Leon e Nilce: em 11 anos juntos, o que um mudou no outro?

Em entrevista ao Terra, youtubers do Coisa de Nerd falam sobre o amadurecimento do casal

12 jun 2020
09h00
atualizado às 14h55
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Os youtubers Leon Martins e Nilce Moretto são um dos casais mais amados da internet. Juntos há 11 anos, eles acumulam mais de 10 milhões de inscritos no canal principal Coisa de Nerd, que fala sobre games, tecnologia e ciência.

Para se ter uma ideia do carinho que os dois têm, uma pesquisa divulgada pelo próprio YouTube em 2016 os colocou no terceiro lugar da lista de brasileiros mais influentes do país entre os jovens. Os fatores de sucesso, segundo os entrevistados, eram ser autênticos, originais, inteligentes e ter um bom senso de humor.

Essas características tornam Leon e Nilce um casal tão gostoso de se acompanhar. É comum encontrar vídeos em que os dois aprendem a jogar um game novo, assistem a vídeos engraçados, respondem a perguntas aleatórias dos fãs ou até façam reformas em casa; eles se mudaram para o Canadá em 2014. Embora a maioria dos conteúdos permeiem o mundo da tecnologia, eles não se calam sobre assuntos importantes, como política, economia e questões sociais. 

Os dois se mudaram para o Canadá em 2014, após receberem uma proposta de trabalho
Os dois se mudaram para o Canadá em 2014, após receberem uma proposta de trabalho
Foto: Arquivo pessoal / Pedro Amora

Os dois aparecem frequentemente colados nos vídeos, seja dando risadas, trocando carícias ou zombando um do outro. Mas nem sempre foi assim: eles se conheceram através de uma comunidade do finado Orkut, e namoraram à distância por meses — Nilce era repórter de televisão em Goiânia (GO) e Leon fazia mestrado na Alemanha.

Foi na gringa que o analista de relações internacionais começou o Coisa de Nerd, em 2010. Na época, o canal servia como um escape dos estresses acadêmicos; ele estudava os efeitos culturais da franquia 'Call of Duty', e, por isso, gravava e comentava o jogo. Quando ele terminou os estudos, voltou para o Brasil e casou-se com ela. O resto você já sabe (ou deve ter assistido).

Além do canal principal, os dois comandam o Cadê a Chave?, com bastidores, daily vlogs e pitacos sobre atualidades, com quase 4 milhões de seguidores, e o República Coisa de Nerd, com vídeos reacts e desafios. O casal também têm outras empreitadas, como o podcast Quero Ouvir e o canal Financeiro.

É muito conteúdo para um casal só.

Devido à falta de tempo na agenda, entre gravações e edições, Leon e Nilce puderam apenas responder a algumas perguntas do Terra por email. Nas mensagens, eles contam um pouco mais sobre o relacionamento e refletem sobre o amadurecimento do casal. Confira abaixo:

Antes de tudo, obrigado por toparem falar comigo. Eu me sinto obrigado a perguntar: afinal, vocês acreditam em namoro a distância? Essa distância era considerada um problema para vocês?

Leon e Nilce: Obrigada você, Felipe. Não temos como não acreditar porque não só vivemos um namoro à distância, mas um casamento à distância. Ficamos separados dois anos depois de casados, e deu certo com a gente, estamos aqui (risos).

Nilce: Mas é difícil e não sei se todo mundo dá conta e consegue manter um relacionamento à distância, acho que é preciso um pouco de maturidade pra isso.

Leon: Eu concordo completamente, aliás é assim que você mantém um relacionamento à distância, concordando com tudo (risos).

Leon e Nilce se conheceram em uma comunidade do Orkut
Leon e Nilce se conheceram em uma comunidade do Orkut
Foto: Arquivo pessoal / Pedro Amora

Muitos internautas consideram vocês o "casal modelo" da internet. Por exemplo: lembro que quando William Bonner e Fatima Bernardes se separaram, muitos escreveram que vocês eram a última esperança do amor eterno (risos). Como vocês analisam isso? Vocês se consideram um "casal modelo"?

