Outono sem espirros: como preparar sua imunidade para queda de temperatura
Clima frio e seco favorece infecções respiratórias; veja como proteger o organismo
Com a chegada do outono, muitas pessoas começam a sentir os efeitos das mudanças de temperatura. Espirros, nariz entupido, tosse e crises alérgicas tornam-se mais comuns nessa época do ano.
Dados do Informe de Vigilância das Síndromes Gripais do Ministério da Saúde mostram que, em 2025, o Brasil registrou mais de 120 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). O maior pico ocorreu entre abril e maio, período que concentra quase metade das ocorrências.
Durante o outono, a queda brusca da temperatura e a redução da umidade do ar deixam o clima mais frio e seco. O nariz funciona como um filtro responsável por aquecer e umidificar o ar antes que ele chegue aos pulmões e, ao respirar esse ar gelado da estação, todo o mecanismo de defesa sofre um estresse intenso.
"A mucosa nasal tende a ficar ressecada, o muco se torna espesso e o transporte mucociliar, que é o sistema natural de limpeza dos seios da face, passa a operar de forma mais lenta. Essa soma de fatores cria um ambiente propício ao surgimento de crises alérgicas e abre as portas para a entrada de vírus respiratórios", explica Pauline Michelin, otorrinolaringologista do Hospital São Marcelino Champagnat.
O que acontece com o corpo no outono
Durante o outono, a queda da temperatura e a redução da umidade do ar deixam o clima mais frio e seco. Essas condições afetam diretamente o sistema respiratório.
O nariz funciona como um filtro natural que aquece e umidifica o ar antes de ele chegar aos pulmões. No entanto, quando o ar está frio e seco, a mucosa nasal pode ficar ressecada.
Esse processo dificulta o funcionamento do sistema mucociliar, responsável por eliminar impurezas e microrganismos das vias respiratórias. Como resultado, o organismo pode ficar mais vulnerável a vírus e crises alérgicas.
Como diferenciar alergias e infecções respiratórias
Durante o outono, sintomas respiratórios podem ter diferentes causas. Por isso, observar a evolução do quadro ajuda a identificar o problema.
A rinite alérgica costuma provocar espirros frequentes, coceira no nariz e coriza clara. Normalmente não há febre nem mal-estar intenso.
Já o resfriado comum costuma durar de cinco a dez dias e pode causar dor de garganta, congestão nasal e cansaço leve.
A gripe costuma apresentar início repentino e sintomas mais intensos, como febre alta, dores no corpo, dor de cabeça forte e tosse. A sinusite, por sua vez, pode provocar secreção nasal espessa, pressão no rosto e diminuição do olfato.
O mito da "friagem"
Existe a crença de que o frio, sozinho, causa gripe ou resfriado. No entanto, especialistas explicam que essas doenças só ocorrem quando o organismo entra em contato com vírus.
O que acontece é que, nos períodos mais frios, as pessoas costumam permanecer mais tempo em ambientes fechados e pouco ventilados. Essa proximidade facilita a circulação de vírus respiratórios.
Mudanças bruscas de temperatura também podem desencadear crises de rinite vasomotora, que provoca espirros e nariz entupido, mas não está relacionada a infecções virais.
Quem faz parte dos grupos de risco
Algumas pessoas apresentam maior vulnerabilidade às doenças respiratórias.
Entre os grupos que exigem atenção especial estão:
-
idosos.
-
crianças pequenas.
-
pessoas com asma ou doenças respiratórias crônicas.
Alterações anatômicas no nariz, como desvio de septo, também podem aumentar a predisposição a infecções respiratórias.
Como fortalecer a imunidade no outono
Alguns cuidados simples ajudam a reduzir o risco de doenças respiratórias durante a estação.
Entre as principais recomendações estão:
-
manter boa hidratação ao longo do dia.
-
realizar lavagem nasal com soro fisiológico.
-
manter ambientes ventilados.
-
higienizar filtros de ar-condicionado.
-
manter a vacinação contra gripe em dia.
Essas medidas ajudam a proteger as vias respiratórias e reduzem a exposição a vírus e alérgenos.