Cuidados para evitar crises alérgicas em crianças nas férias
Especialista explica como reduzir os riscos
As férias escolares, apesar de serem um momento divertido, podem aumentar o risco de crises alérgicas em crianças devido à maior exposição a ácaros, poeira e mofo, especialmente no inverno. A especialista Dra. Brianna Nicoletti alerta sobre a importância de medidas preventivas simples, como boa ventilação e manter tratamentos médicos, para garantir a saúde respiratória nesse período. 🏡🌬️
Mais tempo dentro de casa, contato com poeira e ambientes pouco ventilados favorecem o surgimento de sintomas respiratórios durante o recesso
As férias escolares são sinônimo de descanso e diversão para as crianças, mas também podem representar um período de maior exposição a fatores que desencadeiam alergias respiratórias. Com mais tempo em casa, visitas a parentes, viagens e mudanças na rotina, aumentam as chances de contato com poeira, ácaros, mofo e pelos de animais, principais gatilhos para crises de rinite alérgica e asma.
A preocupação é especialmente importante durante o inverno, quando as temperaturas mais baixas levam muitas famílias a manterem portas e janelas fechadas por mais tempo, reduzindo a circulação do ar e favorecendo o acúmulo de alérgenos nos ambientes.
Segundo a médica alergista e imunologista Dra. Brianna Nicoletti, pequenas mudanças na rotina durante o período de férias já são suficientes para aumentar a exposição das crianças aos agentes que provocam alergias.
"Durante o recesso, é comum que as crianças passem mais horas dentro de casa, assistindo televisão, brincando no quarto ou visitando familiares. Esses ambientes podem concentrar grande quantidade de ácaros, poeira e mofo, especialmente quando a limpeza e a ventilação não são adequadas."
Os ácaros, organismos microscópicos que vivem principalmente em colchões, travesseiros, estofados, tapetes e cortinas, continuam sendo um dos principais responsáveis pelas crises alérgicas em crianças.
"Eles se proliferam em locais com acúmulo de poeira e umidade. Crianças alérgicas podem apresentar espirros frequentes, coriza, nariz entupido, coceira nos olhos, tosse persistente e, em alguns casos, crises de asma."
Outro fator comum nas férias é a hospedagem em casas de familiares, hotéis ou imóveis de temporada que permaneceram fechados por longos períodos.
"Quando um ambiente fica muito tempo sem ventilação, é comum ocorrer o crescimento de mofo, além do acúmulo de poeira. Antes da chegada da criança, o ideal é abrir portas e janelas, realizar uma boa limpeza e, se possível, evitar que ela permaneça no local durante esse processo."
Mudanças na rotina influenciam
As viagens para regiões de clima diferente também podem influenciar o surgimento dos sintomas.
"Mudanças bruscas de temperatura, contato com novos alérgenos, fumaça de lareiras, ambientes climatizados e até pelos de animais podem desencadear crises em crianças predispostas."
De acordo com a especialista, algumas medidas simples ajudam a reduzir significativamente o risco de alergias durante as férias.
"Manter os ambientes bem ventilados, limpar a casa com pano úmido em vez de vassoura, evitar excesso de objetos que acumulam poeira no quarto, lavar roupas de cama regularmente e utilizar capas antialérgicas em colchões e travesseiros são atitudes que fazem diferença."
Ela também orienta que crianças com diagnóstico de rinite ou asma mantenham o tratamento prescrito mesmo durante o período de descanso.
"É muito comum que os pais relaxem na rotina de medicamentos porque a criança está sem aulas ou aparentemente bem. No entanto, interromper o tratamento preventivo pode favorecer o aparecimento das crises justamente quando há maior exposição aos gatilhos."
A médica reforça ainda que episódios frequentes de espirros, tosse prolongada, chiado no peito ou dificuldade para respirar não devem ser encarados como algo normal da estação.
"Quando esses sintomas são recorrentes ou interferem na qualidade de vida da criança, é importante procurar avaliação médica. Quanto mais cedo identificamos os fatores desencadeantes e iniciamos o tratamento adequado, melhor é o controle da doença e a qualidade de vida da criança."
Para a especialista, as férias devem ser um período de lazer, mas sem deixar de lado os cuidados com a saúde respiratória.
"Com algumas medidas preventivas e acompanhamento médico quando necessário, é possível aproveitar o recesso escolar com muito mais conforto e segurança para toda a família."
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