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Câncer de mama: importância da nutrição personalizada durante o tratamento

Uma alimentação adequada pode ajudar a preservar a massa muscular, reduzir o risco de desnutrição e dar suporte ao organismo durante o tratamento oncológico

13 out 2026 - 18h45
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Resumo
A nutrição personalizada é essencial no tratamento do câncer de mama para amenizar impactos metabólicos da menopausa, evitar a sarcopenia e prevenir a desnutrição. Dietas restritivas e sem embasamento reduzem a tolerância às terapias e prejudicam a recuperação. O uso de chás caseiros e altas doses de suplementos antioxidantes requer cautela médica, pois pode interagir com os fármacos e anular a quimioterapia. A dieta deve ser individualizada, equilibrada e sempre orientada por profissionais.

A alimentação durante o tratamento oncológico tem um papel importante na manutenção da saúde e da qualidade de vida. Em mulheres com câncer de mama, por exemplo, as mudanças metabólicas relacionadas à menopausa natural ou induzida podem exigir atenção especial à ingestão de nutrientes.

Veja a importância da alimentação saudável
Veja a importância da alimentação saudável
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Além de lidar com os efeitos da doença e das terapias, algumas pacientes enfrentam alterações no peso, perda de massa muscular e mudanças na composição corporal. Nesse cenário, o acompanhamento nutricional ajuda a identificar necessidades individuais e a planejar refeições adequadas.

Segundo o nutricionista especializado em oncologia Luan Lício Lima de Souza, parceiro da WebDiet, o Guia Alimentar para a População Brasileira pode contribuir para orientar escolhas alimentares que considerem a saúde e a realidade de cada paciente.

Como a menopausa afeta a alimentação durante o câncer?

Em alguns casos de câncer de mama sensível a hormônios, o tratamento pode incluir terapias que bloqueiam a produção ou a ação hormonal e provocam uma menopausa induzida. Essas mudanças podem afetar o metabolismo, a distribuição de gordura corporal e a saúde óssea.

Também podem ocorrer alterações no peso e na massa muscular. Por isso, o acompanhamento nutricional precisa considerar tanto o risco de desnutrição quanto o ganho excessivo de gordura corporal.

"A menopausa, isoladamente, já impõe à mulher uma queda do metabolismo e uma alteração na distribuição da gordura corporal. Quando somamos esse cenário ao tratamento e ao tipo de câncer de mama, o impacto metabólico é amplificado: a paciente pode tanto ter um ganho substancial de massa gorda quanto uma perda acelerada de peso e massa muscular.

Por isso, o ajuste do balanço calórico precisa ser a prioridade no tratamento. Não se trata apenas de olhar para a balança, mas de garantir a densidade nutricional adequada para conter a sarcopenia, proteger a saúde óssea e evitar o ganho de peso adiposo, preservando a autonomia e a qualidade de vida da mulher nesse período tão sensível", explica.

A sarcopenia é a perda de massa e força muscular. Durante o tratamento oncológico, prevenir esse quadro pode ajudar a preservar a mobilidade e a capacidade de realizar atividades cotidianas.

Por que dietas restritivas podem prejudicar o tratamento?

Após o diagnóstico, algumas mulheres recorrem a dietas muito restritivas na tentativa de controlar o peso ou amenizar mudanças na aparência. No entanto, reduzir excessivamente a ingestão de alimentos pode dificultar o consumo de energia, proteínas, vitaminas e minerais necessários para o organismo.

A desnutrição também é uma preocupação em pacientes com câncer. Quando não há ingestão suficiente de nutrientes, pode ocorrer perda de massa muscular e maior dificuldade para lidar com os efeitos do tratamento.

"Durante o tratamento oncológico, a massa muscular adequada é essencial para metabolizar a quimioterapia, manter a regulação hormonal e garantir a funcionalidade diária na realização de tarefas básicas.

Com déficits calóricos muito grandes, podem impedir a continuidade dos tratamentos, que muitas vezes desumaniza o paciente ao comprometer sua capacidade de viver, trabalhar e socializar. Nenhuma exclusão alimentar radical, como a eliminação total de carboidratos ou proteínas animais baseada em mitos, como exclusão de carne vermelha, carboidratos e açúcares é saudável ou segura para pacientes oncológicos", destaca.

Não existe uma dieta única indicada para todas as pessoas com câncer. A alimentação deve ser adaptada ao tipo de tumor, à terapia utilizada, aos sintomas e às necessidades nutricionais de cada paciente. Dietas que eliminam grupos alimentares inteiros não devem ser iniciadas sem orientação profissional.

