomas acompanham a mulher por muito tempo, mas ninguém investiga a causa.
A condição surge quando um tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero. Esse tecido pode alcançar diferentes regiões da pelve e provocar cólicas intensas, dor pélvica, dor durante as relações sexuais e alterações intestinais ou urinárias. A intensidade dos sintomas, contudo, varia de uma mulher para outra.
Por que o diagnóstico pode demorar?
Um dos principais obstáculos para identificar a condição envolve a naturalização da dor menstrual. Durante anos, muitas mulheres encaram as cólicas fortes como parte inevitável do ciclo e só procuram ajuda quando os sintomas começam a atrapalhar de forma significativa a rotina.
Segundo o ginecologista e obstetra Marcos Tcherniakovsky, esse cenário explica por que algumas pacientes chegam aos 40 anos sem saber que têm endometriose. "As mulheres conviveram durante décadas com sintomas considerados normais. Não é raro encontrarmos pacientes que passaram anos tratando apenas a dor, sem investigar sua causa", destaca.
O atraso no diagnóstico merece atenção porque a endometriose pode afetar diferentes áreas da vida. Além da dor, a doença pode prejudicar o trabalho, os relacionamentos, o bem-estar emocional e a fertilidade. Por isso, a mulher deve procurar avaliação médica quando apresenta sintomas persistentes ou incapacitantes, independentemente da idade.
Endometriose e o que muda depois dos 40?
A chegada aos 40 anos também pode coincidir com uma fase em que muitas mulheres repensam os planos relacionados à maternidade. Nesse contexto, portanto, conhecer a própria saúde reprodutiva se torna ainda mais importante para quem deseja engravidar.
O tratamento, porém, não segue uma única fórmula. Isso porque o médico considera os sintomas, a localização e a extensão da endometriose, além dos objetivos de cada paciente. Entre as possibilidades estão medicamentos, acompanhamento clínico e, em situações específicas, cirurgia.
Por isso, receber o diagnóstico mais tarde não significa que a mulher não possa tratar a doença. O mais importante é não encarar a dor intensa como algo que simplesmente precisa suportar. "Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as possibilidades de preservar a qualidade de vida e a fertilidade, quando esse for o desejo da paciente", destaca o especialista.
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