Consumo frequente de ovos pode reduzir risco de Alzheimer, aponta estudo
Ovos consumidos cinco vezes por semana foram associados a menor risco de Alzheimer. Entenda o estudo e veja quais hábitos protegem a memória.
Um estudo publicado em 2026 sugere que consumir ovos com frequência está associado a um menor risco de desenvolver Alzheimer, com redução de até 27% no diagnóstico da doença. No entanto, os pesquisadores alertam que esse efeito não é isolado e depende de um estilo de vida saudável, incluindo dieta equilibrada, exercícios e acompanhamento médico. 🥚🧠
Ovos podem estar ligados a uma memória mais protegida ao longo dos anos. Um estudo publicado em 2026 no periódico The Journal of Nutrition identificou que pessoas que consumiam o alimento cinco ou mais vezes por semana apresentaram um risco 27% menor de diagnóstico de Alzheimer.
A pesquisa acompanhou 39.498 participantes por uma média de 15,3 anos. Durante o período, foram registrados 2.858 casos da doença.
O resultado chamou atenção porque a associação apareceu em diferentes frequências de consumo. Ainda assim, os pesquisadores não afirmam que comer ovos, por si só, previna o Alzheimer. A relação precisa ser entendida dentro de um conjunto de hábitos, condições de saúde e características individuais.
Ovos foram associados a menor risco
Os participantes foram divididos de acordo com a frequência com que consumiam ovos. Em comparação com pessoas que raramente ou nunca comiam o alimento, os resultados indicaram:
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O consumo de uma a três vezes por mês foi associado a um risco 17% menor de Alzheimer.
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Uma vez por semana também apareceu relacionado a uma redução de 17%.
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O consumo de duas a quatro vezes por semana foi associado a um risco 20% menor.
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Cinco ou mais vezes por semana apresentaram associação com uma redução de 27%.
Em outra análise, a ausência de consumo de ovos esteve associada a um risco 22% maior de Alzheimer quando comparada à ingestão de aproximadamente 10 gramas por dia.
O estudo encontrou uma associação entre maior consumo de ovos e menor incidência de Alzheimer, mas os resultados não comprovam uma relação de causa e efeito. Isso significa que não é possível concluir que os ovos sejam responsáveis isoladamente pela redução do risco. Pessoas que consomem o alimento com frequência podem também apresentar outros hábitos associados à saúde, como alimentação equilibrada, maior consumo de proteínas ou rotina mais ativa.
Ovos têm colina, nutriente importante
Uma das hipóteses para explicar a associação envolve a colina, nutriente encontrado em concentrações especialmente elevadas na gema dos ovos. O neurologista e professor da Afya Montes Claros, Dr. Marcelo José da Silva de Magalhães, explica que a substância participa de funções relacionadas ao cérebro e ao sistema nervoso.
"A colina desempenha diversas funções importantes no organismo. Ela é precursora da acetilcolina, um neurotransmissor fundamental para processos como memória, aprendizagem e atenção, além de participar da formação e manutenção das membranas celulares e do metabolismo lipídico", afirma.
A acetilcolina está envolvida na comunicação entre as células nervosas. Por isso, nutrientes relacionados à sua produção são estudados em pesquisas sobre memória, envelhecimento e funcionamento cognitivo.
No entanto, a presença de colina não transforma os ovos em um tratamento contra Alzheimer. O alimento pode fazer parte de uma dieta saudável, mas não substitui acompanhamento médico, atividade física, controle de doenças crônicas ou os cuidados recomendados para cada faixa etária.
A composição geral da alimentação também importa. Dietas com frutas, verduras, legumes, grãos integrais, fontes adequadas de proteínas e gorduras de boa qualidade podem contribuir para a saúde cardiovascular e cerebral.
Ovos não são a única estratégia
O Alzheimer está relacionado a fatores de risco que podem ou não ser modificados. Entre os aspectos não modificáveis estão a idade avançada, o histórico familiar, o antecedente de traumatismo cranioencefálico e características genéticas, como a presença do gene APOE ε4.
"Por outro lado, existem os fatores de risco modificáveis, ou seja, aqueles sobre os quais o indivíduo pode atuar por meio de mudanças no estilo de vida", explica Dr. Marcelo José da Silva de Magalhães.
Nesse grupo estão perda auditiva, baixa escolaridade, hipertensão arterial, obesidade, tabagismo, inatividade física, diabetes, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, depressão, comprometimento visual, exposição à poluição atmosférica e isolamento social.
Isso ajuda a colocar o estudo sobre ovos em perspectiva. O alimento pode contribuir com nutrientes importantes, mas não deve ser tratado como uma solução única para reduzir o risco da doença.
O cuidado com a saúde cerebral precisa ser construído ao longo da vida. A médica geriatra e professora da Afya Contagem, Dra. Érica Abjaudi, explica que a nutrição pode atuar na redução da inflamação sistêmica de baixo grau e do estresse oxidativo, mecanismos relacionados ao envelhecimento celular.
"A microbiota intestinal também desempenha um papel fundamental na modulação do sistema imunológico e na síntese de neurotransmissores. Nesse contexto, uma dieta rica em fibras prebióticas favorece uma microbiota saudável, com impactos positivos na cognição e no humor dos idosos", afirma.
Proteção da memória começa cedo
As alterações associadas ao Alzheimer podem começar décadas antes dos primeiros sintomas. De acordo com Dra. Érica Abjaudi, o acúmulo de placas amiloides e o surgimento de lesões microvasculares podem se desenvolver entre 20 e 30 anos antes da perda de memória percebida clinicamente.
Na fase dos 20 aos 40 anos, a prioridade é consolidar boas reservas cognitivas e físicas. Manter uma rotina ativa, dormir bem, cuidar da alimentação e controlar fatores metabólicos ajuda a construir uma base de saúde para o futuro.
Entre os 40 e 65 anos, o acompanhamento da pressão arterial, da glicemia e do colesterol ganha ainda mais importância. Também é necessário cuidar da audição e preservar a massa muscular.
A partir dos 65 anos, ainda é possível obter benefícios com mudanças de hábitos. Atividade física, estímulos cognitivos e convivência social podem contribuir para a autonomia, a mobilidade e a qualidade de vida.
"Como precauções para reduzir o risco de Alzheimer, é importante manter uma rotina de atividade física regular, investir em estímulos cognitivos constantes, como aprender um novo idioma ou tocar um instrumento, priorizar um sono reparador e cultivar atividades sociais e conexões com pessoas reais, para além do mundo virtual", conclui a médica.
Assim, os ovos podem integrar uma alimentação equilibrada, mas o resultado do estudo deve ser interpretado com cautela. Comer o alimento cinco vezes por semana foi associado a um risco menor de Alzheimer, não apresentado como garantia de prevenção. A melhor estratégia continua sendo combinar alimentação variada, exercícios, sono adequado, controle da saúde vascular e acompanhamento médico.
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