O que o Quarteto Fantástico e os X-Men têm a ver com a Astrologia
Da filosofia grega aos quadrinhos: de onde vêm Fogo, Terra, Ar e Água e por que eles seguem vivos como símbolo
Criada na Grécia Antiga por Empédocles e Aristóteles, a teoria dos quatro elementos perdeu a validade na física moderna, mas sobrevive como metáfora na Astrologia para categorizar os 12 signos zodiacais e os temperamentos humanos. Essa estrutura arquetípica serviu de base para as funções psíquicas de Carl Jung e reverbera na cultura pop, moldando canções e equipes clássicas dos quadrinhos, como o Quarteto Fantástico e a formação original dos X-Men, em que poderes espelham a força de cada elemento.
A origem dos quatro elementos está na filosofia grega: no século 5 a.C., Empédocles propôs que tudo seria formado por Fogo, Terra, Ar e Água, e Aristóteles desenvolveu a ideia no século seguinte, acrescentando o éter para explicar o céu.
A Astrologia herdou esse sistema e o usa até hoje como linguagem simbólica, que organiza os 12 signos em quatro grupos de três.
Aqui você vai entender de onde vem essa ideia, por que ela deixou de valer como física e continua valendo como símbolo, e como os quatro elementos reaparecem em heróis dos quadrinhos e na música pop.
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Resposta rápida sobre a origem dos quatro elementos
- A teoria dos quatro elementos (Fogo, Terra, Ar e Água) surgiu na Grécia Antiga, com o filósofo Empédocles, no século 5 a.C.
- Aristóteles (384 a.C. a 322 a.C.) incorporou a teoria e acrescentou um quinto elemento, o éter, que formaria os planetas e as estrelas.
- A ciência moderna abandonou os quatro elementos como explicação da matéria; hoje, "elemento" remete à tabela periódica.
- Na Astrologia, os quatro elementos seguem como linguagem simbólica: cada um reúne três dos 12 signos e representa um modo de perceber a realidade.
- A mesma estrutura aparece em leituras astrológicas das funções psíquicas de Carl Jung e na cultura pop, em grupos como o Quarteto Fantástico e os X-Men.
Qual é a origem dos quatro elementos?
Os antigos, dentre os quais destaco o filósofo Aristóteles (384 a.C. a 322 a.C.), interpretavam a realidade como se tudo fosse constituído por quatro elementos astrológicos: o Fogo, a Terra, o Ar e a Água.
Para estes filósofos, havia uma divisão precisa entre nosso mundo e o céu, uma divisão de natureza metafísica.
Nosso mundo seria o lugar das mudanças, o espaço onde tudo se transforma; o céu seria o mundo supralunar, reunindo tudo o que está acima da Lua.
No mundo supralunar, acreditava-se, havia os planetas e as estrelas, compostos não por matéria comum, mas por uma substância imutável e eterna chamada de "éter".
O conhecimento humano se aperfeiçoou, e hoje sabemos que não existe diferença entre a matéria encontrada em nosso mundo e aquela da qual os planetas e as estrelas são compostos.
Tudo muda, tudo se transforma, e nenhum planeta ou estrela é composto por uma substância especial chamada "éter".
Os quatro elementos existem de verdade?
Do mesmo modo, também sabemos que nosso mundo não é composto por quatro elementos em um sentido físico.
Quando falamos de "elementos" hoje em dia, nos referimos aos da tabela periódica química: hidrogênio, oxigênio, hélio e todos os demais. E tudo isso foi criado dentro das estrelas!
Sobre os quatro elementos da antiguidade, entretanto, é perfeitamente possível entendê-los como uma sofisticada metáfora. Uma metáfora referida à estrutura da realidade em um sentido simbólico.
A Astrologia, afinal, diferente da Astronomia, não é uma ciência que trata da realidade física. A Astrologia é uma linguagem que se baseia em analogias, em símbolos e interpretações possíveis para estes símbolos. Querem ver?
Vamos considerar, por exemplo, as quatro necessidades humanas fundamentais:
- água para beber,
- alimento (que vem da terra),
- ar para respirar,
- luz/calor (provenientes do Sol).
Retire qualquer um desses elementos, e a existência humana (e a da maioria dos animais) se torna inviável.
Podemos também mostrar que nosso mundo é dividido em quatro partes. Temos uma parte continental, também conhecida como litosfera (terra), temos água (rios, oceanos, lagos), temos ar (a atmosfera) e temos fogo (o núcleo incandescente do planeta).
Como a Astrologia usa os quatro elementos?
Do mesmo modo, para a Astrologia, quatro são os elementos que constituem a existência: o Fogo, a Terra, o Ar e a Água. Cada um deles se manifesta de três formas distintas, totalizando os 12 signos do zodíaco.
Na prática, os 12 signos ficam distribuídos assim entre os quatro elementos:
- Fogo: Áries, Leão e Sagitário
- Terra: Touro, Virgem e Capricórnio
- Ar: Gêmeos, Libra e Aquário
- Água: Câncer, Escorpião e Peixes
O que cada grupo indica sobre personalidade e temperamento está no guia completo dos elementos dos signos.
