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Djamila Ribeiro explica por que o autocuidado também pode ser um ato revolucionário

Filósofa destaca que cuidar de si vai além da estética e pode transformar a maneira como nos relacionamos com outras pessoas

17 ago 2026 - 22h28
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Cuidar de si não significa apenas reservar um momento para fazer skincare ou seguir uma rotina de beleza. Para Djamila Ribeiro, o autocuidado também envolve atenção à própria saúde emocional e pode mudar a forma como enxergamos e acolhemos outras pessoas. Em um trecho de uma mesa do Fliaraxá, realizada em 2024, a filósofa falou sobre como o cuidado consigo mesma pode ter efeitos que vão além do indivíduo. Segundo ela, quando uma pessoa cuida das próprias emoções, também consegue desenvolver um olhar mais generoso para quem está ao seu redor.

Djamila Ribeiro fala sobre o autocuidado como uma forma de resistência e transformação
Djamila Ribeiro fala sobre o autocuidado como uma forma de resistência e transformação
Foto: Reprodução Instagram/@djamilaribeiro1/Canva / Bons Fluidos

Autocuidado vai além da estética

Djamila destaca que práticas como skincare também podem fazer parte do autocuidado. No entanto, para ela, limitar esse conceito aos cuidados estéticos deixa de lado uma dimensão importante da relação que cada pessoa estabelece consigo mesma. Nesse sentido, cuidar de si também significa prestar atenção aos próprios sentimentos e reconhecer aquilo que pode levar ao sofrimento ou ao adoecimento.

O autocuidado como revolução

Ao falar sobre o tema, Djamila recupera uma ideia da escritora Audre Lorde: em um mundo que pode nos machucar e levar ao adoecimento, cuidar de si também pode ser uma forma de resistência. Além disso, a filósofa afirma que conseguir ser feliz em uma realidade que muitas vezes incentiva a tristeza e a infelicidade também representa um ato revolucionário. Assim, preservar a própria felicidade deixa de ser apenas uma questão individual.

Cuidar de si também muda a relação com o outro

Para Djamila, esse cuidado também interfere na maneira como nos relacionamos com outras pessoas. Afinal, quando existe atenção às próprias emoções, pode surgir uma maior capacidade de acolher e compreender quem está ao redor. Por isso, o autocuidado não precisa significar isolamento. Pelo contrário, ele pode contribuir para relações mais generosas e para uma convivência menos marcada por conflitos.

Contra a lógica da rivalidade

Djamila também relaciona o autocuidado à forma como as mulheres são incentivadas a competir umas com as outras. Ela questiona a ideia de que, diante de poucas oportunidades, mulheres precisariam disputar entre si para conseguir espaço. Em vez disso, a filósofa defende que é preciso questionar a estrutura que produz essa escassez. Dessa forma, o cuidado também passa pela construção de relações baseadas em apoio e solidariedade, e não em rivalidade.

Uma escolha que ultrapassa o indivíduo

A reflexão de Djamila mostra, portanto, que o autocuidado pode ter uma dimensão coletiva. Cuidar das próprias emoções, preservar a felicidade e cultivar relações mais acolhedoras também são maneiras de resistir a uma lógica que incentiva a competição e o adoecimento. No fim, a proposta é olhar para o autocuidado para além da aparência: como uma forma de preservar a si mesma e, ao mesmo tempo, construir relações mais humanas.

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