Script = https://s1.trrsf.com/update-1786557910/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Quem vai cuidar dos idosos que moram sozinhos? Tecnologia pode ser aliada

Com o envelhecimento da população, casas inteligentes começam a incorporar recursos capazes de detectar quedas, acionar familiares e facilitar a autonomia na terceira idade

1 set 2026 - 18h13
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
Com o rápido envelhecimento da população brasileira e o aumento de idosos morando sozinhos, a tecnologia residencial desponta como aliada essencial. Casas inteligentes vão além do conforto e passam a integrar sensores e automação para detectar emergências, como quedas, acionando socorro imediato. Aliada ao design ergonômico, essa infraestrutura preserva a autonomia e a segurança dos moradores, embora ainda enfrente desafios quanto à privacidade dos dados e à acessibilidade financeira.

Acender as luzes por comando de voz, programar a temperatura antes de chegar em casa ou fechar as cortinas pelo celular já são recursos conhecidos das chamadas casas inteligentes. Mas, em um futuro não tão distante, a tecnologia residencial poderá desempenhar uma função muito mais importante: perceber que moradores idosos cairam, identificar uma possível emergência e pedir ajuda quando não houver ninguém por perto.

Com mais idosos vivendo sozinhos, casas inteligentes podem ajudar a detectar emergências e preservar a autonomia na velhice
Com mais idosos vivendo sozinhos, casas inteligentes podem ajudar a detectar emergências e preservar a autonomia na velhice
Foto: Reprodução: Helena Lopes/Pexels / Bons Fluidos

Essa possibilidade ganha relevância diante de duas transformações que estão acontecendo simultaneamente no Brasil. A população está envelhecendo e, ao mesmo tempo, uma parcela significativa dos idosos vive sozinha.

Entre 2000 e 2023, a participação das pessoas com 60 anos ou mais na população brasileira passou de 8,7% para 15,6%, praticamente dobrando no período. E a tendência deve se intensificar. Segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2070, cerca de 37,8% dos brasileiros estarão nessa faixa etária.

A configuração das famílias também está mudando. O Censo 2022 mostrou que 28,7% das pessoas com 60 anos ou mais responsáveis pelo domicílio viviam em residências unipessoais. Entre os fatores relacionados ao fenômeno estão situações comuns ao longo da vida, como filhos que deixam a casa, separações e viuvez.

Diante desse cenário, surge uma nova questão: se cada vez mais pessoas envelhecerão morando sozinhas, como tornar a casa capaz de preservar a autonomia sem comprometer a segurança?

A casa inteligente pode se transformar em uma rede de proteção

Tradicionalmente, preparar uma residência para a terceira idade significa pensar em adaptações físicas. Barras de apoio no banheiro, pisos com menor risco de escorregamento, boa iluminação, espaços amplos para circulação e redução de degraus estão entre as medidas que podem tornar o ambiente mais seguro.

A tecnologia, porém, começa a acrescentar uma nova possibilidade: além de prevenir acidentes, a própria casa pode ajudar a perceber quando alguma coisa aconteceu.

É nessa direção que Lucas Silva, especialista em desenvolvimento estratégico de negócios, gestão e inovação, trabalha em um modelo de residência monitorada destinado principalmente a idosos que vivem sem companhia. A proposta posteriormente avançou para um modelo que combina recursos de automação, monitoramento e resposta diante de emergências. "É uma casa toda monitorada, voltada para o idoso que mora sozinho, sem enfermeiro, sem cuidador", explica.

Na prática, imagine que o morador sofra uma queda dentro de casa. Sensores poderiam identificar o episódio e iniciar automaticamente um protocolo definido anteriormente. O sistema poderia, por exemplo, avisar alguém próximo, entrar em contato com familiares e, dependendo da situação, solicitar atendimento de emergência.

Dispositivos pessoais também poderiam conversar com a tecnologia da residência, ampliando a capacidade de monitorar situações de risco.

Quedas são uma preocupação importante na terceira idade

Ter uma casa capaz de identificar acidentes ganha ainda mais relevância quando observamos os números relacionados às quedas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), elas representam a segunda principal causa de mortes provocadas por lesões não intencionais no mundo. Aproximadamente 684 mil pessoas morrem anualmente em decorrência desses acidentes, e os adultos com mais de 60 anos concentram a maior quantidade de casos fatais.

Além disso, cerca de 37,3 milhões de quedas por ano apresentam gravidade suficiente para exigir atendimento médico. Quando alguém mora acompanhado, outra pessoa pode perceber rapidamente que algo aconteceu. Para quem vive sozinho, entretanto, o tempo até conseguir pedir socorro pode se transformar em um problema adicional. É justamente aí que a automação residencial deixa de servir apenas ao conforto.

