Dia de São Gaspar del Búfalo: conheça o sacerdote que enfrentou Napoleão pela fé
Religioso italiano ficou conhecido pela atuação entre os mais pobres e pela firmeza diante da perseguição política
Nascido em Roma em 1786, São Gaspar del Búfalo destacou-se pelo auxílio a trabalhadores e pobres. Fiel à sua fé, recusou jurar lealdade a Napoleão, enfrentando quatro anos de prisão e exílio. De volta em 1814, fundou os Missionários do Preciosíssimo Sangue em 1815, pregando a misericórdia em áreas de conflito, além de inspirar a criação do ramo feminino da ordem. Falecido em 1837 e canonizado por Pio XII em 1954, o sacerdote é lembrado por sua coragem e devoção ao Sangue de Cristo.
A fé de alguns santos foi colocada à prova não somente em momentos de doença ou sofrimento pessoal, como diante de decisões que poderiam custar a própria liberdade. São Gaspar del Búfalo viveu uma dessas situações ao se recusar a obedecer a uma exigência imposta pelo regime napoleônico.
Nascido em Roma, em 1786, o sacerdote ficou conhecido pelo trabalho com pobres, trabalhadores e pessoas afastadas da vida religiosa. Ao longo dos anos, também se tornou uma das principais figuras ligadas à devoção ao Preciosíssimo Sangue de Cristo.
São Gaspar del Búfalo recusou juramento ao regime
Ainda jovem, Gaspar começou a atuar entre grupos populares de Roma. Entre eles estavam os chamados "carroceiros", trabalhadores que chegavam da zona rural e recebiam orientação religiosa e assistência.
Em 1808, ele se tornou sacerdote. Pouco depois, durante a ocupação napoleônica de Roma e dos Estados Pontifícios, o novo regime passou a exigir que membros do clero declarassem fidelidade. Quando a exigência chegou até Gaspar, ele recusou: "Não devo, não posso, não quero."
A decisão levou à sua prisão e a um período de cerca de quatro anos entre diferentes locais de detenção e exílio. Ele só conseguiu retornar a Roma em 1814. De volta à cidade, Gaspar retomou o trabalho religioso e, em 1815, fundou os Missionários do Preciosíssimo Sangue.
A congregação passou a atuar em regiões marcadas por conflitos sociais e pouca presença religiosa. A pregação de Gaspar tinha como centro a misericórdia e a redenção associadas ao sangue de Cristo. Anos depois, com a colaboração de Maria de Mattias, surgiu também o ramo feminino da obra, as Irmãs Adoradoras do Preciosíssimo Sangue de Cristo.
Canonização reconheceu legado religioso
São Gaspar morreu em 1837, após décadas dedicadas às missões e à formação religiosa. Em 1954, o Papa Pio XII o canonizou. Décadas mais tarde, São João Paulo II também ressaltou sua disposição para assumir riscos e cumprir a missão que acreditava ter recebido.
"Confiante no fato de que o pedido do Papa era uma ordem de Cristo, seu Fundador não hesitou em obedecer, embora o resultado tenha sido: foi acusado de ser muito inovador. Lançando suas redes nas águas profundas e perigosas, fez uma pesca surpreendente", afirmou.
Oração de São Gaspar ao Sangue de Jesus
"Precioso sangue do meu Senhor, que eu possa vos abençoar sempre. Amor do meu Senhor, que se tornou chaga, quanto estamos longe de nos conformar com a vossa vida. Sangue de Cristo, bálsamo das nossas almas e fonte de misericórdia, fazei que a minha língua, avermelhada de sangue na celebração diária da Missa, possa abençoar-vos agora e sempre. Senhor, quem não vos amará? Quem não se consumirá de carinho por vós?
As vossas chagas, vosso sangue, os espinhos, a cruz e, sobretudo, o sangue divino, derramado até à última gota, clamam com voz eloquente ao meu pobre coração! Visto que agonizastes e morrestes por mim, para me salvar, eu também darei, se necessário, a minha vida, para conseguir a beatitude do céu. Jesus, vós vos fostes a nossa redenção. Do vosso peito aberto, arca de salvação, fornalha de caridade, saiu sangue e água, sinais dos sacramentos e da ternura do vosso Amor, Jesus Cristo, que nos amou e nos lavou com o seu Sangue!"
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