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Na imagem abaixo, veja um exemplo de como pode aparecer para você:
Como cada elemento enxerga a mesma situação?
A partir da perspectiva de cada um dos elementos astrológicos, a realidade é interpretada de várias formas.
É como se cada elemento, ao lidar com um fato, tecesse considerações particulares, sendo que nenhum deles apreende o fato em sua inteireza, em sua plenitude.
- O Fogo enxerga os possíveis sentidos e significados do fato.
- A Água aborda as implicações emocionais.
- A Terra lida com causa e consequência.
- O Ar, por sua vez, quer entender a teoria por detrás do fato.
Cada um dos elementos astrológicos, ao seu modo, é cego para outras perspectivas. Apenas juntos alcançam o verdadeiro poder.
O que Carl Jung tem a ver com os quatro elementos?
A própria psicologia bebeu (e bebe) dos quatro elementos como figuras estruturantes da psique, e muitas correntes se baseiam nisso.
Carl Jung, por exemplo, nos fala das quatro funções psíquicas: sensação, sentimento, pensamento e intuição. Cada uma dessas quatro funções está relacionada com um elemento:
- A sensação teria a ver com a perspectiva da Terra: as coisas têm valor na medida em que posso experimentá-las com meus sentidos físicos.
- O sentimento, com a perspectiva da Água: as coisas têm valor na medida em que estimulam minhas emoções.
- O pensamento estaria relacionado ao Ar: as coisas têm valor na medida em que suas teorias são compreendidas.
- A intuição, ao Fogo: as coisas têm valor na medida em que têm sentidos e ensinamentos filosóficos, espirituais ou morais.
Supor que um desses elementos astrológicos seja "mais importante" constitui equívoco crasso. Cada um deles nos oferece apenas um pedaço da perspectiva das coisas.
A ponte entre elementos, funções psíquicas e os quatro temperamentos clássicos é detalhada no artigo sobre o temperamento dos signos.
Onde os quatro elementos aparecem na cultura pop?
Levando em conta a ideia de que existem habilidades distintas e que tais habilidades valem pouco se separadas, não é de estranhar que roteiristas tendam a materializar este conceito em grupos de super-heróis. Se fazem isso de modo intencional ou não, desconheço a resposta.
Mas o fato é que os quatro elementos podem ser encontrados mesmo no mundo dos quadrinhos, unidos de um modo em que o todo é mais forte do que as partes que o compõem.
Quarteto Fantástico
Vejam o caso do Quarteto Fantástico. O nome do grupo é autoexplicativo, mas o curioso é que os poderes dos membros têm tudo a ver com os elementos da antiguidade clássica.
Temos o Tocha Humana, que representa o elemento Fogo. O Coisa representa a força bruta da Terra. A Mulher Invisível, como o nome diz, fica invisível como o Ar! E o Senhor Fantástico tem o poder da supermaleabilidade, exatamente como o elemento Água, que se molda a qualquer recipiente.
É irônico notar que o principal inimigo do Quarteto Fantástico é um vilão chamado Destino. Referência, talvez inconsciente, ao fato de que a grande luta da humanidade diz respeito ao uso do livre-arbítrio para vencer o destino?
A questão é: terá sido tudo isso pensado por Stan Lee e Jack Kirby, criadores do grupo, ou foi uma coincidência (ou sincronicidade, como preferem os junguianos)?
X-Men
Outro grupo de heróis marcado pelo arquétipo dos quatro elementos é a formação original dos X-Men (nos quadrinhos, não no cinema). Os primeiros X-Men convocados pelo professor Charles Xavier eram quatro:
- Ciclope, que solta raios laser pelos olhos e representa o elemento Fogo;
- Anjo, capaz de voar, representando o elemento Ar;
- Fera, que representa o elemento Terra;
- Homem de Gelo, cujos poderes o associam ao elemento Água.
Após a criação do grupo, o professor Xavier recrutou um quinto elemento: a adolescente Jean Grey, que viria a ser conhecida primeiro como Garota Marvel e, posteriormente, como Fênix, uma clara referência ao poderoso éter cósmico.
Os X-Men foram também criados pela dupla Lee-Kirby, mostrando a inclinação dos dois autores para mitologias envolvendo os quatro elementos.
Como nos grupos de super-heróis, não há um elemento mais importante do que o outro. Separados, podem até ser fortes. Juntos, contudo, tornam-se imbatíveis e vencem os desafios.
Analogicamente, podemos dizer que estes heróis estão dentro de nós. Afinal, cada pessoa possui um pouco dos quatro elementos dentro de si.
Forever Young, do Alphaville
A música também está recheada de referências, conscientes ou inconscientes, aos quatro elementos.
Em Forever Young, um dos maiores sucessos da música pop internacional, lançada em 1984 pela banda alemã Alphaville, um trecho da letra compara as pessoas à água e ao calor, à melodia e ao ritmo, e lembra que, cedo ou tarde, todos estarão mortos.
No caso, água e calor nem demandam explicações. "Melodia" pode ser entendida como referência ao elemento Ar, que na Astrologia representa a música.