Em vez de se limitar ao controle da iluminação, dos aparelhos eletrônicos ou da climatização, uma casa inteligente voltada ao envelhecimento poderia incorporar recursos capazes de favorecer segurança, autonomia e respostas mais rápidas. "Tudo precisa estar integrado em um sistema de automação para prestar o socorro urgente", afirma Silva.

Móveis também precisam acompanhar o envelhecimento

Uma residência preparada para diferentes fases da vida não depende apenas de sensores e equipamentos tecnológicos. A própria disposição dos móveis pode facilitar (ou dificultar) a autonomia conforme a mobilidade muda.

Para Laércio Marchioni Filho, empresário e especialista em móveis planejados de alto padrão, pensar em uma casa capaz de acompanhar o envelhecimento significa observar elementos como ergonomia, circulação e facilidade para alcançar objetos utilizados todos os dias.

Armários muito altos, passagens apertadas e superfícies posicionadas em alturas pouco confortáveis, por exemplo, podem não representar qualquer dificuldade aos 40 ou 50 anos, mas se tornar obstáculos décadas depois.

"Um móvel pode ser perfeitamente funcional hoje e se tornar uma dificuldade conforme a mobilidade do morador muda. Quando o projeto considera o envelhecimento desde o início, é possível pensar em soluções que facilitem o acesso e preservem a autonomia dentro da própria casa", explica.

A ideia é que a adaptação não aconteça somente depois que surge uma limitação. Projetar pensando no futuro permite que o ambiente acompanhe as transformações do próprio morador.

Morar sozinho não significa abrir mão da independência

Um dos pontos mais importantes dessa discussão é diferenciar morar sozinho de estar desassistido. Para muitos idosos, permanecer na própria residência representa autonomia, familiaridade e manutenção da rotina. Assim, a solução para o envelhecimento da população não necessariamente passa por retirar essas pessoas de suas casas ou exigir a presença permanente de um cuidador.

O desafio é encontrar maneiras de tornar essa independência mais segura. Uma residência capaz de reconhecer situações incomuns pode funcionar como uma camada adicional de proteção sem necessariamente interferir na rotina cotidiana. O objetivo seria permitir que o morador continue tomando suas próprias decisões, mas tenha uma rede pronta para agir quando realmente precisar.

A OMS, inclusive, aponta a criação de ambientes mais seguros entre as estratégias importantes para reduzir o impacto das quedas, especialmente diante do envelhecimento populacional.

Até onde a casa deve monitorar o morador?

Transformar uma residência em um ambiente capaz de acompanhar seus ocupantes, porém, também abre uma série de discussões.

Se sensores conseguem identificar movimentos e comportamentos dentro da casa, quem terá acesso a essas informações? Onde os dados serão armazenados? O que acontece se a internet cair justamente durante uma emergência? E como garantir que uma tecnologia criada para aumentar a segurança não acabe reduzindo a privacidade?

Também existem questões relacionadas ao preço de instalação e manutenção, à confiabilidade dos equipamentos e aos limites das decisões que podem ser tomadas automaticamente.

São desafios que precisarão caminhar lado a lado com o avanço desse tipo de tecnologia. Afinal, uma casa preparada para cuidar não deve significar uma casa que retire do morador o controle sobre a própria vida.

A casa do futuro também precisará saber envelhecer

Quando se fala no envelhecimento da população, as primeiras preocupações costumam envolver hospitais, aposentadorias, medicamentos e redes de assistência. Mas a transformação demográfica também deverá chegar à arquitetura, ao design e à maneira como pensamos os espaços onde vivemos.

Se as projeções do IBGE se confirmarem, mais de um terço da população brasileira terá 60 anos ou mais em 2070. Ao mesmo tempo, os arranjos familiares continuarão mudando. Nesse cenário, construir uma casa pensando apenas nas necessidades do presente pode deixar de fazer sentido.

Talvez a verdadeira casa inteligente do futuro não seja aquela que simplesmente acende uma lâmpada quando alguém pede. Será aquela capaz de oferecer conforto quando tudo está bem, facilitar a rotina quando a mobilidade mudar e, sobretudo, reconhecer quando seu morador precisa de ajuda. Em uma sociedade que viverá cada vez mais, preparar a própria casa para envelhecer junto pode se tornar uma das novas formas de cuidado.

Sobre o especialista

Lucas Silva é administrador e especialista em desenvolvimento estratégico de negócios, gestão e inovação, com trajetória voltada à criação, estruturação e expansão de empresas no Brasil e nos Estados Unidos. Ao longo da carreira, atuou no desenvolvimento de novos negócios em diferentes segmentos, como tecnologia, construção civil, comunicação, marketing e varejo, reunindo experiência em planejamento estratégico, desenvolvimento de produtos, gestão, posicionamento de marcas e expansão de operações. Atualmente, também está à frente de projetos de inovação nos Estados Unidos, incluindo soluções voltadas à tecnologia, construção e desenvolvimento de novos produtos.

Bons Fluidos
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra