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Mounjaro do Paraguai? Canetas falsas colocam a saúde em risco

Caneta armadilha?

19 mar 2026 - 11h48
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"Não se trata de medicação estética ou de uso recreativo. São fármacos destinados ao tratamento de uma doença crônica, que exigem indicação adequada, titulação de dose e monitoramento clínico", diz médico

"Magras, magras, magras…" é a ideologia irresponsável promovida por diversas influencers nas redes sociais, como Instagram e TikTok. E sim, irresponsabilidade é a palavra certa, visto que, embora a magreza nunca tenha saído de moda, a "corrida do ouro" pelo emagrecimento rápido, a qualquer custo e sem acompanhamento médico, popularizada com a ascensão das canetas emagrecedoras (Ozempic, Mounjaro, etc.), já tem deixado vítimas. Em fevereiro, a ANVISA anunciou a investigação de 65 mortes suspeitas de estarem relacionadas ao uso de emagrecedores no Brasil, além de mais de 2.500 relatos de efeitos adversos catalogados.

Freepik
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Foto: Revista Malu

Embora ainda não haja comprovação de que todos os casos estejam de fato ligados às famosas canetinhas, a intensificação das ações — com novas proibições e recolhimentos — demonstra que o problema deixou de ser pontual e se tornou recorrente, com impacto direto na segurança dos pacientes. Muitos acabam se deixando levar e buscam emagrecedores por conta própria, inclusive comprando versões falsificadas no Paraguai, por exemplo.

"O problema das canetas emagrecedoras falsificadas começou a ganhar relevância no final de 2023, quando foram identificados os primeiros lotes irregulares de medicamentos à base de semaglutida em circulação no país. Desde então, o cenário evoluiu de forma preocupante. Ao longo de 2024 e 2025, aumentaram os alertas sanitários, apreensões e investigações envolvendo produtos falsificados ou sem registro, muitos comercializados por redes sociais e canais informais", alerta Leonardo Vieira, nutrólogo da Clínica ALOE Medicina, em Brasília. Com ele, a Malu conversou sobre os riscos e como se proteger de emagrecedores irregulares. 

Quais são os principais riscos médicos associados ao uso de canetas emagrecedoras falsificadas?

"Medicamentos falsificados representam riscos substanciais e imediatos à saúde. Eles podem conter doses incorretas ou até mesmo ausência total do princípio ativo, levando à ineficácia terapêutica e à falsa sensação de segurança. Além disso, podem conter substâncias inadequadas ou contaminantes, incluindo outros fármacos diferentes do esperado — como insulina — o que aumenta o risco de eventos adversos graves, como hipoglicemia. Outro ponto crítico é a ausência de controle de qualidade e esterilidade. Produtos adulterados podem favorecer a contaminação bacteriana, resultando em abscessos, infecções de pele ou até complicações sistêmicas."

Por que esses produtos falsificados conseguem se espalhar tão rapidamente no mercado?

"O principal fator é a demanda elevada. São medicamentos com eficácia comprovada na redução de peso, em um país onde cerca de 60% da população apresenta excesso de peso, criando um mercado consumidor amplo e imediato. Somado a isso, o alto custo dos produtos originais — que são fármacos relativamente recentes e fruto de grande investimento em pesquisa — torna as versões falsificadas, geralmente muito mais baratas, atrativas para parte do público. Por fim, a venda facilitada por redes sociais e aplicativos, com forte marketing digital e ausência de exigência de receita ou rastreabilidade, permite que esses produtos contornem a cadeia formal de distribuição e se disseminem rapidamente."

A banalização nas redes sociais contribuiu para essa "corrida do ouro" para emagrecer?

"Sim. A viralização de conteúdos e a promoção dessas medicações como soluções rápidas para emagrecimento impulsionaram uma demanda extraordinária. Esse fenômeno criou um ambiente propício para o mercado paralelo, onde ofertas aparentemente legítimas escondem produtos irregulares ou falsificados."

Que sinais ou sintomas podem indicar que o paciente está usando um produto adulterado?

"Não é possível diagnosticar falsificação apenas pelos sintomas, mas alguns sinais clínicos podem levantar suspeita. A ausência total de efeito terapêutico — como nenhuma perda de peso ou melhora metabólica mesmo após uso regular — pode indicar falta do princípio ativo. Eventos de hipoglicemia inesperados também são preocupantes, especialmente se houver substituição por insulina. Reações locais importantes no local da aplicação, como dor intensa, vermelhidão progressiva ou secreção, podem sugerir falha de esterilidade. Além disso, sintomas graves ou desproporcionais, como náuseas persistentes, vômitos intensos, desidratação ou confusão, fogem do padrão habitual esperado e exigem avaliação médica imediata."

Quais substâncias estão sendo encontradas nessas canetas falsificadas?

"Em muitos casos, o conteúdo exato é desconhecido, já que produtos falsificados não passam por controle de qualidade ou testes laboratoriais confiáveis. Há relatos de adulterações envolvendo substituição por insulina ou outros compostos bioativos inadequados, o que pode levar a complicações graves. A identificação de produtos sem registro sanitário e fabricados por empresas desconhecidas reforça a possibilidade de uso de insumos de origem duvidosa, contaminados ou com composição imprevisível."

Quem realmente pode e deve usar canetas emagrecedoras?

"Medicamentos agonistas de GLP-1 têm indicações médicas específicas. São indicados para tratamento de diabetes tipo 2 e para obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²) ou sobrepeso (IMC ≥ 27 kg/m²) associado a comorbidades, sempre com avaliação e acompanhamento médico. Não se trata de medicação estética ou de uso recreativo. São fármacos destinados ao tratamento de uma doença crônica, que exigem indicação adequada, titulação de dose e monitoramento clínico."

Os sinais de fraude

O nutrólogo deixa dicas práticas para reconhecer um emagrecedor falsificado:

  • Embalagens com rasuras, erros de idioma, impressão de baixa qualidade ou rótulos aparentemente reposicionados.
  • Divergências nas informações obrigatórias, como ausência de número de lote, validade ou registro sanitário verificável, também merecem atenção.
  • Preço muito abaixo do valor de mercado é um sinal importante de alerta, mas não suficiente isoladamente. "Produtos falsificados podem ser vendidos por valores semelhantes aos originais justamente para transmitir falsa credibilidade. Mais importante do que o preço é a origem da compra: farmácia regularizada, com nota fiscal e prescrição médica continuam sendo os critérios mais seguros."
Revista Malu Revista Malu
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