Leon e Nilce: Toda vez que um casal de famoso se separa a gente fica sabendo porque o nosso nome vai parar nos trending topics do Twitter (risos). Foi assim com a Fátima e o William Bonner, com a Luisa Sonza e o Whinderson, e muitos outros (risos).

Nilce: Agora, acho engraçado essa coisa de casal modelo, modelo do quê? Não pode ser modelo de dança porque não dançamos juntos ou algo do tipo (risos)...

Leon: Modelo de resiliência.

Nilce: Modelo de relacionamento na boa, ficamos assim.

Vocês recebem muitos pedidos de conselhos amorosos dos fãs?

Nilce: Recebemos sim, acho que o tempo todo. Inclusive fizemos um quadro no Cadê a Chave, que é o Cadê a chave, amor? E que tem bastante coisa sobre esses conselhos e até dúvidas que recebemos.

Uma percepção que eu, particularmente, tenho de relacionamentos longos, é que eles sempre se transformam, evoluem ao longo dos anos — e isso é necessário para manter o relacionamento saudável. Vocês percebem alguma transformação do tipo no de vocês?

Leon e Nilce: Não achamos que mudou, o que mais aconteceu é que nos conhecemos mais e hoje praticamente um lê a mente do outro, é quase uma telepatia, sabe.

Vocês poderiam citar algo que o Leon mudou completamente na Nilce, e vice-versa? Seja na rotina, nos hábitos, na maneira de enxergar o mundo...

Nilce: Eu acho que o Leon me deixou mais problematizadora, mais humana e eu deixei ele mais pragmático ou não? (risos)

Leon: Acho que não mudou (risos).

Hoje, o que mais atrai, chama a atenção, um pelo outro?

Leon: O senso de humor da Nilce, com certeza, que é bem peculiar.

Nil: A visão de mundo do Leon, que também é bem peculiar e sempre me abre novos horizontes e me faz rir.

Vocês já trabalhavam juntos, em casa, antes da quarentena. Mas a pandemia e o isolamento social ensinaram alguma coisa para vocês? Como vocês lidaram com essa reviravolta?

Nilce: Basicamente nada, só duas tentativas de cortar o cabelo um do outro e deu certo.

Leon: depende o que podemos considerar ‘’deu certo’’, seria sobrevivência dos fios? (risos), se for isso, deu certo, (risos).  

Leon e Nilce: Mas nossa rotina não mudou.

Nilce: Notei como isso é normal pra gente.

Leon: Pra mim já era percebido.

Leon e Nilce: Nos mudamos um pouco antes da pandemia e aqui, na nova casa, tem espaço para dividirmos a casa e o escritório, tem quintal. Conseguimos separar a casa do escritório, que ficam em andares diferentes. Então continua a mesma coisa, a vida seguiu ‘’normal’’.

Parte da comunidade gamer é tomada pela toxicidade. Recentemente, empresas como a Microsoft e a Twitch, por exemplo, foram cobradas por permitirem conteúdos racistas em suas plataformas. Como vocês analisam essa problemática?

Leon: Eu acho que é importante fazer uma distinção porque são várias comunidades diferentes, então não colocaria a comunidade gamer como uma coisa só. Agora, sobre toxicidade, de fato existe e são dois tipos, tem aquela que surge por uma questão humana porque algumas comunidades começam a criar sistemas de valores e as pessoas passam a valorizar demais o status que elas têm ali dentro e se tornam defensivas demais e acabam criticando os outros e se tornam tóxicas demais, aquilo se torna maior que a vida delas. E existe uma outra que eu nem descreveria como toxicidade porque é uma definição branda demais porque são pessoas racistas, xenofóbicas, misóginas e aí não tem a ver com a comunidade gamer, é algo que vem da nossa sociedade porque existem pessoas racistas, homofóbicas que jogam também e essas coisas acabam tendo presença por lá, o que é muito triste e inadmissível, é uma minoria se comparado as pessoas que formam as comunidades e por isso é possível apontar quem são essas pessoas e pedir que elas sejam devidamente punidas.

Leon e Nilce: As marcas precisam dar uma resposta, é importante que elas se separem disso, é um crime e elas precisam tomar atitudes para eliminar esse tipo de pessoa por lá.

Veja também:

As várias formas de casar (ou não) em meio à pandemia
Fonte: Equipe portal
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