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Cyberbaiting: quando a humilhação vira entretenimento nas redes sociais

Especialista alerta para o avanço do cyberbaiting nas escolas e explica como a prática afeta professores, alunos e toda a comunidade escolar

29 jul 2026 - 09h28
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As redes sociais transformaram a forma como as pessoas se comunicam e compartilham conteúdos. No entanto, alguns comportamentos que ganham espaço nesse ambiente merecem atenção. Entre eles está o cyberbaiting, prática em que estudantes provocam professores de forma intencional para gravar suas reações e publicar os vídeos em busca de curtidas, comentários e compartilhamentos. Segundo a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, esse fenômeno representa um sinal preocupante da perda de empatia e do enfraquecimento do respeito dentro das escolas. Além disso, ele levanta um importante debate sobre ética digital e convivência.

O cyberbaiting transforma a provocação de professores em conteúdo para redes sociais e preocupa especialistas
O cyberbaiting transforma a provocação de professores em conteúdo para redes sociais e preocupa especialistas
Foto: Reprodução Instagram/@anabeatriz11 / Bons Fluidos

O que é cyberbaiting?

O cyberbaiting acontece quando um aluno provoca, desafia ou desrespeita um professor com o objetivo de provocar uma reação emocional. Em seguida, ele grava esse momento e compartilha o vídeo nas redes sociais para gerar engajamento.

De acordo com Ana Beatriz Barbosa, o problema vai muito além da gravação em si. O verdadeiro risco está em transformar a humilhação de outra pessoa em entretenimento, incentivando comportamentos que banalizam o respeito e reforçam a busca por visibilidade a qualquer custo. Dessa forma, a prática deixa de ser vista como algo isolado e passa a refletir um problema social mais amplo.

Quando a sala de aula deixa de ser um espaço seguro

A especialista destaca que muitos professores já entram em sala preocupados com a possibilidade de serem filmados ou expostos na internet. Como consequência, o ambiente escolar perde parte da confiança necessária para que o processo de aprendizagem aconteça de forma saudável.

Além disso, quando estudantes enxergam a sala de aula como um palco para produzir conteúdo viral, o foco deixa de ser o conhecimento. Consequentemente, a relação entre professor e aluno se fragiliza, o diálogo diminui e o ensino sofre impactos negativos.

Gravar para denunciar é diferente de gravar para humilhar

Ana Beatriz Barbosa faz uma distinção importante: registrar uma situação para denunciar abuso ou proteger direitos é completamente diferente de provocar alguém apenas para obter uma reação diante da câmera.

Enquanto uma gravação pode servir como instrumento de proteção em determinadas circunstâncias, provocar um educador para ridicularizá-lo transforma a tecnologia em uma ferramenta de exposição e constrangimento. Portanto, é fundamental compreender essa diferença para promover um uso mais responsável dos recursos digitais.

Os impactos na saúde mental dos professores

O cyberbaiting também provoca consequências importantes para a saúde emocional dos educadores. Viver sob o medo constante de ser filmado, exposto ou ridicularizado aumenta os níveis de estresse, ansiedade e desgaste psicológico.

Além disso, Ana Beatriz Barbosa lembra que muitos professores enfrentam sintomas relacionados ao burnout, condição reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional. Nesse contexto, trabalhar sob pressão constante dificulta a construção de vínculos, prejudica o desempenho profissional e reduz a qualidade do ensino.

Ética digital começa antes do primeiro celular

Para enfrentar esse problema, a especialista defende que famílias, escolas e estudantes conversem mais sobre ética digital. Afinal, aprender a utilizar um celular vai muito além de dominar aplicativos ou redes sociais.

Segundo ela, crianças e adolescentes também precisam desenvolver responsabilidade, empatia e respeito pelo outro. Dessa maneira, a tecnologia deixa de estimular comportamentos prejudiciais e passa a fortalecer relações mais saudáveis tanto no ambiente escolar quanto fora dele.

Respeitar professores é investir no futuro

Ao refletir sobre o cyberbaiting, Ana Beatriz Barbosa reforça que proteger quem ensina significa proteger a própria educação. Afinal, uma sociedade que perde o respeito pelos professores compromete também a formação das próximas gerações.

Por isso, combater esse tipo de comportamento exige participação coletiva. Pais, alunos, escolas e plataformas digitais precisam incentivar uma cultura baseada no diálogo, na responsabilidade e no respeito. Assim, a internet pode deixar de premiar a humilhação e voltar a valorizar atitudes que realmente contribuem para uma convivência mais ética e humana.

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