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Função soneca: aliada ou vilã do descanso matinal?

Estudo com 21 mil pessoas revela que "sonecar" é um hábito global, mas especialistas alertam para a fragmentação do sono REM

3 fev 2026 - 17h25
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A sensação de acordar como um "zumbi" e recorrer ao botão de soneca é uma realidade para mais da metade da população mundial. Um estudo recente, que monitorou os hábitos de sono de mais de 21 mil adultos globalmente via smartphones, revelou que os participantes acionam o botão, em média, 2,4 vezes antes de finalmente levantarem da cama. Embora comum, a prática levanta um debate entre especialistas: afinal, esses minutos extras ajudam ou prejudicam a nossa saúde?

Recorrer ao botão de soneca é uma realidade para mais da metade da população mundial
Recorrer ao botão de soneca é uma realidade para mais da metade da população mundial
Foto: Canva / Bons Fluidos

A pesquisa indica que o hábito não é aleatório. Pessoas com perfil "noturno" (que rendem mais tarde e têm dificuldade para dormir cedo), indivíduos que sofrem de sonolência excessiva ao despertar ou aqueles que têm despertares frequentes durante a madrugada são os mais propensos a configurar alarmes consecutivos. Para esse grupo, a soneca funciona como uma tentativa — nem sempre eficaz — de suavizar a transição para o estado de vigília.

"Botão soneca": Um risco para o sono REM

A principal crítica dos cientistas do sono reside na interrupção do sono REM (Rapid Eye Movement). Esta fase, essencial para a saúde cerebral, memória, processamento emocional e criatividade, predomina nas últimas horas da madrugada e início da manhã.

  • Fragmentação: Ao adiantar o despertador apenas para "ganhar" o direito à soneca, o indivíduo interrompe um ciclo REM valioso.

  • Sono de baixa qualidade: O repouso obtido nos intervalos entre um alarme e outro é, geralmente, um sono não-REM leve.

  • Efeito rebote: Segundo Rebecca Robbins, cientista do sono do Hospital Brigham and Women's, esse sono fragmentado não é restaurador. Ao jornal The New York Times ele explica que pode, inclusive,  intensificar a sensação de cansaço ao longo do dia.

Por fim, a ciência ainda busca respostas definitivas sobre os impactos de longo prazo na qualidade de vida, mas o consenso atual é que a qualidade do despertar depende diretamente do motivo da soneca: se for para compensar privação de sono crônica, o botão de soneca pode estar apenas "mascarando" um problema maior de higiene do sono.

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