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Dia Nacional das Artes: conheça a arteterapia e seus benefícios para a saúde mental

Sem exigir experiência artística, a prática abre espaço para criatividade, expressão e novas formas de comunicação, o que ajuda a manter o equilíbrio emocional

11 ago 2026 - 19h40
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No Dia Nacional das Artes, celebrado em 12 de agosto, a arteterapia ganha destaque como uma possibilidade de cuidado que utiliza a criação artística para trabalhar questões relacionadas à saúde mental. Pintura, desenho, música, escrita e outras linguagens podem servir como caminhos para a expressão de experiências que nem sempre encontram espaço na comunicação cotidiana.

Sem exigir experiência artística, a arteterapia abre espaço para criatividade, expressão e novas formas de comunicação
Sem exigir experiência artística, a arteterapia abre espaço para criatividade, expressão e novas formas de comunicação
Foto: Vitaly Gariev/Pexels / Bons Fluidos

A prática não exige conhecimento técnico nem busca avaliar se uma produção ficou bonita ou correta. O processo criativo ocupa o centro da proposta, permitindo que cada pessoa explore materiais e linguagens de acordo com suas possibilidades.

Como funciona a arteterapia?

Durante o acompanhamento, o profissional pode utilizar diferentes atividades artísticas de acordo com os objetivos definidos para cada pessoa. A escolha da técnica, portanto, não segue uma fórmula única.

Em vídeo produzido pelo Instituto Claro, Carlos Aluísio de Siqueira, assistente técnico do Nutrarte, serviço de saúde mental de São Bernardo do Campo (SP), explica a perspectiva adotada no trabalho.

"A arteterapia é uma ferramenta de extrema importância para nós porque ela vai trazer coisas que a gente não consegue acessar fisicamente. Ela vem de uma filosofia de trazer o que está dentro para fora", afirmou no registro publicado no Youtube.

A proposta pode aparecer tanto em atendimentos quanto em atividades coletivas. Nesse último caso, o contato com outras pessoas acrescenta uma dimensão social à experiência.

Quais benefícios a prática pode oferecer?

Os efeitos variam de acordo com cada indivíduo e não significam que a arteterapia substitua outros tratamentos. Dentro de um acompanhamento profissional, contudo, a atividade pode contribuir para diferentes aspectos da vida. Entre os possíveis benefícios estão:

  • Expressão emocional: a criação oferece outra maneira de manifestar sentimentos e experiências;
  • Autoconhecimento: o processo pode estimular a pessoa a observar pensamentos, emoções e escolhas;
  • Autoestima: desenvolver uma atividade e perceber a própria capacidade de criação pode fortalecer a confiança;
  • Socialização: oficinas em grupo favorecem encontros e a construção de vínculos;
  • Autonomia: escolher materiais e decidir os caminhos de uma produção coloca o participante em uma posição ativa;
  • Bem-estar: reservar tempo para uma atividade criativa pode proporcionar satisfação e envolvimento com o presente.

Uma das características da prática é justamente não depender de habilidade artística. O valor está na experiência e no significado que a atividade assume para quem participa. Isso porque a pintura pode ter importância para quem a produz mesmo que não siga técnicas ou padrões artísticos.

O legado de Nise da Silveira

No Brasil, a aproximação entre arte e saúde mental tem uma referência histórica importante em Nise da Silveira. A médica psiquiatra questionou métodos agressivos utilizados em instituições psiquiátricas e defendeu formas mais humanizadas de cuidado.

Ao permitir que seus pacientes tivessem contato com pintura e outras atividades expressivas, Nise também passou a observar suas produções como manifestações de suas experiências internas.

Seu trabalho se tornou uma referência para a transformação da assistência psiquiátrica brasileira e dialoga com os princípios da luta antimanicomial, que defende o cuidado em liberdade e a inclusão social.

Quando a arte ganha espaço na vida cotidiana

O contato com atividades criativas também pode abrir portas para outras experiências. Paulo, de 32 anos, por exemplo, encontrou na criação artística uma possibilidade de reconstruir sua relação com a própria vida. Ele procurou atendimento no CAPS por iniciativa própria, em um período de intenso sofrimento psíquico, e atualmente se identifica como artista plástico.

"Me sinto incrível, me sinto vivo, com potencial. Antes não via valor em mim mesmo. Não conseguia mais fazer nada. É aqui que me sinto bem, é aqui que eu pretendo continuar até o fim", contou no vídeo.

Bons Fluidos
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