Dor de cabeça no período menstrual não é normal: neurologista explica por que você não deve ignorar sinal
Embora seja comum no ciclo feminino, o sintoma pode indicar uma doença neurológica que exige atenção e tratamento adequado
Dores de cabeça no período menstrual não devem ser normalizadas, pois costumam indicar enxaqueca ligada a oscilações hormonais, sobretudo a queda de estrogênio. O sintoma afeta a qualidade de vida e exige atenção médica para um diagnóstico correto, evitando a automedicação e o agravamento do quadro. O acompanhamento com neurologista ou ginecologista permite identificar gatilhos específicos e adotar tratamentos preventivos eficazes, além de descartar outras possíveis condições de saúde.
Para muitas mulheres, o ciclo menstrual vem acompanhado de um incômodo bastante conhecido. A dor de cabeça surge pouco antes do sangramento, atravessa os primeiros dias do fluxo e se repete no mês seguinte. Por causa dessa rotina, o sintoma acaba sendo encarado como algo natural. Contudo, especialistas alertam que essa enxaqueca frequente não deve ser normalizada.
De acordo com o Dr. Tiago de Paula, neurologista membro da International Headache Society (IHS), o sinal merece atenção. "É importante ressaltar que, ao contrário de uma crença comum, inclusive entre alguns médicos, a menstruação não causa a enxaqueca. As crises ocorrem nesse período em pessoas que já apresentam predisposição genética. Não se trata de uma doença diferente chamada enxaqueca menstrual, mas de uma crise que ocorre próxima ao período menstrual", explica.
O papel dos hormônios no cérebro
Nesse sentido, as variações hormonais do período atuam apenas como um gatilho. A queda nos níveis de estrogênio aumenta a excitabilidade do cérebro, facilitando a dor. Por outro lado, a oscilação não significa que o problema apareça exclusivamente no ciclo.
"A alteração hormonal funciona como um facilitador da crise em um cérebro que já é predisposto. A paciente que tem enxaqueca pode apresentar crises em outros momentos do ciclo menstrual. A fase próxima à menstruação representa apenas um período de maior vulnerabilidade, especialmente quando existe exposição simultânea a outros gatilhos", detalha
Além disso, é comum culpar o estresse ou a ansiedade da TPM. No entanto, o médico esclarece que o estado emocional pode ser apenas outro sintoma da mesma sensibilidade cerebral. "Mas essas alterações também podem ser manifestações da maior excitabilidade cerebral e não necessariamente a causa da crise. A paciente pode ficar mais ansiosa ou irritada e, ao mesmo tempo, apresentar dor, o que não significa que o estado emocional tenha provocado a enxaqueca", pontua o Dr. Tiago de Paula.
Sintomas além da enxaqueca frequente
A enxaqueca vai muito além de um desconforto localizado e afeta diretamente a qualidade de vida. Entre os sinais mais frequentes associados ao quadro, destacam-se:
-
Náuseas e enjoos frequentes
-
Sensibilidade intensa à luz, sons e cheiros
-
Dificuldade para realizar tarefas rotineiras
O que fazer quando notar o padrão?
Portanto, identificar o padrão é o primeiro passo para buscar ajuda. "A ocorrência de dor de cabeça em praticamente todos os ciclos menstruais merece atenção. Nesses casos, é importante procurar avaliação médica para investigar a possibilidade de enxaqueca e receber o tratamento indicado", orienta.
Da mesma forma, registrar o calendário das dores ajuda no diagnóstico preciso: "Anotar as datas das crises e da menstruação ajuda a identificar se existe uma relação consistente com o ciclo. Muitas vezes, a paciente sabe que sente dor com frequência, mas só reconhece esse padrão quando começa a acompanhá-lo".
Por fim, recorrer aos analgésicos sem orientação médica a cada mês traz riscos sérios. Esse hábito pode gerar a chamada cefaleia por uso excessivo de medicação, piorando a sensibilidade do sistema nervoso. "A paciente pode entrar em um ciclo de piora. O uso excessivo de medicamentos para as crises pode sensibilizar ainda mais o sistema nervoso, fazer com que as dores se tornem mais frequentes e dificultar o controle da doença. Com o tempo, elas podem passar a ocorrer também fora do período próximo à menstruação", alerta.
Em suma, o caminho ideal envolve prevenções de longo prazo e acompanhamento neurológico constante. "A menstruação pode funcionar como um facilitador ou gatilho, mas a enxaqueca é uma doença neurológica e deve ser tratada como tal. Tratar a enxaqueca não é apenas controlar a crise daquele dia. Também envolve estratégias preventivas para reduzir a sensibilidade do cérebro e impedir que as crises continuem se repetindo. Quando a doença está bem controlada, mesmo a exposição aos gatilhos pode não ser suficiente para provocar a dor", finaliza o médico.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.