Chás e receitas caseiras exigem cuidado

Durante o tratamento, algumas mulheres procuram alternativas para aliviar o inchaço ou lidar com outros efeitos colaterais. Chás de ervas e cascas, por exemplo, podem parecer opções inofensivas, mas determinados produtos têm substâncias capazes de interagir com medicamentos.

"Frequentemente, mulheres com o diagnóstico consomem chás de cascas e ervas variadas, motivadas pela ansiedade característica do público feminino em lidar com edemas e inchaços. Tais chás podem ser contraindicados por falta de comprovação científica e por causarem sobrecarga hepática, comprometendo a metabolização da quimioterapia e levando à interrupção do tratamento médico.

Além disso, gorduras como óleo de coco, banha de porco, manteiga e margarina são contraindicadas por serem mais inflamatórias, embora muitos pacientes acreditam erroneamente que são opções mais naturais. Neste caso, o ideal seria optar por gorduras líquidas em temperatura ambiente, como azeite de oliva, óleo de gergelim e óleo de abacate", explica.

É importante destacar que a segurança de chás e preparações depende dos ingredientes, da quantidade consumida e dos medicamentos utilizados. Da mesma forma, não existe uma proibição universal de todas as gorduras citadas para todas as pacientes. A escolha deve considerar o estado nutricional, o quadro clínico e a orientação da equipe de saúde.

Antes de utilizar chás, ervas, óleos ou receitas caseiras com finalidade terapêutica, converse com o oncologista ou nutricionista. O inchaço também deve ser avaliado para identificar sua causa e definir a conduta adequada.

Suplementos e antioxidantes podem interferir na quimioterapia?

Vitaminas, minerais e outros suplementos são frequentemente associados à melhora da saúde. Porém, durante o tratamento oncológico, o uso indiscriminado desses produtos pode trazer riscos.

Alguns suplementos, especialmente em doses elevadas, podem interagir com medicamentos ou alterar a resposta a determinadas terapias. Por isso, a indicação deve considerar as necessidades da paciente, possíveis deficiências nutricionais e o tratamento em andamento.

"Grande parte das mulheres com câncer utiliza suplementos multivitamínicos, minerais e antioxidantes em altas doses, como coenzima Q10, resveratrol ou ômega-3, acreditando em suas supostas propriedades curativas. No entanto, os tratamentos oncológicos baseiam-se na geração de agentes oxidantes para destruir as células tumorais. A ingestão inadequada dessas megadoses de antioxidantes acaba por proteger o próprio tumor contra os efeitos da quimioterapia, prejudicando gravemente o prognóstico da paciente", destaca.

Há estudos que associam o uso de determinados suplementos antioxidantes durante a quimioterapia ou a radioterapia a resultados menos favoráveis. Entretanto, as evidências variam conforme a substância, a dose e o tratamento, e não permitem concluir que todos os antioxidantes tenham o mesmo efeito.

Isso não significa que frutas, verduras e outros alimentos que contêm antioxidantes devam ser eliminados da dieta. O cuidado está principalmente no uso de suplementos em doses elevadas sem indicação profissional.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) orienta que suplementos alimentares sejam utilizados com recomendação de médico ou nutricionista. A paciente deve informar à equipe todos os produtos que consome, incluindo vitaminas, minerais, ervas e chás medicinais. 

Como montar uma alimentação adequada durante o tratamento?

A alimentação deve ser planejada de acordo com as condições clínicas e os efeitos colaterais apresentados. Náuseas, alterações no paladar, falta de apetite, diarreia e dificuldade para engolir, por exemplo, podem exigir adaptações no cardápio.

Alguns cuidados podem ajudar:

  • Priorizar refeições variadas: incluir fontes de proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais conforme as necessidades individuais.

  • Preservar a massa muscular: garantir o consumo adequado de proteínas e energia, com orientação nutricional.

  • Adaptar a alimentação aos sintomas: ajustar consistência, volume e frequência das refeições quando necessário.

  • Manter a hidratação: seguir as orientações da equipe de saúde, especialmente quando houver vômitos, diarreia ou restrições específicas.

  • Evitar dietas da moda: não iniciar jejuns, dietas muito restritivas ou protocolos divulgados como tratamentos contra o câncer sem avaliação profissional.

  • Conversar sobre suplementos: informar ao oncologista e ao nutricionista sobre todos os produtos utilizados ou que pretende utilizar.

A Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) destaca que ainda não existem evidências suficientes para recomendar dietas específicas com o objetivo de melhorar os resultados do câncer durante o tratamento. Por isso, o plano alimentar deve priorizar as necessidades da paciente, a tolerância às terapias e a qualidade de vida. 

Saúde em Dia
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