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Conhece todas? 19 frutas nativas que chamam a atenção da ciência e uma receita deliciosa com uma delas

Você conhece estas frutas nativas brasileiras? Algumas são pouco comuns no mercado, mas já despertam a atenção da ciência. Descubra por quê.

15 ago 2026 - 08h00
(atualizado às 08h01)
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Você já parou para pensar que algumas das frutas nativas brasileiras com maior potencial de interesse para a saúde podem estar justamente entre aquelas que raramente aparecem no supermercado?

Conhece todas? 19 frutas nativas que chamam a atenção da ciência e uma receita deliciosa com uma delas
Conhece todas? 19 frutas nativas que chamam a atenção da ciência e uma receita deliciosa com uma delas
Foto: SaúdeLab / SaúdeLAB

Enquanto mirtilo, cranberry e romã ganharam fama mundial por seus compostos bioativos, o Brasil abriga uma biodiversidade extraordinária de frutas nativas com propriedades que vêm despertando o interesse da ciência — e que ainda são pouco conhecidas pelos próprios brasileiros.

Uma revisão científica recente reuniu evidências sobre 19 frutas nativas brasileiras e seu potencial para modular o estresse oxidativo e a inflamação, dois processos relacionados a diversas doenças crônicas, incluindo doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, obesidade e doenças neurodegenerativas.

Os resultados, porém, são baseados principalmente em estudos experimentais.

Frutas nativas brasileiras e seus compostos bioativos

Os possíveis benefícios dessas frutas estão ligados principalmente à presença de compostos bioativos, como polifenóis, flavonoides, antocianinas, carotenoides e outros antioxidantes naturais.

Essas substâncias podem participar da modulação de processos relacionados ao estresse oxidativo e à inflamação, incluindo a ação de vias inflamatórias e de sistemas antioxidantes do organismo.

Entre as frutas investigadas estão:

  • Jabuticaba
  • Guaraná
  • Marolo
  • Cambuci
  • Juçara
  • Cupuaçu
  • Pitanga
  • Macaúba
  • Genipapo
  • Tomatinho-do-mato
  • Goiabão
  • Grumixama
  • Cereja-do-rio-grande
  • Pêssego-do-mato
  • Jucá
  • Cutia
  • Blackberry jam (Randia formosa)

A revisão também analisou o pinhão-manso (Jatropha curcas), mas seus estudos envolveram principalmente folhas e extratos, e a espécie não deve ser tratada como uma fruta de consumo comum.

Embora cada uma apresente características próprias, as frutas estudadas demonstraram potencial antioxidante e/ou anti-inflamatório em diferentes modelos experimentais, reforçando o interesse científico pela biodiversidade brasileira.

O que as pesquisas descobriram sobre essas frutas

Os achados também mostram que diferentes frutas podem apresentar efeitos específicos.

A jabuticaba, por exemplo, é uma das espécies mais estudadas na revisão e apresentou resultados experimentais relacionados à redução do estresse oxidativo e da inflamação, inclusive em modelos associados a alterações metabólicas e à obesidade.

O açaí e a juçara também apresentaram potencial para modular processos inflamatórios e metabólicos em estudos experimentais.

Já o cambuci foi associado, em modelos pré-clínicos, a efeitos relacionados ao estresse oxidativo, à inflamação e a alterações metabólicas, incluindo esteatose hepática.

A macaúba, por sua vez, apresentou resultados relacionados à redução de marcadores de inflamação no tecido adiposo e à melhora de parâmetros associados ao estresse oxidativo em modelos animais.

Guaraná, genipapo, pitanga e blackberry jam também chamaram atenção por resultados experimentais relacionados ao sistema nervoso.

No caso da Randia formosa, por exemplo, um estudo avaliou seu potencial antioxidante e efeitos relacionados a mecanismos de proteção neuronal, mas os resultados ainda precisam ser confirmados em modelos mais próximos da realidade humana.

Já frutas menos conhecidas, como marolo, grumixama, goiabão, cereja-do-rio-grande, pêssego-do-mato, tomatinho-do-mato, jucá e cutia, ampliam esse repertório ao apresentarem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias em estudos experimentais.

