Dor ou normalidade? O sinal silencioso que pode levar até 12 anos para ser descoberto
Entenda como essa doença inflamatória age no corpo e por que o diagnóstico precoce é o maior aliado da sua fertilidade
Muitas mulheres descobrem a endometriose apenas quando o sonho da maternidade encontra obstáculos inesperados. Silenciosa e frequentemente negligenciada, essa doença crônica ocorre quando um tecido semelhante ao revestimento do útero cresce em outros órgãos da pelve. Segundo o ginecologista Dr. Vinicius Bassega, especialista em reprodução assistida, a condição atinge cerca de 10% das mulheres em idade fértil e está por trás de até 40% dos casos de dificuldade para engravidar.
Como a inflamação trava a gravidez
A doença cria um ambiente hostil no sistema reprodutor, interferindo desde a produção de óvulos até a implantação do embrião. "O processo inflamatório pode prejudicar ovários, trompas e útero, afetando óvulos, espermatozoides e embriões", explica o especialista. Além disso, a formação de aderências pode obstruir as trompas, reduzindo drasticamente as chances de uma gestação natural para taxas entre 2% e 10% ao mês. Mesmo mulheres com rotina saudável podem desenvolver o quadro, já que fatores genéticos e a menstruação precoce possuem peso determinante.
Embora o estilo de vida não impeça o surgimento da doença, ele é um pilar no controle dos sintomas. Dietas ricas em fibras, frutas cítricas e ômega-3 ajudam a reduzir a inflamação e a fadiga. Por outro lado, o consumo excessivo de frituras, álcool e carne vermelha pode agravar as dores. Identificar o problema, no entanto, é o maior desafio atual: a média de tempo para o diagnóstico correto varia de 5 a 12 anos, pois cólicas intensas e dores pélvicas são frequentemente confundidas com sintomas menstruais comuns.
Sinais de alerta e as novas soluções
Ficar atenta a sinais como dor durante as relações sexuais, fadiga intensa e alterações intestinais durante o ciclo é fundamental para evitar complicações futuras. Quando não tratada, a endometriose pode aumentar os riscos de pré-eclâmpsia e parto prematuro durante uma eventual gestação. A boa notícia é que os avanços na medicina oferecem caminhos eficazes. Técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV), apresentam resultados excelentes, e cirurgias minimamente invasivas podem remover as lesões e restaurar a fertilidade.
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