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Dia Mundial do Judô: prática pode ajudar idosos a prevenir quedas

Pesquisa da Unicamp associa artes marciais a ganhos de equilíbrio, força muscular e convivência social na terceira idade

28 out 2026 - 07h37
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Resumo
Celebrado em 28 de outubro, o Dia Mundial do Judô destaca os ganhos da prática na terceira idade. Segundo estudo da Unicamp, artes marciais como judô e aikido ajudam idosos a recuperar o tônus muscular, aprimorar o equilíbrio e aprender a cair, prevenindo acidentes graves que afetam um terço das pessoas acima de 65 anos. Além da proteção física, a atividade promove saúde mental e longevidade ao proporcionar respeito, fortalecimento de laços sociais e a transmissão de conhecimentos a jovens.

O Dia Mundial do Judô, celebrado em 28 de outubro, chama atenção para benefícios da modalidade que vão além dos públicos mais associados à prática, como crianças e adultos. Entre pessoas mais velhas, a arte marcial podem contribuir para manter o corpo ativo e reduzir fatores relacionados às quedas, um problema frequente durante o envelhecimento.

Segundo especialista, judô pode contribuir para preservar força, equilíbrio e vínculos sociais durante o envelhecimento
Segundo especialista, judô pode contribuir para preservar força, equilíbrio e vínculos sociais durante o envelhecimento
Foto: CasarsaGuru/Getty Images Signature / Bons Fluidos

Uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), da Unicamp, analisou praticantes seniores de judô e aikido. O estudo, então, observou que esse tipo de treinamento pode favorecer tanto a recuperação muscular quanto a capacidade de reagir melhor diante de uma perda de equilíbrio.

"Isso acontece porque esse tipo de treinamento favorece a recuperação do tônus muscular e ainda ensina o idoso a cair", explicou o professor Eduardo Hebling, responsável pela pesquisa, em entrevista ao 'Jornal da Unicamp'.

Judô pode contribuir para a prevenção de quedas

Com o avanço da idade, a redução gradual da força muscular pode comprometer a estabilidade e aumentar a vulnerabilidade a acidentes. Dados do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) indicam que um em cada três indivíduos com mais de 65 anos sofre uma queda.

Entre aqueles com 80 anos ou mais, 40% passam por pelo menos um episódio desse tipo a cada ano. A gravidade também preocupa: a cada 20 pessoas que caem, uma sofre uma fratura que exige internação. "As consequências dessas quedas são variadas, sendo que boa parte delas é muito séria. Infelizmente, muitos casos evoluem para a invalidez e até mesmo a morte das vítimas. Um bom modo de prevenir esses casos, que trazem sofrimento ao paciente e grande custo social ao país, é estimular a prática de atividades físicas", afirmou Hebling.

Segundo informações do Into reunidas pelo estudo, programas de exercícios realizados por períodos entre dez semanas e nove meses podem reduzir em 10% a probabilidade de quedas. Treinamentos específicos de equilíbrio aparecem associados a uma diminuição de até 25%.

Pesquisa acompanhou praticantes por décadas

O trabalho da Unicamp teve caráter qualitativo e ouviu 24 homens idosos que frequentavam academias em São Paulo. Metade praticava judô; a outra metade, aikido. O tempo de permanência nas modalidades chamou atenção. "No caso do aikido, os entrevistados o praticavam, em média, há 37 anos. No do judô, há 51 anos", informou o pesquisador.

A pesquisa, então, buscou entender por que esses participantes continuaram praticando artes marciais durante tanto tempo. Além dos benefícios físicos, muitos relataram valorizar o respeito recebido dentro do ambiente esportivo e a possibilidade de transmitir conhecimento às gerações mais novas.

"As duas artes marciais consideradas no estudo são originárias de países orientais, onde a figura do idoso é reverenciada. Nesses países, o velho não é visto como um fardo, mas sim como uma reserva de conhecimento que precisa ser valorizada. Dessa forma, esses praticantes de judô e aikido disseram que se sentem respeitados no ambiente do esporte. Além disso, eles também revelaram que não abandonam a atividade porque se veem na obrigação de repassar o conhecimento adquirido ao longo de décadas às novas gerações", relatou Hebling.

Esse aspecto ganha importância porque os vínculos sociais também podem favorecer o bem-estar emocional na terceira idade. "Diversas pesquisas indicam que pessoas que mantêm fortes vínculos familiares e de amizade são mais felizes e por isso adoecem menos. No caso dos idosos, esse aspecto é ainda mais significativo, pois nesse período da vida as pessoas frequentemente se queixam da falta de atenção e afeto", concluiu o especialista.

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