Algumas delas também despertam interesse para futuras aplicações em alimentos funcionais e nutracêuticos, embora essa possibilidade ainda dependa de mais pesquisas sobre dose, segurança, absorção e efeitos em seres humanos.

Valorizar as frutas nativas também é valorizar a biodiversidade

Mais do que investigar possíveis benefícios individuais à saúde, conhecer e consumir frutas nativas também representa uma forma de valorização da sociobiodiversidade brasileira.

Ao escolher alimentos produzidos localmente, o consumidor pode contribuir para fortalecer agricultores familiares, povos tradicionais e cadeias produtivas relacionadas à conservação dos biomas brasileiros.

Uma forma prática de encontrar essas frutas é buscar feiras orgânicas, feiras de produtores locais, mercados da agricultura familiar e Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSAs), modelo que aproxima produtores e consumidores por meio da compra direta de alimentos da estação.

Plataformas como o IDEC de Feiras Orgânicas, além de organizações e redes agroecológicas espalhadas pelo país, também podem ajudar a localizar iniciativas que aproximam consumidores desses alimentos e incentivam sistemas alimentares mais sustentáveis.

Ainda assim, incluir uma maior diversidade de frutas nativas na alimentação significa ampliar a variedade de alimentos consumidos e, ao mesmo tempo, contribuir para a conservação da biodiversidade brasileira.

Em um país reconhecido como um dos mais ricos em diversidade biológica do planeta, valorizar esses alimentos é também uma forma de olhar para a saúde das pessoas, dos territórios e do futuro dos nossos sistemas alimentares.

Valorizar a biodiversidade brasileira também começa pelas escolhas que fazemos à mesa.

Cambuci: uma forma de incluir a fruta no dia a dia

O cambuci é uma das frutas nativas brasileiras que vêm despertando interesse científico por seu conteúdo de compostos bioativos e por seu potencial antioxidante e anti-inflamatório observado em estudos experimentais.

A fruta pode ser consumida in natura ou incorporada a preparações simples e saborosas.

A receita a seguir é uma forma prática de incluir o cambuci no dia a dia, aproveitando seu sabor característico e incentivando o consumo de alimentos da nossa sociobiodiversidade.

Torta funcional de ricota com cambuci

Ingredientes

Massa

  • 500 g de ricota fresca
  • 170 g de iogurte natural integral sem açúcar
  • 3 ovos
  • 3 colheres (sopa) de farinha de amêndoas
  • 2 colheres (sopa) de farinha de aveia sem glúten, de produto certificado (opcional)
  • Raspas de 1 limão
  • 1 colher (chá) de extrato natural de baunilha
  • 3 colheres (sopa) de eritritol ou xilitol (opcional, apenas para suavizar a acidez)

Cobertura de cambuci

  • 500 g de cambuci maduro
  • Suco de 1 limão
  • 2 colheres (sopa) de eritritol (opcional)
  • 1 colher (chá) de chia (opcional, para dar leve espessura)

Modo de preparo

Pré-aqueça o forno a 180 °C.

Amasse bem a ricota e misture com o iogurte, os ovos, a farinha de amêndoas, a farinha de aveia, as raspas de limão, a baunilha e o adoçante, se desejar.

Bata apenas até obter uma massa homogênea.

Unte uma forma de fundo removível com manteiga ou óleo e polvilhe farinha de amêndoas. Despeje a massa e asse por cerca de 35 a 40 minutos, até dourar levemente.

Enquanto isso, prepare a cobertura.

Corte os cambucis em pedaços pequenos e leve ao fogo baixo com o suco de limão. Cozinhe lentamente até que a fruta fique macia e forme uma compota rústica.

Se necessário, acrescente o eritritol ou a alulose. Para uma textura mais espessa, misture a chia nos minutos finais do cozimento.

Depois que a torta esfriar, desenforme e cubra com a compota de cambuci.

Leitura Recomendada: Existe uma planta que pode ser uma importante aliada contra o diabetes tipo 2

Fonte: SaúdeLAB
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