Dicas Essenciais para Proteger Crianças de Acidentes com Eletricidade
Tomadas, carregadores, fios soltos e áreas molhadas podem provocar acidentes domésticos; saiba como fazer as devidas mudanças
Para prevenir acidentes elétricos com crianças, especialistas recomendam medidas práticas, como proteger tomadas baixas, recolher cabos e carregadores e impedir o uso de eletrônicos com o corpo molhado. Manter a rede elétrica revisada com dispositivos de segurança, como o DR, também é fundamental. Em situações de choque, a prioridade é desligar a chave geral de energia antes de tocar na vítima e acionar imediatamente o socorro médico de emergência pelo Samu.
Quem tem criança em casa sabe que basta um segundo de distração para a curiosidade encontrar o perigo. Quando o assunto é eletricidade, alguns riscos estão em objetos tão comuns que passam despercebidos na rotina da família.
Tomadas, cabos e carregadores ficam ao alcance das mãos dos pequenos e merecem atenção redobrada. Segundo o engenheiro eletricista e CEO da P3 Engenharia, Jones Poffo, muitos acidentes domésticos podem ser evitados com informação e adaptações na instalação elétrica.
Tomadas baixas e objetos metálicos
As tomadas instaladas próximas ao chão ficam ao alcance de bebês e crianças pequenas, que costumam explorar o ambiente com as mãos e a boca. Clipes, chaves, talheres e brinquedos metálicos podem ser introduzidos nos orifícios e provocar choques elétricos.
"A solução mais simples é usar protetores de tomada certificados, daqueles firmes, que só saem com pressão ou giro e que a criança não consegue remover. Onde for possível, também vale posicionar móveis pesados em frente aos pontos de energia mais baixos", orienta Jones.
O engenheiro lembra que o formato do plugue brasileiro ajuda a dificultar o contato acidental com partes energizadas, mas não elimina todos os riscos. Por isso, a supervisão dos adultos e as medidas de proteção continuam necessárias.
Carregadores de celular ligados na tomada
Deixar o carregador conectado à tomada depois de usar o celular é um hábito comum. Porém, o acessório pode representar um risco quando fica ao alcance das crianças, especialmente se houver cabos danificados ou equipamentos fora dos padrões de segurança.
"Terminou de carregar? Tire o carregador da tomada e guarde o cabo fora do alcance das crianças. É um gesto de segundos que elimina um risco", diz o engenheiro.
A recomendação também vale para o uso dos aparelhos eletrônicos. Crianças não devem manusear celulares e tablets conectados à tomada em locais úmidos ou com as mãos molhadas. Cabos e carregadores precisam ser mantidos longe do alcance dos pequenos.
Água e eletricidade: uma combinação perigosa
A água pode facilitar a passagem da corrente elétrica pelo corpo, e a pele molhada oferece menos resistência à eletricidade. Por isso, é importante manter aparelhos e carregadores longe de pias, banheiras, duchas e piscinas.
A atenção deve continuar depois do banho ou da brincadeira na água. Também é importante evitar o contato com eletrodomésticos quando o corpo ou as mãos estão molhados.
"Em casas com piscina, é muito comum a criança sair da água e correr para abrir a geladeira. É justamente nessa hora que o risco de choque aumenta", alerta Jones.
Nessas situações, o ideal é secar completamente o corpo e as mãos antes de manusear equipamentos elétricos. A instalação também deve contar com os dispositivos de proteção adequados, especialmente em áreas sujeitas à umidade.
Fios soltos, extensões e aparelhos quentes
Cabos espalhados pelo chão podem chamar a atenção das crianças, que tentam puxá-los. Se houver um aparelho conectado na outra ponta, ele pode cair e provocar ferimentos.
Para evitar acidentes, mantenha fios organizados e fora do alcance dos pequenos. Também evite o uso excessivo de adaptadores, conhecidos como benjamins, em uma única tomada. A sobrecarga pode causar aquecimento e aumentar o risco de curto-circuito e incêndio.
"É importante também se atentar a ferros de passar, secadores, chapinhas e outros aparelhos que continuam quentes por um bom tempo depois de desligados. Eles devem ser guardados em locais altos, fora do alcance dos pequenos. Em casas de praia ou de campo, onde as crianças circulam com mais liberdade, vale também uma inspeção em busca de fios expostos ou descascados", orienta Jones.
Aparelhos com cabos danificados, tomadas quebradas ou sinais de aquecimento devem deixar de ser utilizados até que sejam avaliados e reparados com segurança.
Dispositivo DR: como ele ajuda a prevenir choques elétricos?
Entre os recursos de segurança elétrica que merecem atenção está o Dispositivo Diferencial Residual (DR). Instalado no quadro de distribuição, ele detecta fugas de corrente e desliga o circuito quando identifica uma situação de risco.
O dispositivo é especialmente importante para reduzir o risco de choques elétricos. No entanto, não substitui outros cuidados, como o aterramento, a manutenção da instalação e a supervisão das crianças.
"Muita gente tem DR no quadro e nunca testou, e muita gente nem sabe se tem. Vale chamar um profissional qualificado para verificar se ele existe, se está funcionando e se a instalação está de acordo com a norma", afirma Jones.
A instalação elétrica deve seguir os requisitos técnicos aplicáveis, incluindo a NBR 5410, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Em áreas molhadas e próximas a piscinas, o aterramento e os demais dispositivos de proteção precisam ser avaliados por um profissional qualificado.
6. O que fazer se uma criança levar um choque elétrico?
Em caso de choque elétrico, a primeira medida é não tocar na pessoa enquanto ela estiver em contato com a fonte de energia. A corrente pode passar para quem tenta ajudar.
Conforme Jones, a orientação é desligar a chave geral ou o disjuntor no quadro de distribuição. Se isso não for possível, não tente afastar a pessoa com as mãos nem use objetos improvisados sem ter certeza de que a energia foi interrompida.
Depois de garantir que não há risco elétrico para quem presta socorro, acione o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192, ou o Corpo de Bombeiros, pelo 193, e siga as orientações do atendente. Se a vítima estiver inconsciente, informe a situação imediatamente e siga as instruções para os primeiros socorros.
Mesmo quando não há marcas aparentes, um choque elétrico pode causar lesões. Por isso, a avaliação médica é importante, principalmente quando a criança apresenta dor, queimaduras, desmaio, dificuldade para respirar ou outros sintomas.
Como deixar a casa mais segura para as crianças?
A prevenção começa com a observação dos ambientes e a correção de situações que podem passar despercebidas na rotina. Algumas medidas ajudam a reduzir os riscos:
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Instale protetores de tomada adequados e mantenha objetos metálicos longe dos pontos de energia.
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Guarde carregadores, cabos e aparelhos elétricos fora do alcance das crianças.
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Evite o contato com equipamentos elétricos quando estiver molhado.
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Organize fios e extensões e não sobrecarregue as tomadas.
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Mantenha aparelhos quentes em locais seguros até que esfriem completamente.
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Peça a um profissional qualificado para verificar o aterramento, o dispositivo DR e as condições gerais da instalação elétrica.
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