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Emagrecer não é punir o corpo: veja os erros silenciosos de quem come menos e se move errado

Cortar calorias drasticamente e exagerar nos treinos pode parecer o caminho mais rápido para perder peso no início do ano, mas na prática, essa estratégia costuma fazer o oposto; entenda

13 jan 2026 - 10h24
(atualizado às 10h51)
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Janeiro começa, a balança acusa os excessos de dezembro e a decisão parece óbvia: comer menos e se mexer mais. Academias cheias, dietas restritivas, jejum prolongado, treinos diários sem descanso. Primeiramente, o problema é que esse movimento coletivo, apesar de bem-intencionado, costuma repetir um erro clássico que explica por que tanta gente fracassa antes mesmo do Carnaval.

Cortar calorias e exagerar nos treinos pode parecer um caminho rápido para emagrecer, mas na prática, essa estratégia costuma fazer o oposto
Cortar calorias e exagerar nos treinos pode parecer um caminho rápido para emagrecer, mas na prática, essa estratégia costuma fazer o oposto
Foto: depositphotos.com / Mark Adams / Bons Fluidos

"O corpo não responde bem a choque. Então quando a pessoa reduz demais a comida e aumenta o gasto físico sem estratégia, o organismo entra em modo de defesa", explica o médico nutrólogo, Dr. Ronan Araujo, especialista em emagrecimento e metabolismo. "Em vez de emagrecer melhor, o corpo passa a economizar energia."

Comer menos não significa emagrecer melhor

O primeiro equívoco está na ideia de que quanto menos se come, mais rápido se emagrece. Dietas muito restritivas reduzem rapidamente o consumo de energia, mas também provocam queda de hormônios importantes, como leptina e hormônios tireoidianos, responsáveis por regular o gasto calórico.

Além disso, o corpo começa a priorizar a perda de massa muscular, e não de gordura. Como o músculo é metabolicamente ativo, sua perda reduz ainda mais o gasto energético diário. O resultado é um metabolismo mais lento e um emagrecimento cada vez mais difícil. "Em muitos pacientes, o peso até cai nas primeiras semanas, mas às custas de músculo e água. A gordura, que deveria ser o alvo, fica preservada", alerta.

O outro lado do erro: se mover errado

Janeiro também costuma ser o mês dos excessos nos treinos. Pessoas sedentárias passam a treinar todos os dias, sem progressão, sem descanso e, muitas vezes, focando apenas em atividades aeróbicas longas. Esse tipo de abordagem aumenta o estresse fisiológico, eleva o cortisol e dificulta a recuperação muscular. Com cortisol alto, o corpo tem mais dificuldade de queimar gordura e maior tendência a armazená-la, especialmente na região abdominal. "O movimento é fundamental, mas ele precisa ser inteligente. Treinar demais, sem base nutricional e sem recuperação adequada, atrapalha mais do que ajuda", explica o nutrólogo.

Quando o emagrecimento vira adaptação metabólica

A soma de pouca comida com excesso de estímulo físico cria o cenário ideal para a chamada adaptação metabólica. O organismo aprende a funcionar com menos energia, reduz o gasto calórico basal e passa a reagir cada vez menos aos mesmos esforços. É por isso que muitas pessoas relatam: "no começo emagreci, depois parei". Não é falta de disciplina. É o corpo se protegendo.

O papel esquecido da massa muscular

Um dos pontos mais negligenciados no emagrecimento de janeiro é a preservação, e o ganho, de massa muscular. O músculo é um dos maiores aliados do metabolismo saudável, da sensibilidade à insulina e da manutenção do peso a longo prazo. Treinos de força, alimentação adequada em proteínas e descanso fazem parte de qualquer estratégia eficiente de emagrecimento. Ignorar isso é abrir caminho para o efeito sanfona.

Emagrecer não é punir o corpo

Para o especialista, o maior erro de janeiro é tratar o corpo como inimigo a ser corrigido rapidamente. "Emagrecer não é castigo pelo que foi feito em dezembro. É um processo de reorganização do corpo. Quando há estratégia, o resultado vem com menos sofrimento e mais durabilidade", conclui.

O que funciona de verdade em janeiro

Em vez de cortes radicais e excessos nos treinos, a abordagem mais eficaz envolve:

  • Ajustes graduais na alimentação, sem restrições extremas
  • Prioridade para proteína, fibras e comida de verdade
  • Treinos de força combinados com atividade aeróbica moderada
  • Sono adequado e recuperação
  • Avaliação individualizada do metabolismo

Janeiro não deveria ser o mês do desespero, mas da estratégia. Comer menos e se mover errado pode parecer lógico, mas costuma ser o principal motivo pelo qual o emagrecimento trava tão cedo. Quando o corpo é respeitado e não atacado, ele responde melhor, com resultados mais consistentes e sustentáveis ao longo do ano.

*Matéria feita em parceria com Roneia Forte Assessoria

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