6 razões para pensar duas vezes antes de consumir embutidos todos os dias
O consumo frequente de embutidos pode aumentar o risco de câncer a longo prazo e muita gente nem percebe que está ingerindo
Salsicha no café da manhã, presunto no lanche e bacon no fim de semana. Os embutidos estão presentes na rotina de muitos brasileiros. Muitas vezes sem que se questione o impacto desse hábito na saúde.
No Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril, o alerta ganha ainda mais força. Isso porque a alimentação é um dos principais fatores que podem ser controlados na prevenção de doenças.
Segundo o oncologista clínico Dr. Yuri Bittencourt, do Hospital Santa Catarina - Paulista, a ciência já tem uma posição clara sobre o tema. "A alimentação está entre os fatores que mais podemos controlar na prevenção do câncer", afirma.
De acordo com a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à OMS, os embutidos são classificados como carcinógenos do Grupo 1.
Ou seja, existem evidências suficientes de que o consumo pode causar câncer em humanos.
O especialista faz um alerta importante sobre essa classificação. "Essa definição diz respeito à força das evidências, e não à intensidade do risco em comparação com outras substâncias da mesma categoria", explica.
A seguir, veja por que vale reduzir o consumo de embutidos no dia a dia.
Aumentam o risco de câncer colorretal
Consumir cerca de 50 gramas de embutidos por dia já está associado a um aumento de aproximadamente 18% no risco de câncer colorretal. Isso é equivalente a duas fatias de presunto ou um cachorro-quente.
"O aumento pode parecer pequeno, mas é real, dose-dependente e se acumula ao longo da vida", destaca o Dr. Yuri.
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O impacto é maior do que parece
Na prática, o risco de desenvolver câncer colorretal ao longo da vida sobe de cerca de 5% para aproximadamente 6%.
A diferença parece discreta individualmente. No entanto, quando esse padrão se repete em milhões de pessoas, o impacto na saúde pública se torna significativo.
É fácil consumir mais do que o recomendado
Os embutidos fazem parte de refeições rápidas e práticas. Por isso, o consumo excessivo acontece sem que a pessoa perceba.
Pequenas porções ao longo do dia já são suficientes para atingir níveis associados ao aumento de risco.
Podem agravar fatores de risco
O câncer colorretal não tem uma causa única. Idade, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool e histórico familiar também influenciam.
Quem tem parentes de primeiro grau com a doença pode ter um risco de duas a quatro vezes maior.
Nesses casos, o consumo frequente de embutidos agrava ainda mais a situação. "Quando existe predisposição genética, cada fator de risco comportamental aumenta essa vulnerabilidade. Não é alarmismo, é aritmética clínica", afirma o especialista.
Não existe quantidade segura para consumo frequente
Especialistas são diretos: não há uma quantidade considerada segura para o consumo regular de embutidos.
A orientação é consumir apenas de forma esporádica. Já a carne vermelha deve ser limitada a até três porções por semana, entre 350 e 500 gramas.
Existem alternativas que protegem a saúde
Uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes e grãos integrais ajuda a reduzir o risco de câncer colorretal.
Mais do que uma recomendação geral, essa mudança tem efeito protetor comprovado.
Fique atento aos sinais do corpo
O câncer colorretal se desenvolve no intestino grosso e pode começar com pólipos.
Alguns sintomas não devem ser ignorados:
- Mudanças no hábito intestinal.
- Sangue nas fezes.
- Dor abdominal frequente.
- Perda de peso sem explicação.
- Cansaço constante.
Ao perceber qualquer um desses sinais, é fundamental buscar avaliação médica.
Diagnóstico precoce pode salvar vidas
A colonoscopia é o principal exame para rastrear o câncer colorretal. Ela permite identificar e remover pólipos antes que se tornem tumores.
Para pessoas sem fatores de risco, a recomendação é iniciar o rastreamento aos 45 anos. Em casos com histórico familiar, esse acompanhamento pode começar antes.
Pequenas escolhas fazem diferença
O câncer colorretal é, em grande parte, evitável. E isso passa por decisões do dia a dia.
"O que colocamos no prato, o quanto nos movimentamos e quando fazemos exames de rotina impactam diretamente a saúde no futuro", conclui o Dr. Yuri Bittencourt.
Reduzir o consumo de embutidos é uma dessas escolhas. E pode fazer uma grande diferença ao longo dos anos.
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