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Viver mais não significa envelhecer melhor: estudo revela desigualdade social na velhice brasileira

Pesquisa mostra que brasileiros 50+ das classes C, D e E enfrentam diferenças no acesso à saúde, autonomia financeira e condições de trabalho

17 set 2026 - 09h30
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Resumo
Estudo da data8 revela que o aumento da longevidade no Brasil reflete profundas desigualdades sociais. Nas classes C, D e E, pessoas acima de 50 anos vivem mais, porém com baixa qualidade de vida, saúde precária e insegurança financeira. Sem conseguir parar de trabalhar mesmo após a aposentadoria, muitos dependem do SUS e sustentam suas famílias. O levantamento destaca ainda o peso sobre as mulheres, em maioria negras, que continuam sobrecarregadas com o sustento e o cuidado de filhos e netos.

O aumento da expectativa de vida no Brasil não acontece da mesma maneira para toda a população. Um estudo da data8, intitulado "Velhices Periféricas: o descompasso entre os tempos de viver, trabalhar, cuidar e sustentar", mostra que brasileiros com mais de 50 anos das classes C, D e E vivem mais, mas chegam à maturidade enfrentando maiores dificuldades relacionadas à saúde, renda e proteção social. A pesquisa propõe analisar o envelhecimento a partir de quatro dimensões: tempo de vida, tempo vivido com saúde, tempo de trabalho e tempo de autonomia financeira. Assim, o estudo aponta que viver por mais anos não significa, necessariamente, passar mais tempo com qualidade de vida e segurança econômica.

A pesquisa analisa o envelhecimento a partir de quatro dimensões: vida, saúde, trabalho e autonomia financeira
A pesquisa analisa o envelhecimento a partir de quatro dimensões: vida, saúde, trabalho e autonomia financeira
Foto: Canva / Bons Fluidos

O envelhecimento acontece de forma desigual

Segundo a data8, a chamada "longevidade periférica" é marcada por um descompasso entre diferentes áreas da vida. Enquanto a expectativa de vida aumenta, parte da população continua trabalhando por necessidade e enfrenta limitações no acesso a cuidados de saúde e recursos financeiros. Além disso, o levantamento reuniu pesquisas quantitativas e qualitativas sobre comportamento, consumo, saúde, trabalho, cuidado e tecnologia entre brasileiros 50+ das classes C, D e E, incluindo entrevistas realizadas na Grande São Paulo.

A aposentadoria nem sempre significa parar de trabalhar no envelhecimento

Um dos dados que ajudam a ilustrar essa realidade aparece entre os aposentados da classe D. Segundo o estudo, 52% deles continuam trabalhando. Entre a população 50+ das classes C e D, 41% trabalham de forma autônoma. O levantamento também aponta que a aposentadoria representa a principal fonte de renda para apenas cerca de três em cada dez pessoas acima dos 50 anos nas classes C, D e E. Dessa forma, para uma parcela significativa dessa população, chegar à aposentadoria não encerra necessariamente a vida profissional.

Saúde também está ligada à condição social

O estudo identifica diferenças importantes no acesso aos cuidados de saúde. Entre o público 50+ das classes C e D, 42,5% nunca tiveram plano de saúde, enquanto 61% utilizam as Unidades Básicas de Saúde como porta de entrada para o atendimento. Nesse contexto, o tempo vivido com saúde não acompanha necessariamente o aumento da longevidade. Por isso, a discussão sobre envelhecimento passa também por acesso à prevenção, acompanhamento médico e condições que permitam manter a autonomia ao longo dos anos.

Mulheres têm papel central dentro das famílias

Outro aspecto destacado pela pesquisa é a presença das mulheres na população 50+ das classes C e D. Elas representam 54,6% desse grupo, e cerca de 70% se declaram negras ou pardas. Além disso, 43% ajudam financeiramente filhos e netos. A partir desses dados, o estudo chama atenção para uma população que, mesmo envelhecendo, continua exercendo funções importantes de sustento e cuidado dentro das famílias. Assim, a velhice também precisa ser compreendida a partir das responsabilidades que permanecem ou até aumentam nessa fase da vida.

Mais anos de vida, mas com quais condições?

A pesquisa da data8 coloca em discussão a diferença entre longevidade e qualidade do envelhecimento. Afinal, viver mais é apenas uma parte da experiência: também entram nessa equação o tempo vivido com saúde, a permanência ou não no mercado de trabalho e a possibilidade de manter autonomia financeira. Por isso, o estudo reforça que falar sobre envelhecimento no Brasil exige olhar para as desigualdades sociais que acompanham essa trajetória. Dessa forma, garantir mais anos de vida também envolve criar condições para que esses anos sejam vividos com saúde, segurança e autonomia.

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