Do luto à esperança: cadela que vivia em túmulo do tutor é adotada
A cachorrinha que vivia em um buraco no jazigo do antigo dono foi resgatada por uma ONG e adotada por uma nova família
Quem visitava o Cemitério Recanto da Paz, em Araçatuba, no interior de São Paulo, costumava se surpreender com uma cena comovente. Durante cerca de dez meses, uma cadela permaneceu junto ao túmulo do tutor, enterrado no local. A história, marcada por fidelidade e luto, ganhou um novo capítulo recentemente, quando o animal foi adotado.
A shih-tzu vivia abrigada em um buraco no jazigo do antigo dono. Funcionários do cemitério se encarregavam de alimentá-la, mas ela evitava contato com visitantes e reagia à aproximação de estranhos. A rotina silenciosa só mudou após o resgate feito por uma ONG.
O caso chegou às redes sociais e chamou a atenção da dentista Daniele Paiva Lombardi, que se sensibilizou ao conhecer a trajetória da cadela. Com o apoio do marido, o policial militar Pedro Henrique Brito Pazian, ela decidiu oferecer um novo lar ao animal, que passou a se chamar Amora.
Como foi o resgate?
O resgate foi conduzido pela equipe liderada por Mariana Calarge, responsável pela ONG. Em entrevista à TV TEM, ela explicou que a ação exigiu planejamento, paciência e o trabalho conjunto de várias pessoas. "A gente precisou de ajuda de duas ou três pessoas. Vimos o horário em que ela ficava no túmulo, dentro de um buraco, o que tornava mais fácil cercar, porque, quando estava fora, era muito difícil correr atrás dela. Fomos com rede, caixa de transporte e conseguimos cercá-la. Ela ainda rosnou, ameaçou morder, mas conseguimos pegá-la", contou ela.
Após o resgate, Amora passou por exames, recebeu cuidados e ganhou um novo visual. Aos poucos, voltou a confiar no contato humano. Hoje, a cadela vive uma realidade completamente diferente, cercada de segurança, afeto e atenção no novo lar. "Para nós, foi uma surpresa. Não esperávamos adotar um cachorro. Vi toda a história no Instagram e aquilo mexeu comigo. Comentei na publicação sem saber se daria certo, e realmente deu. Era para ser. Mostrei a postagem para o Pedro, e ele foi o maior incentivador", relata Daniele.
Pedro compara a trajetória da cadela ao filme 'Sempre ao Seu Lado' (2009), que retrata a lealdade de um cachorro que espera o tutor por anos mesmo após sua morte. Diferentemente da ficção, Amora teve a chance de recomeçar. "A história dela me fez lembrar do filme 'Sempre ao Seu Lado', que mostra uma história parecida. Esse cãozinho é muito leal, merece uma segunda chance, todo cuidado e amor. Ela trouxe um ambiente mais cheio e feliz para a nossa casa. Com a presença da Amora, muitas coisas mudaram na nossa rotina — e mudaram para melhor", finaliza o policial militar.
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