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Corrida pode causar morte súbita? Entenda os riscos e como se proteger

Um caso recente chamou a atenção para os perigos do exercício e reforçou a importância dos cuidados para evitar fatalidades

29 jul 2026 - 13h43
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A morte do corredor Júlio Barreto, de 50 anos, após concluir a meia-maratona (21 km) da SP City Marathon, em São Paulo, no último final de semana, levou atletas amadores a questionar se e quando a corrida realmente pode representar um risco à saúde. Embora o caso tenha gerado preocupação, especialistas reforçam que esse tipo de ocorrência é raro.

A morte de um corredor em São Paulo chamou a atenção para os perigos da corrida e os cuidados necessários para evitá
A morte de um corredor em São Paulo chamou a atenção para os perigos da corrida e os cuidados necessários para evitá
Foto: los - Six_Characters/Getty Images / Bons Fluidos

"Um estudo, com mais de 29 milhões de pessoas acompanhadas desde 2010 em corridas de meia maratona e maratona, observou uma prevalência de parada cardíaca de um caso a cada 200 mil corredores e de morte de um caso a cada 500 mil corredores", apontou o cardiologista Mozar Suzigan.

Entretanto, conforme ressaltou o profissional em um vídeo publicado no YouTube, fatalidades podem acontecer, inclusive em pessoas consideradas de baixo risco. "Exames normais me dão um risco baixo, não um risco nulo", complementou.

O que é a morte súbita cardíaca?

A morte súbita cardíaca acontece quando o coração deixa de funcionar de forma inesperada, geralmente em decorrência de uma arritmia grave ou de um infarto. Em corridas de longa distância, o esforço intenso aumenta a demanda do organismo e pode desencadear um evento cardiovascular em pessoas que já possuem uma doença silenciosa.

De acordo com Suzigan, a doença isquêmica do coração, caracterizada pelo comprometimento das artérias coronárias, lidera as causas desses casos em maratonistas. Mesmo placas pequenas de gordura podem se romper durante um esforço intenso, o que favorece a formação de um coágulo que bloqueia o fluxo de sangue para o músculo cardíaco.

O perfil da condição, contudo, muda conforme a idade. Em atletas mais jovens, predominam doenças cardíacas genéticas ou congênitas. Já entre pessoas acima dos 40 anos, as doenças das artérias coronárias passam a ser a principal preocupação. O especialista alerta que nem sempre essas alterações provocam sintomas antes de um evento grave, mas pede que os atletas fiquem atentos a desconfortos anormais.

Quais sintomas exigem atenção?

Mesmo pessoas acostumadas a correr devem interromper o exercício e procurar atendimento caso percebam sinais diferentes do habitual. Entre eles estão:

  • Dor irradiando para braço, ombro, mandíbula, costas ou abdômen;
  • Falta de ar desproporcional ao esforço;
  • Suor frio;
  • Palpitações;
  • Tontura ou desmaio.

Como reduzir os riscos antes de correr?

Para quem pretende praticar exercícios de alta intensidade, como meia maratona e maratona, o médicos recomendam passar por uma avaliação individualizada. Segundo Suzigan, compreender o histórico clínico de cada pessoa importa mais do que realizar exames de rotina.

"A avaliação é muito importante pela história clínica que a gente faz do paciente, entender quem é o paciente, quais fatores de risco ele tem", explicou.

Hipertensão, colesterol elevado, diabetes, histórico familiar de doenças cardíacas e sintomas durante o esforço físico ajudam o médico a definir a necessidade de exames complementares. Em alguns casos, o especialista pode solicitar testes para investigar a presença de placas nas artérias do coração. A indicação depende do perfil de cada paciente e não deve funcionar como uma regra para todos os corredores.

Suzigan recomendou, contudo, que todos permaneçam atentos a qualquer sinal anormal durante a prática física, independentemente da intensidade. Além disso, a fim de evitar quaisquer problemas de saúde, é necessário apostar em um acompanhamento profissional antes de começar os exercícios, como, por exemplo, com preparador físico e nutricionista.

Por fim, o especialista reforçou que a prática de atividade física continua como uma das principais formas de proteger a saúde cardiovascular. A diferença está em respeitar os próprios limites, manter o acompanhamento médico quando indicado e não ignorar sinais de alerta durante os treinos ou competições.

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