Só se pode ouvir música, afinal, porque o ar conduz o som. "Ritmo" ou "batida" pode ser entendido como o elemento Terra. E qual a conclusão da música?
Exatamente o que diziam os antigos: no mundo do devir, das mudanças, dos quatro elementos, tudo muda, tudo em algum momento acaba, morre, se vai.
A única coisa imutável é a mudança, e este é o grande objeto de estudo da Astrologia: as mudanças e aventuras que ocorrem sem cessar entre o nascer e o morrer.
Por que os quatro elementos ainda importam?
Da física de Aristóteles aos quadrinhos de Stan Lee e Jack Kirby, os quatro elementos atravessaram quase 2.500 anos mudando de função.
Saíram da explicação da matéria e passaram a descrever modos de perceber o mundo, e é nesse papel simbólico que a Astrologia os usa.
Na leitura do Mapa Astral, ninguém pertence a um elemento só: os planetas se distribuem pelos quatro grupos, e a proporção entre eles indica onde há excesso e onde há falta. Esse equilíbrio é o tema do artigo sobre acúmulo e bloqueio de Ar, Terra, Fogo e Água.
📌 No Mapa Astral, o capítulo Seu Temperamento: elementos mostra essa distribuição, calculada a partir da sua data, hora e local de nascimento.
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Perguntas frequentes sobre a origem dos quatro elementos
Quem criou a teoria dos quatro elementos?
A teoria dos quatro elementos é atribuída ao filósofo grego Empédocles, que viveu no século 5 a.C. Ele propôs que toda a matéria seria formada pela combinação de quatro "raízes": Fogo, Terra, Ar e Água, unidas e separadas por duas forças, o Amor e a Discórdia.
Platão retomou a ideia, e Aristóteles (384 a.C. a 322 a.C.) a sistematizou, associando cada elemento a pares de qualidades: o Fogo seria quente e seco, o Ar quente e úmido, a Água fria e úmida e a Terra fria e seca. Foi essa versão aristotélica que chegou à Astrologia e à medicina antiga.
O que é o éter, o quinto elemento?
Na física de Aristóteles, o éter era a substância que formaria tudo o que existe acima da Lua, o chamado mundo supralunar: planetas, estrelas e as esferas que os carregariam.
Diferente dos quatro elementos terrestres, sujeitos a mudança e decomposição, o éter seria imutável, eterno e dotado de movimento circular perfeito.
Na Idade Média, ele ganhou o nome latino de quintessência, a "quinta essência". A ciência moderna descartou essa ideia, porque planetas e estrelas são feitos dos mesmos elementos químicos encontrados na Terra.
Por que a Astrologia usa os quatro elementos se a ciência os abandonou?
Porque a Astrologia usa os quatro elementos como linguagem simbólica, e não como descrição física da matéria. Diferente da Astronomia, a Astrologia trabalha com analogias: Fogo, Terra, Ar e Água funcionam como metáforas para quatro modos de perceber a realidade.
O Fogo busca sentido, a Terra lida com causa e consequência, o Ar quer entender a teoria e a Água percebe as implicações emocionais. Nessa leitura, cada elemento reúne três dos 12 signos, e a distribuição dos planetas entre eles no Mapa Astral indica tendências de temperamento.
O que Carl Jung tem a ver com os quatro elementos?
O psiquiatra suíço Carl Jung descreveu quatro funções psíquicas no livro Tipos Psicológicos, publicado em 1921: sensação, sentimento, pensamento e intuição. Na leitura astrológica, cada função corresponde a um elemento.
A sensação se liga à Terra, porque valoriza o que pode ser experimentado pelos sentidos. O sentimento se liga à Água, que valoriza o que desperta emoção. O pensamento se liga ao Ar, que valoriza a compreensão das ideias. A intuição se liga ao Fogo, que valoriza sentidos filosóficos, espirituais ou morais.
Os quatro elementos também aparecem no Tarot?
Sim. Os quatro naipes dos Arcanos Menores do Tarot costumam ser associados aos quatro elementos: Paus ao Fogo, Copas à Água, Espadas ao Ar e Ouros à Terra.
A correspondência segue a mesma lógica simbólica usada pela Astrologia, em que cada elemento representa um modo de lidar com a vida: ação e desejo, emoção e vínculos, pensamento e conflito, matéria e trabalho.
A relação entre cartas e elementos é explicada em detalhes no artigo sobre Tarot e os quatro elementos.
O post O que o Quarteto Fantástico e os X-Men têm a ver com a Astrologia apareceu primeiro em Personare.
Alexey Dodsworth (alexey-revista@personare.com.br)
- Alexey Dodsworth é astrólogo com 40 anos de experiência, professor de Astrologia no Clube Personare e autor das análises astrológicas do portal. Doutor em Filosofia (USP / Università di Venezia), possui mestrado em Ensino de Astronomia (IAG-USP) e diploma em Higher Education em Astrofísica (The Open University - UK). É autor do livro "Os Seis Caminhos do Amor" e realiza consultas astrológicas exclusivas no Personare.
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